sexta-feira, 24 de julho de 2015

Wry "National Indie Hits" (Independente, 2008)


                     Depois de quase uma década tentando a sorte de fazer música no velho mundo, em  2009 o Wry voltou definitivamente ao Brasil. Trouxeram na bagagem a experiência de viver o sonho de qualquer banda de rock e um disco em homenagem às bandas independentes nacionais.

                   “National indie hits” é exatamente o que o seu título indica: um disco repleto de possíveis hits de bandas independentes brasileiras dos anos 90 e 00. Sim, o underground nacional deu alguns hits do subterrâneo e muitos estão aqui na versão do do Wry, sempre bem próximas ao original, como a lindíssima “Inside my mind (again)” do Vellocet, e outros quase hits como “Precious love” do Low Dream,  “Burn baby burn” do MQN e “Canção do adolescente” do Astromato, banda esta que ensinou tardiamente que as guitar bands nacionais podiam também cantar em português. 

               Muitas boas bandas foram revisitadas. Da barulheira saudosa do Killing Chainsaw, com “Evisceration”, que abre o disco, passando pelo power pop do Snooze, “I feel you”, o hino anti mediocridade, “Novos adultos” do Walverdes e o guitar melancólico do brincando de deus – sim, em minúsculas mesmo. O disco se encerra com a homenagem do Wry às conterrâneas do Biggs, em “Not the same”.

                    O álbum não saiu em nenhum formato, existe apenas como um disco virtual que ficou disponível para download por tempo limitado. A arte da embalagem digipack traz a Monstro Discos como selo responsável pelo lançamento, mas o CD não chegou a ser prensado. O Wry pretende relançar parte de sua discografia e em breve “National indie hits” será prensado pela primeira vez.

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quinta-feira, 23 de julho de 2015

Concreto "Aquele que tem" (Tamborete Entertainment, 2001)


                O Concreto chegou muito bem ao seu segundo disco! 
                A trajetória do quarteto de Belo Horizonte/MG se iniciou ainda na primeira metade dos anos 90, sendo que o primeiro registro foi feito num vinil picture lançado apenas nos Estados Unidos. No primeiro disco, o ótimo "A calma da alma", de 1998, a banda conquistou bons resultados por parte do público e neste segundo álbum o som seguiu a mesma linha, pesado e melodioso de maneira equilibrada, com boas letras em português, algo raro no heavy/hard nacional, e interpretações que tentam fugir dos maneirismos típicos do gênero.

                      O disco abre com “O medo”, canção com boa letra e um trabalho vocal que casa bem as vozes dos dois vocalistas, a mesma ganhou vídeo clipe exibido com frequência pelo programa Alto-Falante, da Rede Minas. Os arranjos das músicas são bem cuidados, mesmo nos momentos menos pesados ainda imprimem densidade ao som, o que pode ser observado na canção que dá título ao disco. "Se o sol amanhecer" é outra das melhores canções do álbum.

                       “Aquele que tem” foi lançado pelo selo carioca Tamborete Entertaiment, mas não teve um mesmo êxito do primeiro disco, lançado independente. Em BHz o Concreto conquistou um lentamente um público fiel e, com isso, entrou no disputado hall das principais bandas de heavy metal da capital mineira.

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quarta-feira, 22 de julho de 2015

Fernando Pellon "Aço frio de um punhal" (Independente, 2010)


                    Fernando Pellon é um compositor de sambas de características únicas, versa com tamanha propriedade sobre os temas que raramente faz par com outros compositores, ou com outros sambas.

                 No começo da década de 80, Fernando Pellon compôs as letras do disco coletivo “Cadáver pega fogo durante o velório”, álbum que passou quase despercebido quando lançado, em 1983, mas que cada vez mais tem sido tratado como objeto de culto por pesquisadores e curiosos sobre os caminhos escusos da MPB.

                        Se os primeiros sambas não deram camisa para Fernando Pellon, foi como geólogo que o compositor encontrou sua sobrevivência profissional. Os sambas ficaram num outro plano, mas não tão distante que não pudesse visitá-los e lapidá-los. Assim surgiu o “Aço frio de um punhal”, segundo disco do sambista mais obscuro do Brasil, lançado 27 anos depois de sua primeira tentativa musical.

                          Com a caneta na mão Pellon demonstra a boa verve, mas quando solta a voz algo lhe falta. Neste caso o autor não é o seu melhor intérprete, a voz miúda não arrisca passagens afinadas, ficou mais como um recitador de seus belos versos, como em “Rigidez cadavérica”, que abre o álbum.

                       Quando convida outra voz a situação muda. Em “Jardim da saudade” a voz de Valéria Ferro empresta beleza feminina aos versos tão lúgubres quanto românticos. Valéria também faz duo com o compositor no belo choro-lamentação de “Ciclo das águas”. Os temas urbanos e noturnos retratam melancolia, abandono e mágoas de amores desfeitos e fazem de Pellon um cronista do Rio de Janeiro pós-moderno, mas ainda calcado numa trajetória de sambas infelizes, à moda de Lupicínio, Jards e do próprio Pellon, escondido na sombra de sua própria criação.

                  Lançado por conta própria, “Aço frio de um punhal” ainda é um disco desconhecido, condição que deve avançar por mais alguns anos. O disco não recebeu nenhuma divulgação e sua distribuição alcançou poucas mãos. O projeto gráfico é luxuoso e segue um padrão mórbido que tanto rodeia as letras do compositor. Na primeira página do encarte, outro bom letrista de samba, Aldir Blanc, faz às honras ao Pellon.

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sábado, 18 de julho de 2015

V.A. "Isto não é exatamente uma reverência..." (2Discos, 2015)


             Aleluia fellinianos!

          Enfim saiu o disco em tributo a uma das mais cultuadas e influentes bandas do underground brasileiro, o Fellini.

          A ideia inicial do projeto surgiu em 2004 dentro da comunidade do Fellini no Orkut. A comunidade havia sido montada por membros d'Os Gianoukas Papoulas, que então se encarregaram pela produção do disco.

          Ao logo dos anos o projeto foi abandonado e retomado duas vezes, tanto que as gravações recebidas se dividem em os anos de 2005, 2006 e 2010. Em 2010 o disco passou pelos últimos ajustes e chegou a ser resenhado pela revista Rolling Stone, mas o lançamento, então anunciado pela Pisces Records, aconteceu somente para agora, via 2Discos. Uma epopeia entre desistências e continuidades que até combinam com a instabilidade vital do Fellini.

         Entretanto, uma década de espera foi tempo suficiente para que algumas das bandas participantes definissem o seu próprio adeus, caso do OAEOZ, que fecha o tributo. Também há bandas totalmente desconhecidas - JC Magalhães, Gandharvas, Arrivederci - e projetos que só existiram para este tributo, como a parceria entre Rodrigo Carneiro & Anvil FX.

               Nas 19 reinterpretações há os que se arriscam e surpreendem, como Os Gianoukas Papoulas ao acelerar “Teu inglês”. Anvil FX com seu arranjo caprichoso para “Alguma coisa vai dar”. Continental Combo injetando psicodelia byrd em “LSD”. Flu ao mostrar inventividade inédita para "Rio-Bahia" e o OAEOZ ao arrancar um blues carregado de "Città piu bella".

            Também tem os que mais se aproximam do original, o Gunnar Lou com “Rock europeu”, André Revolver em "Love 'til the morning", Os The Darma Lovers ainda folk em "Grandes ilusões", Stela Campos na linda "Chico Buraque song" e Danilo Monteiro no sambão "Samba das luzes".

           Outras releituras justificam o título do álbum e tratam de não reverenciar o homenageado, é o caso do My New Device (quem?) e sua versão em inglês para “Funziona senza vapore”, parece outra canção, e ela é péssima. O Jazz Blaster estuprou “Pai” e o Biônica trocou o funk branco de “Bolero 2” por um arranjo mais dançante e sujo. Por outro lado o Vaca de Pelúcia é que não parece a mesma banda de garage rock com sua gravação eletrônica, barulhenta cheia de ruídos para “Nada”. "História do fogo" perdeu densidade original em meio à massa de distorções do Dito EfeitoIsto não é exatamente uma irreverência...

             O lançamento do selo estreante 2Discos tem um projeto gráfico simples e vem embalado num envelope. No canto inferior esquerdo da contracapa há um aviso: Somente para fãs. Portanto, se contente Fellini-fã, depois de tantos tempo de espera este disco é para você!

domingo, 12 de julho de 2015

V.A. "Grito Suburbano" (Punk Rock Discos, 1982/Gravações Sem Qualidade, 1997)


                    O Punk Rock paulistano de nomes tão niilistas quanto às letras de suas canções e à ideologia do movimento anárquico, como Olho Sexo, Cólera e Inocentes, ganhou seu primeiro registro em disco em abril de 1982. O embrião do álbum estava no projeto “Gritos suburbanos” que levava bandas aos bairros da periferia paulistana. O projeto inicial contava com mais duas bandas, M-19 e Anarkólatras, que pode desentendimentos internos acabaram fora do álbum.

              O LP "Grito suburbano" foi gravado no estúdio da gravadora Continental, o Gravodisc, e lançado pelo selo Punk Rock Discos, propriedade de Fábio Sampaio, vocalista do Olho Seco. O selo surgiu da loja Punk Rock que Fábio mantinha desde 1980 nas Grandes Galerias, na rua 24 de maio no centro velho de São Paulo. Naquele momento, a galeria, depois conhecida como Galeria do Rock, tinha apenas três lojas de discos, Baratos Afins, Wop Bop e Grilo Falante, destas, apenas a última não assumiu-se também como selo independente.

                 Das três bandas, o Olho Seco certamente é mais agressiva, mais próxima do lado mais sujo do punk rock, mais para Discharge, Doom e de bandas finlandesas que depois chegariam ao Brasil por intermédio dos selos Punk Rock Discos e New Face Records. Para a época, o Olho Seco era a banda mais atualizada com o que acontecia internacionalmente no punk rock, então subdividido entre um inquietante e experimental pós-punk e o lado mais extremo, o hardcore.

                 O Inocentes mostra maior conhecimento de melodia e soa próximo às matrizes inglesas do punk rock de 1977. Inclusive com possíveis primeiros “sucessos” do punk rock nacional, tais como “Garotos do subúrbio”, “Medo de morrer” e “Pânico em SP”. O Cólera fica no meio desta equação, tem a capacidade de compor melodias e arranjos rápidos e agressivos, como o Olho Seco, e de compor letras mais diretas e individuais, como o Inocentes. Tanto que muitas músicas gravadas no “Grito Suburbano” acompanham as bandas até os dias de hoje. “X.O.T.”, do Cólera, é um clássico, assim como “Lutar, matar” e “Castidade”, músicas sempre presentes nas idas e vindas do Olho Seco.
Retirado do encarte da reedição em CD do "Grito Suburbano"

                As edições posteriores de Grito Suburbano ficaram por conta de outras iniciativas de Fábio, em LP pela New Face Records, e em CD pela Gravações Sem Qualidade. A reedição em CD está disponível nos links abaixo, uma edição com bônus das três bandas, a baixa qualidade das gravações, retirados de uma fita cassete gravada no show de lançamento do “Grito suburbano” (em que o Inocentes já contava apenas com os vocais de Clemente. Ariel, o ex-Inocentes, já tinha outra banda, o Desequilíbrio) explica o nome do selo de Fabião para o relançamento digital do seu catálogo.

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Suíte Super Luxo "Entre a piscina e o trampolim" (Rolla Pedra/Alvo, 2014)


                      Depois de oito anos de espera a Suíte Super Luxo chegou ao segundo disco. Tempo mais que suficiente para absorver o primeiro e elogiado álbum “El Toro”.

                        É um disco de rock com uma cara pop, poderia tocar facilmente nas rádios, mas não vai. As letras do vocalista e guitarrista Luc Albano são bastante inspiradas e as músicas mantêm sintonia com o indie rock nacional pós-“Bloco do eu sozinho”, mas menos voltadas a uma redescoberta da MPB. Os melhores momentos do álbum estão na sequência de rocks de “De cara no chão”, “Favas” e “Nada que não vire som” e “Fechou pra balanço”, esta muito bem construída, atualiza o pós-punk dos anos 80 para o novo milênio, ponto alto do disco, assim como os trabalhos de guitarra das excelentes “Fotografia verborrágica quilométrica” e “Vez”.

                         “Entre a piscina e o trampolim” demorou cinco anos para ser gravado, mas não recebeu a mesma boa recepção da estreia. Uma pena, afinal o disco figura entre os bons álbuns do rock nacional dos últimos anos. 

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Trap "Caquinha Supestar à Go-Go" (Abrigo Nuclear/Canibal, 1997)


               “Caquinha superstar à Go-Go” é o nome da película chanchada escatológica do cineasta catarinense Peter Baiestorf, conhecido nome do cinema Gore nacional, autor de clássicos underground como “Monstro Legume do Espaço” e “Vadias do sexo sangrento”. “Caquinha superstar à Go-Go” é obra menos conhecida de Baiestorf, mas a primeira a ter sua trilha sonora lançada em CD.

              Quem conduziu as músicas para foi a banda paulistana Trap, quarteto experimental e de boas informações musicais. A produção gravada em oito canais derrapa em vários momentos, mas lembre-se que este disco é uma trilha sonora, portanto, quase não há letras, e sim gemidos e outros ruídos e outras abstrações. O som é rock, mas com o pêndulo para o rock alternativo. Traz uma versão acústica bem legal para “Someday”, do Snooze, além de duas canções gravadas ao vivo com direito a público e palmas falsas, “Somebody’s soup” e “Go, baby, grow”.

                  A trilha do filme de Baiestorf entra como segundo item na discografia dos paulistanos. O disco recebeu apoio dos selos Abrigo Nuclear Records, braço fonográfico da experiência fanzinesca de Edson Luís de Souza, Canibal Produções, produtora de Peter Baiestorf, e Stopharia Discos, selo do Trap.

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V.A. "A vez do Brasil' (Eldorado, 1993)


                 Os 30 minutos desta coletânea podem ser definidos como a porta de entrada do rock brasileiro para os anos 90. 

                  “A vez do Brasil” era um programa de bandas novas levado ao ar pela rádio 89 FM. A ideia de um disco do programa foi do jornalista/produtor Carlos Eduardo Miranda, figura central na irradiação do rock alternativo nacional da primeira metade dos 90’s.

Divulgação. Publicado naa Revista Bizz, edição 100, dezembro de 1993
                                                                                                                                                                                                                                                                                     O compilado traz cinco bandas, três paulistanas, uma de Brasília/DF e outra de Porto Alegre/RS, formadas em tempos distintos, algumas ainda com a data de fundação marcada na década anterior. Algumas tinham uma estética de som e postura absolutamente novas - ma non tropo. Outras reverenciavam os anos 70 e negavam a década anterior do rock brasileiro.
                    O Little Quail and the Mad Birds não tinha nada de novo no som, mas tinha energia de sobra, algo necessário para galgar espaço nos anos 90 que se anunciava em 1993. As duas canções do Little Quail em “A vez do Brasil” se tornaram hits da banda, “Aquela” e “1, 2, 3, 4”, esta de tão simples e ingênua beira a genialidade.
               
                 A Graforréia Xilarmônica é a melhor banda do compilado, “Eu” tem arranjo inspirado e nos apresentou o melhor trabalho de guitarra dos anos 90, obra dividida do Carlo Pianta.


                  O Pitbulls on Crack peca pela falta de originalidade, tudo é derivativo de Led Zeppelin e reminiscências setentistas, tudo o que não precisávamos naquele momento. Nos anos seguintes chegaram com pompa ao primeiro disco e encerraram atividades sem alarde. Outros dois nomes passaram despercebidos: Rip Monsters e Neandhertal, duas bandas bastante próximas em sua proposta de hard/heavy metal com letras em inglês, sendo que a segunda trazia como frontman o ex-RPM Paulo "PA" Pagni.                                              
                    O disco revelou duas bandas para selo Banguela, criado no ano seguinte. Na verdade, “A vez do Brasil” funcionou como um “pau-de-sebo” para a formação do Banguela, oportunidade bem aproveitada pelo produtor Miranda. O Raimundos era uma das bandas cotadas para participar desta coletânea, o que só não ocorreu porque a banda já havia assinado contrato com a Warner.

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sábado, 11 de julho de 2015

Plato Divorak & Os Exciters (Krakatoa Records, 2011)



                  Plato Divorak é um herói do rock! Sim, ele pode te salvar, mas não pense que você vai sair ileso aos super poderes lisérgicos deste gaúcho cultuado por muitos, conhecido por outros, mas ouvido por poucos. Plato tem uma quantidade imprecisa de discos, já tocou muito e registrou seus trabalhos de tantas formas que a organização de sua discografia merecia o trabalho de um pesquisador atento. Montou e desmontou bandas, lançou demo tapes, participou de coletâneas, fez parcerias e assumiu a condição de ídolo pop do underground. Tão curiosa quanto sua figura british-hippie-chinelão é sua devoção ao rock’n’roll.

                Na abertura do disco Plato apresenta sua melhor representação, em “Eu sou um ídolo pop” assume a persona fictícia de Paul McCartney, mas vai além, erra a dose do LSD e se vê num espelho, também falso, como um beatle, porém bonito, atributo fácil para galantear as jovens. As letras são do Plato, também autor de parte dos arranjos, outras têm a participação do guitarrista Leonardo Bonfim.  A banda é matadora e a crueza gravação mostra isso.

               “Casal beat” é um mod dos bons, rápida, com baixo pulsante, backing vocals e dá-lhe gritos. O mesmo vale para “Harmonix: o pior planeta”, os efeitos de flanger conduzem Plato numa viagem intergaláctica entre boletas e Fanta. “Maquiagem tropicalista” é o que o The Who faria se visitasse a Bahia, local que excita a inspiração imagética de Plato. “A dança do Exciter”, também gravada em compacto pelo Rock Rocket, é outro mod até a medula. “Úrsula” também segue a mesma linha e tem a letra mais surreal do álbum.

                  “Many years young” é uma balada stoneana de arranjo muito bem cuidado com sopros e piano. Um das melhores do disco. Os sopros também esquentam a urgente “A Pow of trainta”. “Canção de amor” quebra a urgência do disco com seus tons bucólicos, flauta, violão, e sim, realmente Plato fez uma canção de amor, não traz a pessoa de volta a mulher amada, mas dá uma trégua ao disco que vem abaixo de novo com “Sonâmbulos da Motor-Magic”, parceria com Frank Jorge, meio bubblegum, meio Jovem Guarda.

                 “Jacqueline dos theatros” beira à condição de hit do disco, carregada de groove afiado entre a Jovem Guarda e o Kraut Rock. Como as demais boas canções do disco, sempre descamba para uma fritação. “Puressence oscillator” segue pelos trilhos sem rumo do Kraut Rock e lembra os bons momentos do Can. “Baby Denmark” fecha o disco da melhor forma, afinal ocupa até o último segundo que a mídia permite, quase quarenta minutos de ruídos e barulhos no estúdio de Thomas Dreher.

                 Um álbum bastante inspirado e que demorou cinco anos para ser lançado, se não demorasse não seria do Plato. A tiragem é pequena, estima-se que menos de 300 unidades foram feitas. O CD é caseiro, mas é um CDr caprichado com artes de Diego Medina que ilustram a capa e encarte, lançado pelo próprio selo de Plato, a Krakatoa Records. Tem pouco, mas ainda tem. Corra atrás antes que acabe!

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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Daizy Down (Heavy Metal Rock/Rock Machine, 1993)


                   Das bandas brasileiras que cantavam em inglês, na primeira metade dos anos 90, podemos subdividir alguns escalões: as que transitavam dos zines para as páginas dedicadas às bandas novas nas revistas especializadas, e as bandas que ainda buscavam ter seu release ou foto publicada pelo fanzine da cidade vizinha. O Daizy Down se enquadra mais no segundo elemento de análise, contudo almejou uma condição considerável após o lançamento de seu primeiro disco.

                      O trio surgiu em 1987, em São José dos Campos/SP e gravou seu primeiro disco seis anos depois. Um trabalho que se ainda não denota amadurecimento, pelo menos tirou a banda do anonimato. Algumas músicas tem uma sujeirinha grunge da época, "So deep" e "No...". Noutras os vocais puxados para o hard rock datam o disco ao atraso, "Daizy Down, "Unknown" e "My illusion", trazem a lembrança aquelas bandas horríveis de metal farofa dos anos 80.

                  A produção de Marco Matolli, proprietário do estúdio Big Bang, e do baixista e vocalista Toninho Ribeiro, autor de todas as letras, cuidou do peso das guitarras, se esta era realmente a característica do Daizy Down, o objetivo foi concluído com êxito. O álbum tem um projeto gráfico bastante eficiente e foi lançado numa parceria do selo Heavy Metal Rock, de Americana/SP, e da loja de discos Rock Machine, da capital paulista.

                 O LP teve uma boa repercussão na época e foi bem distribuído. Com este álbum o Daizy Down se apresentou em eventos históricos, como o segundo Juntatribo e o BHRIF, ambos em 1994. Lançaram um segundo álbum, "Insane dreams", em 1995, e encerraram atividades. Retornaram timidamente em 2000, quando participaram da coletânea "Airplane off Noise Vol. 2", que reunia bandas do Vale do Paraíba. Nesta época parte do trio também ocupava postos no Vermelho 40, outra conhecida banda do Vale do Paraíba, mas bem diferente do Daiizy Down.

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