terça-feira, 31 de março de 2015

Bolores "...É um bosta, mas é de coração!" (Independente, 2015)


             Depois de dois EPs tão raros, que devem ter sido distribuídos apenas no bairro da Palmeirinha, em Ponta Grossa/PR, o Bolores nos presenteia com seu primeiro álbum completo. Um petardo rápido como todo bom punk rock deve ser. O disco traz 15 pedradas em quase meia hora de duração. Uma execução rápida para ouvir duas vezes sem perder a diversão.
Foto:  José Tramontin (Zé do Mijo)

              As letras trazem recados bem mandados aos representantes de todas instituições, como em "Meu amigo padre" e "Diversão de militar". Também garantem a diversão com "Cola ou escola?", "Infecção hospitalar" e "Tô de saco cheio", na verdade estas letras são felizes, mas a interpretação é cômica. "Filho do lixo" está aprovada para se ouvir no almoço de domingo com a família. Deixe a faixa bônus rolar se tiver sobremesa.

          Lançado por conta própria, sem selo, suporte financeiro ou código de barra, "... É uma bosta, mas é de coração!" traz capa com arte de Everton Punk e James "Sádico" Robson.

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segunda-feira, 30 de março de 2015

Último Número "Strip-tease da alma" (Câmbio Negro, 1987)


            O Último Número surgiu em 1985 numa Belo Horizonte em ebulição. A cidade despontava como um dos bons celeiros do rock brasileiro, principalmente em sua vertente metal, e também mantinha outras cenas de bandas de rock com letras em português e mais envolvidas com o rock brasileiro da época, tais como o Sexo Explícito, Divergência Socialista e o Último Número.

Bizz, ed. 24, julho de 1987
            "Strip-tease da alma" é o primeiro disco do quarteto. Um álbum bastante cru estética e sonoramente. Nas letras o vocalista Gato Jair descarregada de poesia byronista, algo entre Rimbaud e Augusto dos Anjos, ouça "Animal sentimental" e o "hit" "O tempo dos assassinos", que funcionam perfeitamente com os arranjos sombrios, gótico por vezes, criados pelo guitarrista João Daniel. As canções trazem imagens urbanas e noturnas, como em "Dama da noite", que abre o disco. O blues "Strip-tease da alma" fecha o LP. "Ars longa vita brevis" foi regravada no segundo disco, "Filme", de 1989. 

                  Gravado em oito canais  no estúdio JG, um dos primeiros estúdios dedicados à gravação de sons heavy e extremos do metal, "Strip tease da alma" demorou mais de um ao entre gravação e lançamento. O disco saiu pelo selo e loja de discos Câmbio Negro, de BH, o selo também pôs no mercado o segundo álbum da banda. A tiragem de vinil não teve reedição em nenhum formato.

           Com este disco a banda tocou em outras capitais e se tornou um nome bastante conhecido. A capa traz uma ilustração do guitarrista João Daniel. João saiu da banda logo após o lançamento do disco, continuou tocando em sua outra banda, o Sexo Explícito, e nos anos 90 obteve reconhecimento público como guitarrista e mentor do Pato Fu


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domingo, 29 de março de 2015

V.A. "Contra Ataque" (Ataque Frontal, 1988)


              Na segunda metade dos anos 80 o punk rock nacional vivia uma outra fase. Boa parte da primeira geração de bandas já havia encerrado atividades ou então enveredado por outros caminhos. Coube ao selo Ataque Frontal buscar as novas bandas, principalmente na capital paulista, para registrar a quarta coletânea em vinil dedicada ao gênero.

 
Bizz, edição 37, agosto de 1988
         A fórmula usada foi a mesma que deu origem ao disco "Ataque Sonoro", de 1985, convidar bandas que ainda não haviam chegado ao primeiro  disco, contudo "Contra Ataque" traz menos bandas que a coletânea anterior. Dos sete nomes presentes, apenas o Olho Seco já havia gravado LP, as demais ainda buscavam espaços e mesmo assim, muitas chegaram ao fim sem ver o primeiro disco completo.

           A coletânea traz duas músicas para cada banda e abre com o punk rock do Republika, passa pelo hardcore protesto do Skarnio e pelo groove punk do Indecisus.

           O Não Religião é um dos destaques do disco, não é por menos que foi a banda que melhor se deu após o lançamento do álbum. O Olho Seco desfila uma desgraceira curta em "Erupção" e "Campos da morte", beiram o noise core. Pupilas Dilatadas, de Porto Alegre/RS, é a unica banda de fora da capital paulista presente na coletânea. O álbum fecha com o punk rock d'Os Laranjas.
  
              A produção do disco coube aos trabalhos técnicos do Clemente. O projeto gráfico traz uma bela capa cujo autor segue desconhecido pela ficha técnica. "Contra ataque" teve uma boa repercussão e aguarda reedição!

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Divine "Souvenir" (Monstro Discos, 2000)


         "Souvenir" é o último registro do quinteto brasiliense Divine, uma das bandas mais conhecidas do underground brasileiro dos anos 90. O EP de quatro músicas leva um título bastante apropriado, pois é realmente ou souvenir para quem já teve a sorte de ter seus ouvidos perpassados pelo som da banda.

                 O compacto lançado pelo selo Monstro Discos mal ultrapassa os 10 minutos de duração, tempo suficiente para o Divine desfilar sua veia pop em canções de títulos com nomes femininos, como bubblegum "Chloe", o pop garageiro "Rita" e o pop punk de "Emanuelle" e o popsicodélico "Rita", que fecha "Souvernir".

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Binário (Far Out Recordings/Bolacha Discos, 2008)



             O Binário surgiu na capital do Rio de Janeiro com a proposta de fazer música experimental e ao mesmo tempo trabalhar elementos de uma "linha evolutiva da MPB". As referências estão dispostas entre nomes do post rock e do pop experimental.

                Este EP, um SMD com apenas quatro músicas distribuídas em quase 20 minutos, é o segundo registro do quarteto. O álbum abre com guitarras ruidosas em "Amor líquido", passa pela instrumental "Funeral", volta as vozes com a estupenda releitura post rock para "É tarde demais", clássico do pagode concebido pelo Raça Negra.

               Lançado pelo selo inglês Far Out Recordings, especializado em música brasileira, o EP teve distribuição nacional pela Bolacha Discos. O valor sugerido de r$5 estampa o canto superior esquerdo da capa, uma pena que o disco tenha sido mal distribuído, tão difícil de achar por aqui que justifica o quase desconhecimento público do trabalho do Binário.

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Jards Macalé "Real Grandeza" (Biscoito fino, 2005)


               A virada do milênio marcou a fase de maior produção discográfica de Jards Macalé. Se entre as décadas de 80 e 90 o músico carioca esteve relegado a um ostracismo involuntário, próprio a sua condição também involuntária de maldito da MPB, foi a partir dos anos 2000 que viu sua obra ganhar um novo público e que gerou discos e maior frequência nos palcos.

                 "Real Grandeza" é o décimo disco de Jards, um álbum que faz um apanhado das parcerias de Jards com o poeta, tradutor, ator, diretor e amigo Waly Salomão (1943-2003). É a voz de Waly que abre o disco com a narrando versos libertários em "Olho de lince". Em "Rua Real Grandeza" Jards violenta seu violão e ganha o ouvinte ao mostrar seu modo mais característico de cantar e tocar.

                  O álbum homenageia Waly e traz convidados especiais. Maria Bethânia emociona em "Berceuse crioulle". Adriana Calcanhoto e Jards dividem a lindíssima "Anjo exterminado", um samba sobre amor tão desesperado que chega a ser cômico. "Negra melodia" é um legítimo reggae brasileiro, sim e dos bons, melhor ainda com a participação de Luiz Melodia e da banda formada por Kassin, Pedro Sá e Domênico Lancelotti. A versão trip hop de "Vapor barato" feita pelo Vulgue Tostói na metade dos anos 90 permaneceu a mesma, agora com a adição da voz de Jards. Em pensar que este grande sucesso da parceria Jards & Waly foi considerada por este como subliterária. Frejat cuidou da produção de "Mal secreto" e quase pôs tudo a perder, não fosse o arranjo voltar ao rock lá pela metade da canção.

                     "Real Grandeza" foi o primeiro disco de Jards Macalé pelo selo carioca Biscoito Fino, casa de nomes consagrados da MPB e que então se viam quase marginalizados dentro das grandes gravadoras. O projeto gráfico do veterano Cafi traz fotos dos participantes e do homenageado, como a que ilustra a capa do álbum.
  
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terça-feira, 24 de março de 2015

Mercenárias "Cadê as Armas?" (Baratos Afins, 1986)


              O 25º lançamento da Baratos Afins é um dos campeões de vendas do selo paulistano. A estreia do quarteto Mercenárias vendeu sua tiragem inicial de mil cópias em menos de um mês. "Cadê as armas?" seguiu o caminho conhecido dos bons discos independentes brasileiros: bem recebido pela crítica, mal divulgado e ignorado pelas rádios. Numa reportagem sobre o disco, publicada na revista Bizz, a banda constatava o embuste da sobrevivência artística no underground:

"Não há como sobreviver num esquema alternativo no Brasil se você não tem recursos para bancar-se o tempo todo". Sandra Coutinho completa com uma desmistificadora visão do esquema alternativo: "Quando se é independente as concessões nos preços de shows e a dependência financeira sãos enormes". E, portanto, "a gente vai (sic) conquistar a independência numa grande gravadora". No raciocínio de Sandra, a gravadora representa a possibilidade de ter acesso à infraestrutura para o trabalho ir para frente (...) "o que dá mais tranquilidade é ter feito um disco que a gente sabe que irá pra frente (...) o que dá mais tranquilidade é ter feito um disco que irá para as lojas", diz Ana, guitarrista"

       Pela citação acima é perceptível o sentimento de frustração d'As Mercenárias com todo o meio independente em que estiveram envolvidas até o contrato para o segundo disco. Sobre "Trashland" lançado pela EMI-Odeon pode-se afirmar que não trouxe tranquilidade para o quarteto. Um mês após o lançamento a EMI-Odeon rompeu o contrato com o quarteto. O disco teve péssima distribuição e consequentemente uma venda catastrófica, no mesmo ano de 1989 descontente as garotas encerraram atividades pela primeira vez.

          Entretanto, as intempéries não ofuscam a bela e curta discografia. Sobre "Cadê as armas?" pode se afirmar sem medo de que se trata de um dos melhores discos de punk rock nacional. Canções rápidas,, tanto na duração quanto na velocidade de execução. O disco abre com "Me perco", uma pedrada regravada pelo Ira! no disco "7", de 1998. "Polícia" e "Santa igreja" são outros destaques, pouco tempo depois do lançamento os mesmos temas surgiriam em duas canções do disco "Cabeça dinossauro", do Titãs. Alçadas à condição de hit do disco mais rock do então octeto paulistano lançaram sombras sobre as canções da Mercenárias que abordavam o mesmo tema e de mais pungente.
Revista Roll, edição 38

           Quando desaceleram se embrenham no pós-punk, mais paulistano do que inglês, como em "Imagem" e nas batidas quebradas de "Loucos sentimentos", esta sob vocais narrados de Rosália. As letras são ótimas e anteciparam em uma década o movimento riot grrl, o que pode ser um tanto óbvio por se tratar de uma banda de garotas, mas os temas que retratam opressões do estado e instituições tradicionais estão lá.

        "Cadê as armas?" traz participações especiais de Vange Leonel (1963-2014), João Gordo, Peter Price e Edgard Scandurra. O projeto gráfico é muito caprichado, com fotos de Rui Mendes e arte de Michel Spitale sobre recorte de uma nota de 500 cruzeiros (ou seriam cruzados?). "Cadê as armas?" foi relançado em CD na segunda metade da década de 90, acrescido de três faixas bônus gravadas ao vivo capturam uma banda raivosa, esta edição pode ser conferida logo abaixo.

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sexta-feira, 6 de março de 2015

Júpiter Maçã "A sétima efervescência" (Antídoto, 1997)


              Enquanto permaneceu no Cascavelletes Flávio Basso compunha essencialmente rock'n'roll, muitas canções rápidas num misto de rockabilly com guitarras surf, levadas meio punk-psychobilly, blues e um bocado de rock inglês sessentista. Alcançou um sucesso popular com "Nega Bombom" e viu sua banda influenciar muitas outras antes de se dedicar a carreira solo. Em 1995, acompanhado dos matogrossenses do Pereiras Azuiz, registrou uma demo tape com boa parte do repertório que daria origem a um dos discos mais cultuados do anos 90, este "A sétima efervescência".

           Com uma produção caprichada e arranjos mirabolantes o rock gaúcho mostrou sua cara mais chapada, altamente psicodélica. Os primeiros segundos do disco, que antecedem "Lugar do caralho", são um boa síntese do álbum todo. Uma passagem bucólica e lisérgica criada sobre ruídos de fitas ao contrário que casam bem com a foto da contracapa, com Flávio, agora Júpiter, com flores de plástico ao lado de um anão de jardim.

          Em "Lugar do caralho" a viagem começa. Sixtie safado que te chama em busca de cerveja barata, LSD, Syd Barret e os Beatles. O erro no uso do pronome pessoal - "pra mim dançar..." -  foi corrigido quando a canção entrou na trilha do filme "Wood & Stock". Em "As tortas e as cucas" um burro psicodélico sobe no lombo do dromedário folk e vaga sozinho dentro do guarda roupa. Calma foi tudo um sonho. Não, é que agora bateu mesmo. A viagem segue.

Showbizz, ed. 150, abril de 1998
          "Quem é Mr. Frog? O que é que ele faz?". Não sei, mas me dá metade do seu micro-ponto. "Eu e minha ex" é uma Tragical Mistery Tour. A orquestra elaborada pelo Marcelo Birck e os lá-lá-lás podem te levar para alguma felicidade forjada, na verdade você precisa de um tempo para pensar e respirar. Depois vai ver que foi uma merda bater um papo com aquela tua ex-namorada e sacar que ela consegue viver sem você.

           Uma harmônica corre gritando aos ouvidos "Eu só fodo com você nesta fase atual da vida que eu tô levando", mas e quanto às outras que me querem? Há uma dúvida existencial quanto à afetividade que paira sob o álbum. A necessidade de ter certezas é proporcional ao assédio de todas as crises. Enquanto isso o pau come. "Walter Victor" conhece todas as boletas, e já foi revisitado pelo Thunderbird numa reencarnação d'Os Devotos de Nossa Senhora de Aparecida.

           A segunda metade do disco é uma espiral que deságua na tua cama, ali tem outro punhado das melhores canções de Júpiter/Flávio. O Ira! surrupiou "Miss lexotan 6 mg garota" e a transformou num quase hit do difícil "Você não sabe quem eu sou" (Paradoxx, 1998). "Essência interior" retoma parte da vontade de ser dois e estar só, agora mais consciente e dolorido. "The freaking Alice (Hippie under groove)" é um convite para uma caminhada longa pelo pasto depois da chuva purificadora, lembrou Rita Lee jururu atrás dos cogumelos. "A 7ª efervescência intergaláctica" desacelera a frequência e lança flash back rápidos do que foram estes 63 minutos.

           O álbum foi lançado pelo selo Antídoto no começo de 1997 e no final do ano ganhou nova prensagem e distribuição nacional pela Polygram. O disco foi bastante elogiado, mas muitos não compreenderam a viagem, como a resenha da Bizz atesta. O que não quer dizer que outros veículos especializados tenham tido a mesma reação, as revistas Dynamite, Rock Press, e o jornal Estado de S. Paulo rasgaram elogios ao álbum. 


Rock Press, ed. 15, agosto de 1998
        Pra cair na estrada Flávio/Júpiter formou um novo trio, que no álbum contou com os irmãos Emerson e Glauco Caruso e ao vivo trouxe Marcelo Gross (bateria) e Julio Cascaes (baixo), e viajou para São Paulo, tocou em festivais importantes como Expo Alternative 98 e Abril Pro Rock. Pouco tempo depois Júpiter já se distanciava do som de "A sétima efervescência" e compunha com novas referências, letras em inglês e francês, e adicionava outros elementos no seu som, entre a Bossa Nova e o Stereolab. E um novo sobrenome, Apple.

         Hoje, beirando os 20 anos, "A sétima efervescência" é visto como um dos principais álbuns do rock brasileiro dos anos 90, entra fácil na lista com os melhores discos do rock psicodélico nacional, até porque não tem pares.
                                                         Aguarda reedição urgente!
  
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Eterno Grito (Toc Discos, 1988)


           O Eterno Grito surgiu em 1986 na capital carioca. Com uma sonoridade sombria, resquícios góticos nas letras e sonoridade pós-punk, ainda que acessível, Echo & Yhe Bunnymen é uma referência explícita. Gravaram uma demo tape em 1987 que caiu na programação da Fluminense FM e abriu espaço para que a banda registrasse novas composições, agora com o objetivo de lançar seu primeiro álbum.
  
              Em 1988 saiu este mini-LP com seis canções, todas composições próprias e de títulos diretos, reduzidos a apenas uma palavra. "Archote" abre o disco e poderia render um hit ao Eterno Grito. A levada lenta de "Silêncio" cria um clima angustiante ao disco preenchida com a sorumbática e ruidosa "Amor". Em "Fumaças" a interpretação de Fernando Newlands beira o lado mais pop do disco. "The Sin" é a única com letra em inglês. Todas as legras são de Fabio Leopoldino (1963-2009), ora em parceria com outros integrantes ora sozinho. 



               Produzido por Mauricio Barros, tecladista e um dos fundadores do Barão Vermelho, a estreia do Eterno Grito também foi a estreia do selo carioca Toc Discos, que em sua curta trajetória e um catalogo de nove discos, teve apenas o Eterno Grito como representante do rock brasileiro. Os demais discos foram lançamentos nacionais de rock progressivo, Focus, Eloy e Jethro Tull, além do jazzístico Marcio Montarroyos. O Eterno Grito durou pouco após lançar seu primeiro registro, dois anos depois Leopoldino e o baixista Francisco Kraus surgiram com uma nova banda, o Second Come.  

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quinta-feira, 5 de março de 2015

Mukeka Di Rato "Pasqualin na terra do Xupa-Kabra" (RVC/Läjä, 1997)


               O Mukeka di Rato se deu muito bem com seu primeiro disco. Antes haviam registrado duas demo tapes que mostraram uma face diferente do hardcore brasileiro. As letras de protesto permaneciam, mas agora pareciam revestidas de um humor corrosivo, somados ao vocal berrado de Sandro e a execução rápida, mais para escola do hardcore norte-americano, Circle Jerks, FYP e Toys That Kill, as duas últimas lançadas pela Läjä, selo do baixista Mozine e casa de mais de 100 bandas de hardcore de todo o mundo.

Dynamite, out/dez de 1998
              "Pasqualin na terra do Xupa-Kabra" é um clássico instantâneo. 24 canções rápidas, petardos que não ultrapassam os dois minutos de duração, e excelentes letras, conscientes e divertidas, como "Auxílio paletó", "Minha escolinha", "New Wave índio", "Rambo quer matar Che Guevara"o reggae/HC gospel "Deturpação divina" e o ska "Mék Câncer Feliz".

                     O álbum foi gravado em Brasília e lançado pelo selo RVC Music, logo teve sua tiragem inicial esgotada. Nos anos seguintes o disco foi relançado pela Läjä e ganhou sucessivas reedições, incluída uma edição em CD e vinil, com uma nova capa, arte de Alex Vieira sob a imagem do palhaço Pasqualin da arte original.

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