segunda-feira, 19 de outubro de 2015

V.A. "Curitiba in concert" (One Hit, 1994)



                No começo da década de 90 o cenário de bandas de Curitiba rendeu comparações com outros cenários efervescentes de rock, tanto que a capital paranaense ostentou o título de "Seatlle brasileira". Honraria exagerada e que também era facilmente aplicada para qualquer outra cidade brasileira com mais de cinco bandas.



                    Acontece que em Curitiba realmente havia mais de cinco garagens barulhentas, o que justifica o lançamento de mais uma coletânea de bandas da cidade. "Curitiba in concert" foi a terceira coletânea de bandas dedicadas a cobrir a cena roqueira curitibana, a primeira a surgiu no formato CD.

                      O álbum cobre alguma diversidade sonora local, tem heavy/alternativo do Magog, com os dois "hits" da banda, "Underworld" e "Fun". O psycho-punk'a'billy d'Os Cervejas. As passagens musicais malucas, com flerte ao samba, do Woyzeck, que ainda cantava em inglês na época. O heavy metal do Shades Before Dawn. A coletânea fecha com o Skijktl, que apesar do nome quase impronunciável, foi uma das melhores bandas que Curitiba já deu.

                    "Curitiba in concert" saiu pelo desconhecido selo One Hit, propriedade de Helinho Pimentel, que também produziu o disco. A repercussão foi apenas local e as canções da coletânea alimentaram a programação da Estação Primeira FM, outra iniciativa de Helinho Pimentel.

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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Black Needles "Bury my heart" (Les Disques Chupacabra, 2010)


                 O primeiro disco deste trio paaulistano é um dos melhores discos de garage rock brasileiro de todos os tempos. "Bury my heart" traz 10 pedradas cruas, sujas e dançantes. 

         Os vocais parecem saídos de uma caverna, distorcidos e por vezes gritados, funcionam perfeitamente com a bateria socada de maneira primitiva, com as palmas e a guitarra limpa, coisa de quem conhece produção de garage rock. 

           Tudo soa perfeito e se te falarem que é o som é de uma banda obscura dos anos 60, você ate acredita. É destes discos que não vale destacar uma canção, é um álbum para se ouvir do começo ao fim. Daqueles discos atemporais, daqui 50 anos ele continuará um excelente disco.

            Lançado apenas em vinil pelo obscuro selo Les Disques Chupacabra, "Bury my heart" tem arte de Klaus Koti, também conhecido como O Lendário Chucrobillyman. Procure bem que ainda pode ter algum destes por aí. Um discaço!


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Tubarões Voadores (Radical Records, 1995)


             O segundo disco do Tubarões Voadores foi o último passo na trajetória da banda de Itaboraí/RJ. Um trabalho que força a barra na tentativa inglória de soar como alguns de seus contemporâneos, ao flertar com outros ritmos, em criar amálgamas ao heavy metal de base. Não deu certo.

           O disco abre com o misto de samba-carnaval/heavy metal, a instrumental “Hermeto Paschoal”, não é a melhor das homenagens. “Gas station” tem um pé no rock nacional dos 80's, até cair no heavy metal. A letra é do Tony Platão e só não é pior do que o subtítulo que carrega, "o imbecil trocou o óleo mas esqueceu de botar a tampa", que merda é essa? Os caras até omitem um palavrão bem encaixado na letra, uma pena.

         Quando "Você também" começa, parece ser a melhor canção do álbum, daí corta para ele. Ele quem? O Heavy Metal! O restante do disco também é heavy metal, volta e meia brinca com uns groove, uns scratch. Os vocais do Sergio Espírito Santo são péssimos, mas a execução das canções é boa. O problema é vocal e letra.

Bizz, Edição 120, julho de 1995
              "Instantes" consegue juntar os piores momentos de vocal + letra. E olha que a letra é uma adaptação do poema de Jorge Luis Borges. Em "Três acordes" rola uma citação honrosa ao Gangrena Gasosa.  

          A produção de Edu K evidencia a característica versátil, até errônea, do disco. A banda deve ter sofrido pacas para terminar o disco, o último da pequena discografia do Tubarões Voadores.

             Dá pra sentir a mão do adorável produtor malucão/versátil da música brasileira, o que inclui obviamente uma versão para “Não me mande flores”, do DeFalla. Assim como na versão para “War inside my head”, do Suicidal Tendencies, também gravada por Edu K no projeto efêmero do Elektra.

        O disco foi lançado pelo selo Radical Records, um dos bons empreendimentos fonográficos independentes daquela metade de década de 90. O projeto gráfico é do Gringo Cardia.

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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Virgulóides "Virgulóides?" (Excelente Discos, 1997)


            Este é o primeiro disco da última promessa do rock brasileiro dos anos 90. Um álbum com a cara da década que ousou misturar rock com outros gêneros, alguns tratados como antagônicos ao rock e que foram vencidos pela criatividade das bandas e das possibilidades de novas amálgama ao rock brasileiro.
  
             "Virgulóides?" traz músicas ótimas e punhado de hits mal aproveitados. Letras sacanas, com um pézão do samba malandro paulista, se somam ao lado sujo do rock, ora heavy, ora hardcore. O disco é cheio de riffs de guitarra, mas sempre com um cavaquinho ao lado. Os temas das letras também fazem a ponta rock-samba, falam do cotidiano, mas repleto de sexismo, machismo, drogas, festas e bebedeiras.

Showbizz, Ed. 142, maio de 1997
            As 11 canções misturam samba e rock com uma dosagem bem equilibrada, não chega a ser um disco de samba-rock apesar de transitar livremente entre os gêneros. A mão certeira do Carlos Eduardo Miranda, produtor do disco e sócio da Excelente Discos, calibrou bem o álbum com àquilo que parecia ser a próxima grande banda do rock nacional. Só quem já havia trabalhado com álbuns fundamentais daquela década, como os primeiros do mundo livre sa (sic) e Raimundos, poderia tirar o som que tem neste disco.

           Em duas semanas "Virgulóides?" vendeu 60 mil cópias e alavancou a banda para shows em todo canto, além de aparições em programas populares de TV. Naquele ano nenhum ouvido ficou incólume à "Bagulho no bumba". A banda tinha alcance nacional e parecia ser um nome que renderia mais canções com bastante propriedade. O Virgulóides não se parecia com nada, ainda que na época muitas bandas buscassem uma identidade a partir da fusão de outros ritmos ao rock, muitas deram certo, incluindo o Virgulóides. Mas passou rápido.


          A má administração do sucesso repentino queimou rápido as cartas que "Virgulóides?" trazia. Pelo menos meia duzia de hits brotaram do álbum. Entrou uma grana, uns excessos (eles realmente pareciam um retrato fiel das suas letras) e pouco tempo depois a página da banda parecia ter virado.

            A Excelente Discos fechou e o Virgulóides gravou um segundo disco pela PolyGram, mesma gravadora que distribuiu "Virgulóides?", cujas vendas não arranharam nem de perto as 180 mil cópias do primeiro disco.

              Logo o Virgulóides fora dispensado pela gravadora, pelo público, pela mídia e até mesmo pela própria banda. Entretanto, um Virgulóides com mais samba e menos rock-com-sacanagem volta e meia teima em ressurgir, (in)felizmente sempre tem alguém para pedir "Bagulho no bumba".

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