quarta-feira, 27 de abril de 2016

Mechanics "Sex, rockets and filthy songs" (Monstro Discos, 1998)


               “Sex, rockets and filthy songs” é um compacto com cinco canções que tirou o Mechanics das gravações lançadas somente em cassete.
Rock Press, Ed.15, Agosto de 1998

                 O som é bem sujo, podrão, do tipo cuspa-cerveja-na-minha-cara, característica intrínseca de uma das bandas que mais agitavam os puteiros em Goiânia. Traz os hits “Sex misery machine” e “Satan's surf”. Em "Love and rockets" o Mechanics dá uma aliviada na sujeira e se aproxima do power pop.

                  O vinilzinho azul de projeto gráfico caprichado marcou o início das atividades da Monstro Discos, que poucos anos depois se transformaria em um dos principais selos independentes brasileiros, responsável por boa parte da movimentação independente do novo milênio.

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terça-feira, 26 de abril de 2016

Dândi "Blackout" (Effeket Discos, 1993)


                   Dândi é o nome da banda de rock formada em Picos/PI ainda nos anos 80 e “Blackout” é seu primeiro disco.

                 Um LP curto com seis canções de autoria própria, sendo a faixa de abertura uma improvável versão em português para “Here comes your man”, do Pixies, transformada em “Veja aqui teu bem”. Vale pela curiosidade!

              A banda tem os pés fincados na tentativa de fazer um pop rock com alto teor radiofônico, como na balada “Sem você”. E mesmo quando enveredam por arranjos mais rápidos/distorcidos, ainda assim mantêm um sabor pop ingênuo, ouça o lado B do disco e comprove.

                De Picos o Dândi migrou para Teresina, deu um intervalo e voltou no final dos 90’s com novos planos. Migraram novamente, dessa vez para o Rio de Janeiro.

                Na capital carioca a banda batalhou para entrar no circuito de shows e conseguir um contrato para registrar seu primeiro disco completo, o CD "Através do espelho" produzido por Caros Trilha, lá também estava boa parte do repertório presente nesse “Blackout”.

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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Picassos Falsos "Novo mundo" (Psicotronica, 2004)


            16 anos depois de um fim abrupto, que acompanhou a onda de demissões de bandas contratadas por grandes gravadoras no final dos anos 80, o Picassos Falsos retornou do ponto onde parou.

             A formação também é a mesma que deixou dois ótimos primeiros álbuns, reforçada na química entre a alma de letrista da Lapa de Humberto Effe e a guitarra hendrixiana de Gustavo Corsi, aqui com os dotes também a serviço do cavaquinho.

Outracoisa, ed. 06, 2004
          Quem esperou por um Picassos Falsos voltado para os anos 80, com um quê de pós-punk, não deve ter se dado muito bem com as 12 canções de "Novo mundo", que tem uma sonoridade próxima do cultuado "Supercarioca", porém ainda mais carioca/brasileiro. 

             A sequência de "Presidente Vargas", "Rua do desequilíbrio" e "Zig Zag" dá uma mostra da diversidade sonora que o quarteto buscou, sendo que "Rua do desequilíbrio" é o melhor samba do disco, que também traz outro ótimo samba em "Pra deixar de ficar só".

         Ismael Silva, cujo samba "Se você jurar" havia aparecido incidentalmente no hit "Carne e osso" do primeiro disco, homônimo de 1987, volta numa releitura para "Me diga seu nome", única composição do disco que não é de autoria de Humberto Effe. Os rocks estão em "Eletricidade", no blues "O filme" e nas baladas "Novo mundo" e "Até onde for seguir".

         O álbum estreou o selo Psicotronica e botou o Picassos Falsos novamente na estrada, ainda que por pouco tempo. Um show do Tim Festival de 2004 consagrou a retomada, mas logo o quarteto voltaria ao ostracismo confortável que tão bem lhe recebe.

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domingo, 24 de abril de 2016

Killing Chainsaw "Slim fast formula" (Roadrunner, 1994)


               O segundo disco do Killing Chainsaw mostrou o outro lado do som do quarteto de Piracicaba/SP, alçado naqueles anos a condição de uma das principais e promissoras bandas do cenário independente nacional.

              Se no primeiro disco, homônimo de 1992, o Killing Chainsaw chamava a atenção do ouvinte ao promover um som sujo, de guitarras que gritavam aos ouvidos, em “Slim fast formula” surgem mais cadenciados. Menos sujos, pois melhor produzidos, desaceleraram seu som e trocaram o timbre outrora seco das guitarras por um som mais encorpado. Continuaram demonstrando capacidade de composição acima da média nacional, aqui com direito a ótimas passagens por outros terrenos, como nas homenagens ao Kiss, “Rocket ride”, e DeFalla, “Woke of Jo”. Outro repertório revisitado traz a gravação definitiva para o ‘hit’ do quarteto, a velha “Evisceration”.

Revista General, edição 08
             “Slim fast formula” foi gravado no estúdio Bebop, em São Paulo/SP, durante a Copa do Mundo de 1994 em meio à gravação de outros discos importante para a década de 90. Antes disso, o segundo disco do KC havia sido cogitado para inaugurar o selo Caffeine, do jornalista Marcel Plasse, no qual receberia o título de “Killing time”. O Caffeine lançou duas coletâneas importantes, os dois volumes da série “No Major Babes” – o segundo volume com o Killing Chainsaw. Logo o selo daria lugar a editora que publicou a revista Vírus, iniciativa editorial importante para o cenário independente que florescia naquela metade de anos 90.

               O disco mostrou uma banda madura, pronta até mesmo para o mercado gringo. A distribuição internacional da gravadora holandesa Roadrunner, que naquele ano juntou no mesmo pacote quatro bandas brasileiras (a saber: Sepultura,  “Refuse/Resist”, Ratos de Porão, “Just another crime...”, Garage Fuzz, “Relax on your favorite chair”, e “Slim fast formula”) para promover internacionalmente, fez o disco chegar a lojas de discos do mundo todo.

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sexta-feira, 22 de abril de 2016

The Ess "Rehearsal Ess - Ao vivo na Grande Garagem que Grava" (GGG, 2005)


                Parece Madchester, mas é Curitiba. O The ESS se influenciou pelos sons ingleses que buscavam um sonoridade entre o rock e as possibilidades das batidas eletrônicas, coisa de quem ouviu Primal Scream, Charlatans e Leftfield nos anos entre as décadas de 80 e 90.

Gazeta do Povo, 18/02/2005
               O ESS surgiu em 1997 como um duo em meio à guitarras e bateria eletrônica, com o tempo o grupo foi pesquisando novas sonoridades e adicionando ingredientes e integrantes à proposta sonora, que sempre se manteve na busca de fazer rock + musica eletrônica de sequencers, programações de batidas e efeitos sintetizados.

               Gravaram um EP em 2001 e caíram no gosto de quem não nunca ouviu Novos Baianos. Em 2003 tocaram no Curitiba Pop Festival, abrindo para o excelente Rubin Steiner, e depois em outras capitais. Foram cogitados a lançar o primeiro disco pela Midsummer Madness, mas o projeto não vingou.

                Em 19 de fevereiro de 2005 o ESS, agora como quinteto, foi convidado para tocar e registrar um disco ao vivo dentro da primeira temporada do projeto A Grande Garagem que Grava. 

            O disco com cinco faixas abre climático na instrumental "Easy way" e segue num crescendo no qual detalhes são adicionados ao arranjo, que se torna cada vez mais preenchido, no meio traz o "hit" do ESS, "Rock is my soul".

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sábado, 9 de abril de 2016

V.A. "Flying music 4 flying people" (Cogumelo Records, 1996)


                Na metade dos anos 90 o lendário selo mineiro Cogumelo Records abriu o seu catálogo para outras vertentes do rock além do metal extremo. Essa iniciativa pôs no mercado CDs de bandas independentes em discos que podem ser considerados como os "alienígenas do catálogo da Cogumelo". "Flying music 4 flying people" é um exemplar desa leva.

              O álbum trouxe quatro bandas do underground brasileiro, todas identificadas com a parte mais melódica do hardcore, que poucos anos mais tarde seriam responsáveis por influenciar uma geração de bandas de hardcore na virada do milênio.

              "Flying music 4 flying people" abre com os curitibanos Pinheads, a cultuada banda de hardcore melódico que fazia um dos melhores shows do cenário underground da época. As oito canções curtas do Pinheads são as únicas do trio lançadas em CD. Hoje tidas como clássicas, ganharam aqui suas gravações definitivas.

             O Dread Full saiu do prolífico cenário de bandas de hardcore de Belo Horizonte/MG daqueles idos dos 90’s. Aqui a banda se dedica somente ao lado melódico do hardcore, depois o quinteto enveredaria pelo skacore para finalmente voltar ao hardcore praticado nos primeiros anos dessas seis músicas.

             O Primal Therapy veio de Santos/SP, cidade com outra cena forte de hardcore, e trouxe seis músicas bem construídas, com backing vocals caprichados e detalhes nos arranjos que mostram o esmero na produção das músicas. Todas muito boas.

               Quem fecha o disco é o Noisegrind, de Porto Alegre/RS, que não tem nada de Noise ou Grind no som, que na verdade é um hardcore rápido com forte influência de skate punk. Foi banda "menos conhecida dounderground" a entrar nesse 4-way split.

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sexta-feira, 8 de abril de 2016

clonedt "O azul, o vermelho e o preto" (Independente, 2001)


                O clonedt atende pelo nome de uma única pessoa, o produtor curitibano Paulo de Tarso. “O azul, o vermelho e o preto” é seu terceiro disco completo, certamente seu trabalho de música eletrônica mais acessível.

             As cores citadas no título nomeiam as três partes em que o álbum se divide. A primeira, “o azul”, traz seis temas acessíveis aos ouvidos, na qual a produção eletrônica se encarrega dos efeitos e ruídos de fundo, enquanto a parte orgânica se ocupa de deixar tudo confortável.

            “O vermelho” é preenchido com cinco temas eletrônicos atmosféricos, menos orgânicos e com os efeitos em primeiro plano. Tal como uma ponte entre os momentos inicial e final do disco. 

                A derradeira suíte eletrônica, “o preto”, abre com o remix eletrônico/industrial do Chipset Zero para “QWERTY”, passa pela desconstrução digital de “Tempo perdido”, da Legião Urbana, quase irreconhecível e se encerra com três movimentos chamados “Álbum de família”, recortes editados da trilha sonora da peça homônima de Nelson Rodrigues, produzida pela Cia do Fogo e encenada em 1994.

              Lançado de forma independente, com apoio da Fundação Cultural de Curitiba, trata-se de um álbum difícil - com exceção à parte “azul” – recomendado para produtores iniciados e/ou fãs de música eletrônica, não exatamente dançante, mas que deve funcionar em público, quem sabe com as sinapses embaralhadas.

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terça-feira, 5 de abril de 2016

Fellini "Amor louco" (Wop Bop, 1990)


                  O Fellini começou lançando sinais de sua passagem meteórica pela vida musical no underground brasileiro dos 80’s. Enganaram seus entusiastas com títulos de despedida e sobrevidas das quais nem os próprios integrantes pareciam acreditar.

                     Gravaram três discos pela Baratos Afins e logo conquistaram o título de banda cult do rock nacional, até porque não tinham pares em sua sonoridade, fruto de um amontoado de sons vindos do pós-punk/pré-new wave e com referências brasileiras das quais poucas bandas estavam interessadas naqueles idos.

                   Tudo isso, somado ao talento literário do compositor Cadão Volpato, ainda não torna capaz uma definição simples da música do Fellini, quem sabe no primeiro disco, o ótimo “O adeus de Fellini”, de 1985.

                 Entretanto, algo no Fellini era facilmente perceptível: o modo de produção caseiro, de baixa fidelidade, e o uso do porta-estúdio Tascam, também conhecido como o quinto Fellini, em 1985, promovido a terceiro, em 1986, e abandonado em 1989, ano em que foi gravado o “Amor louco”.

                   Lançado em 15 de fevereiro de 1990, o quarto disco do Fellini é tido como o melhor disco da banda. Diferente dos anteriores, o álbum não faz alusão à despedidas e trouxe a chancela de um novo selo, além da volta do guitarrista Jair Marcos e a presença de um produtor/engenheiro de som, o RH Jackson.
          “Comecei a produzir o disco colocando as bases e bolando uma certa estética acústica pro disco. O trabalho de estúdio se estendeu, provavelmente porque estávamos nos divertindo muito, mas eu tinha uma viagem marcada pra Índia. Então demos um tempo nas gravações, com eles só gravando o estritamente necessário. Um dia o Thomas Pappon me ligou em Dheli me intimando a voltar e acabar o disco. Quando voltei, achei as gravações muito boas e pra terminar foi rápido. Eles sabiam muito bem o que estavam fazendo” (RH Jackson)
               O repertório reuniu a melhor safra de canções do Fellini. Algumas testadas ao vivo antes de ganharem registro definitivo, caso de “Chico Buarque song”, repleta de sons de violões sob versos românticos, todos em inglês. Idioma que também traduz os três versos de “Love till’ the morning”, momento mais eletrônico/dançante do disco.
         “O “Amor louco” foi sucesso de crítica, mas não de vendas. Acho que o grande diferencial são as letras e, na época, um certo toque de Samba e Bossa Nova ainda era novidade” (Ricardo Salvagni)
Bizz, edição 58, maio de 1990
              A maioria das canções tem estrutura baseada em violões, baixo marcado e economia na programação de batidas eletrônicas. As letras de “Clepsidra” e “LSD” se relacionam com memórias do autor, característica do texto do Cadão Volpato, que parece transformar cada disco do Fellini em um álbum de fotografias.

             Também é o disco em que o quarteto mais se envolve com o Samba, ouça “Cidade irmã”, “Kandisky song” e “Samba das luzes”. “Cittá piu bella” é a mais densa, um blues carregado com refrão em italiano. Sim, volta e meia eles inseriam outro idioma no meio, mesmo valorizando o texto em português.
           “Tudo era tão intuitivamente mental que o espaço para o produtor permitia experimentações. Sou orgulhoso de ter participado desse álbum, um misto de sonoridade ‘Roquerural’ e Violent Femmes pra fazer “Bossa Nova” (risos). O desafio era manter o Fellini das gravações anteriores sem provocar alterações no conceito da banda. O “Amor louco” não deixava de ser Lo-Fi só era um pouco mais complexo, foi gravado pelos mesmos artistas, da mesma maneira, mas ali tinha um material apaixonante!” (RH Jackson)
A produção ocupou cinco meses de um estúdio de 16 canais, contabilizando mais de 100 horas de gravações. Algo inédito para uma banda que economizava tempo de produção e que raramente deixava sobras. A tiragem de mil LPs encomendada pela Wop Bop à RCA foi parcialmente atendida, pois rendeu 880 unidades do “Amor louco”, um risco que os selos independentes corriam ao encomendar prensagens às grandes gravadoras.
              “O Thomas Pappon tem carisma e poder de persuasão. Ele negociou com o meu sócio, o Antonio Albuquerque, o lançamento do disco pela Wop Bop. Nós não acompanhamos nada da produção do “Amor louco” e o que eu conhecia do Fellini eram aqueles discos (mal) gravados do selo do Luiz Calanca. Lembro-me de ter ficado impressionado quando soube que a gravação seria “digital”. Resultou em um álbum muito bom, provavelmente o melhor editado pelo selo, mas que merecia melhor sorte. Devia ter sido editado por uma gravadora "de verdade", não era o caso da Wop Bop.” (René Ferri)
Bizz, edição 65, dezembro de 1990
               

         O "Amor louco" teve excelente repercussão enquanto lançamento. Não gerou hit de rádio, muito menos alavancou a carreira da banda que já não tinha pretensões comerciais. Mas garantiu ao Fellini shows memoráveis, como aconteceu em Porto Alegre e no Brazilian Rock Night, ambos em 1990, no qual só puderam viajar para Nova Iorque apenas Cadão e Thomas (leia ao lado).
Em 2000 o disco voltou à ordem do dia remasterizado em CD, iniciativa de Alex Cecci (Estúdio YB e baterista com gosto pela surf music e swing jazz) e da RDS Fonográfica que reeditou quase todo o catálogo da Wop Bop. Dessa vez foram prensadas mil cópias, evaporadas rapidamente.
 
                 
         A edição do “Amor louco” em CD acompanhou seguiu a edição original em cassete e trouxe os bônus presentes na fita k7, “É o destino” e “Aeroporto”. A última foi retirada da derradeira aparição televisiva do Fellini, no Programa Livre. É essa edição que você pode conferir nos links abaixo:

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