sábado, 31 de janeiro de 2015

V.A. "Doomsday" (Berlin Records, 1995)


                       Para o seu segundo lançamento o selo brasiliense Berlin Records preparou uma coletânea em CD com dez bandas que naqueles anos batalhavam espaços para shows e conquistavam um pequeno publico através da venda de demo tapes. Assim surgiu "Doomsday" uma mostra do rock do cerrado naquela metade de anos 90.

                   O disco é irregular, as bandas não ajudam e pouca coisa se salva. Na maioria dos casos falta uma identidade às bandas, ora o som é muito derivado de suas próprias influências, ora a falta de maturidade de composições não fazem as canções saírem do mesmo estado de fragilidade, tanto nas letras quanto nos temas, o que também transparece na construção dos arranjos e execução. A distribuição do tempo é desequilibrada. Enquanto o Last Rites participa com duas canções, o Platina Forever comparece com cinco temas próprios.

              Entretanto, vale destacar algumas bandas e canções, tais como o blues de "Bringing back" do Rumblefish. O pós-punk inglês d'Os Políbias. O clima soturno d'Os Animais dos Espelhos, certamente a melhor banda de "Doomsday". A vocação para criar sons carregados de  brasilidade do Parafusê. A diversão sem noção do Futum, que teve o disparate de fazer uma música contra um pobre Bem-te-vi, "Ô passarinho chato!" além de outras coisas pretensamente engraçadinhas (só ouça uma vez).

                Dos piores momentos vale citar a falta de personalidade do som do Jukes, a única banda de Goiânia/GO a entrar em "Doomsday" e que se destacava na época como bons distribuidores de demo tapes. As tentativas pop punks do Tenente Mostarda, curiosamente a única banda que despontou da coletânea, afinal foram convidados para outra seleção, a "Brasil compacto" da gravadora Rockit! O hard rock chato de canções longas do Last Rites. A tosquêra irrestrita do Platina Forever e a psicodelia de luau d'Os Espíritos Zombeteiros, ótimo nome, péssimas músicas.

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Againe "Sem açúcar" (Submarine Records, 2000)


                  Uma das principais bandas do hardcore brasileiro dos anos 90, o Againe combinava influencias de bandas aparentemente dispares como Napalm Death e Cap'n Jazz e não abria mão de inserir em suas letras referências à sambas antigos e o que mais lhes coubessem em sua melodias quebradas e harmonias dissonantes.

                  Este EP no formato vinil de sete polegadas é o quarto lançamento do Againe - contando com dois CDs e um CD split dividido com os argentinos lo-fi do Eau Bouili et Poison - e antecedeu a pausa que a banda deu na entrada do novo milênio. Abre com "Só diz não sei", passa pelo hit "Para um homem", cujo vídeo clipe podia ser conferido com frequência em meio da programação do programa Fúria da MTV Brasil. "Não deu" traz letra com citações a Jorge Ben e Ismael Silva.

              Lançado pelo selo mineiro Submarine Records o disco teve pouca divulgação, muito por conta das atividade esporádicas do Againe a partir de 2000.

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

MQN "Hellburst" (Monstro Discos, 2002)


                 Alçada a condição de principal nome do Stoner Rock brasileiro, antes mesmo de chegar ao primeiro disco, o MQN apresentou um bom resultado em "Hellburst", seu celebrado álbum de estreia.

                Entre o primeiro EP, "Television in full colour" de 1998, e "Hellburst" o MQN lançou três compactos, contando com o split "Hot Rod Music", dividido com o Thee Butchers'  Orchestra. Os compactos caprichados foram lançados pela seu próprio selo, a Monstro Discos, selo responsável pelo êxito do MQN e pela formação de um novo cenário de rock brasileiro independente na transição para o novo milênio,

              "Hellburst" traz 11 canções energéticas e que se encaixam naquele rótulo que a imprensa adotou para o quarteto, o tal do Stoner Rock tão em voga na primeira metade dos 00's, com o "estouro" do Queens of the Stone Age e o redescobrimento de bandas que abusavam dos riffs secos de guitarra somados à bateria marcada, modorrenta e pesada e o baixo pulsante. 


Revista Frente, edição 02
               O som do MQN é mais ou menos assim, porém mais acelerado e portanto,mais festeiro. Mais álcool do que peiote. O vocal de Fabrício Nobre foge um pouco ao estilo, por ser mais melódico e carregado de sotaque goiano - as letras são todas em inglês. Contém "hits" como as ótimas "Devil Woman", "You ain't got nothing (Stop foolin' around)" e "A car goes fast", além de outros bons pedradas como "Clubs & Drugs", "Stoned" e "Surfing", esta com participação do teremim assumido por Coco, baixista do Man or Astro-man?, quarteto norte-americano que convidou o MQN para gravar nos Estados Unidos. E eles foram, gravaram e tocaram, uma peripécia rara para uma banda independente brasileira.

      O álbum teve uma excelente repercussão, frequentou a lista dos melhores discos daquele ano e recebeu resenhas em praticamente todos os veículos de mídia impressa. As primeiras edições de "Hellburst" traziam um patch de brinde, o mesmo que ilustra a capa do disco. ainda pode ser adquirido na loja virtual da Monstro Discos.

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

V.A. "Guitar" (+Mais Records, 1997)


                Mais uma coletânea de bandas de Curitiba dos anos 90. Mas esta é diferente, pois tenta reunir a maior quantidade de bandas dedicadas ao som guitar. Uma tarefa não tão difícil, afinal, para selecionar guitar bands em Curitiba basta excluir umas bandas dedicadas ao psychobilly, outras tantas da parte metal e mais umas de punk/hardcore e pronto, chegamos a um bom número de guitar bands.
      
             O método de exclusão descrito acima não vale. Afinal "Guitar" não consegue se prender apenas às guitar bands, ainda que estas representem mais de 90% do disco. Aqui quase todas as gravações tem qualidade de demo tapes, afinal é de onde os fonogramas foram retirados, poucas destas bandas chegaram ao primeiro registro completo. O tempo da coletânea foi bem aproveitado, 70 minutos preenchidos com 12 bandas, duas musicas para cada.

         "Guitar" abre com uma das boas bandas da última safra de guitar bands curitibanas dos anos 90, o Swamps mostra quase tudo o que define o som guitar brasileiro, letras em inglês, baixo em volume alto, viradas de bateria e pratos sibilando enquanto um ruído de guitarra prepara o fundo sonoro. "Catch me" é um quase hit do Swamps. Outras boas chamam a atenção, o Bloom acelera e se dá bem com "Ana. O Tods apresenta dois melhores da coletânea com "Everything" e "Go go go".

          UV Ray certamente é a melhor banda do disco. "Sugar face" entra fácil numa coletânea das coletâneas de guitar bands brasileiras (mais uma?). Em "Railway children" as coisas acontecem ao fundo, desde o barulho de alguém tragando um cigarro, até o violão bem colocado. A qualidade das gravações salta aos ouvidos e fica difícil para as outras bandas superarem o UV Ray. O Whir é bastante melodioso, a única banda a trazer três faixas no disco, contando a vinheta "...", ""Dolores theme" é densa beirando um som claustrofóbico.

            No começo de "Mental tank" parece que o Plastic Fish deixou o guitar para cair no terreno do punk rock, mas é só uma introdução longa para uma canção que mais parece uma vinheta. Voltam guitar e melodiosos em ""Flying slowly in the air". O Universo Paralelo é a única banda que arrisca no idioma pátrio, e se dão muito bem, principalmente na parte instrumental na qual violões à MPB dividem espaço com a distorção espacial da guitarra, psicodélico, no minimo. Há também uma balada do Impfrog em "Impfrog the song" e o guitar pop do Marigold em "Rolling on the mud".

Tem banda ruim também. Sempre tem. As daqui estão representadas pelas bandas que fogem do guitar sound. O Dive preenche espaço na coletânea com a suingada "Gol" e se mostram mais entrosadas com o rock brasileiro dos anos 90 em "Dor", não chegam nem perto de uma guitar band. O Playground surge cheio de funk em "Groovin'" com uma letra em inglês pavorosa, mas pelo menos tem uma letra horrenda em inglês como a maioria das outras bandas do compilado. 

              Lançada pelo selo +Mais Records, que também editou outras boas coletâneas do rock curitibano - tais como "Lototol", "Não Estacione" e "Ciclojam" - "Guitar" teve uma boa repercussão com vários shows de lançamento que reuniram um cenário de guitar bands na capital paranaense. O projeto gráfico economizou bastante espaço, mas colocou fotos de todas as bandas, além de todas as letras e ficha técnica.

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Radar Tantã - EP (Independente, 2000)



                O fim do Virna Lisi marcou o nascimento de outro projeto musical dos mineiros Cesar Maurício e Ronaldo Gino, agora acrescido de Gerson Barral, no baixo, e Flavio Garcia, na bateria. 

              Pelas características do novo projeto havia a possibilidade de o Radar Tantã se tornar uma das principais bandas do novo milênio, afinal a banda reunia bons talentos musicais e um compositor inspirado. Em 2000 foi preparada uma "master mix" com cinco canções, as melhores composições da primeira leva de músicas do quarteto. "Na dúvida atire" ganhou um belíssimo vídeo clipe de animação feito por dirigido por Cesar Maurício. "Rol" trazia uma letra inspirada e os pés fincados numa retomada à sensibilidade nas letras do rock brasileiro, é lamentável que tenha chegado a poucos ouvidos. "Naftalina" foi produzida por Edgarg Scandurra e entrou no disco "Entre seus rins", do Ira!.

             O disco, um EP no formato CD de três polegadas, foi lançado de forma independente e em poucas unidades. Depois foram acrescidas mais canções sobre a mesma capa, e uma outra edição concluiu o disco, com nova capa e repertório completo, o que deu origem ao primeiro disco do Radar Tantã, recheado de possíveis hits, mas muitos destes já se faziam presente neste pequeno EP.

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Ultramen (Rockit!, 1997)


               Formada em 1991 o/a Ultramen acumulou anos de janela até chegar ao primeiro disco, tempo suficiente para registrar demo tapes, participar de coletâneas e se firmar como uma das principais bandas gaúchas dos anos 90, antes mesmo de chegar ao primeiro álbum completo.

            Distante das características do rock gaúcho cunhado por seus pares, um pouco mais velhos na idade e experiência, o Ultramen carregava influências novas se comparado as outras formações roqueiras da capital gaúcha, aqui não tem rock inglês, e sim funk, de George Clinton a Tim Maia, além de aberturas para sons rápidos e pesados, como metal e hardcore.

             O disco abre carregado de groove com "Se habituar", que dá uma boa mostra do conteúdo do álbum, guitarras funkeadas, arranjos de percussão caprichados, metais marcando os intervalos e um dos melhores vocalistas dos anos 90, Tonho Crocco, que também assumiu o microfone do D.Fhala, o velho DeFalla sob nova grafia, no disco "Top Hits"

           "Bico de luz" ganhou vídeo clipe e chegou a frequentar as mais pedidas da MTV Brasil, emissora que comprou a ideia do Ultramen e sempre selecionava o sexteto para promoções e outras participações. "Vou a mais de 100" também rendeu um vídeo clipe, esta foi composta em parceria com Pedro Luis e recebeu a participação percussiva d'A Parede.

             Tem funk em "Get funky (with a master plan)" e experimentos instrumentais em "5x1 Ultrafunk", com direito a backing vocals gospel. A parte "hc" esta representada nas pesadas "Duro e selvagem" e "La negrita", que flerta com o ska e também esta presente em versão ao vivo na coletânea do festival curitibano "Leite Quente". Traz metal pesado em "Demônio". Incorpora o Rage Against the Machine em "So now I let you go" e traz metal/Miami bass em "Hip hop beat box com vocal e James Brown".

          O disco foi lançado pelo selo carioca Rockit! e teve uma boa repercussão, principalmente no Rio Grande do Sul, estado que consumiu a maior parte da tiragem inicial do disco. A capa rouba um fragmento de carta do jogo Super Trunfo.

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Sonora Coisa "Lon G" (Patetico Records, 2014)


              Formado em Curitiba/PR em 2010 o trio Sonora Coisa tem os pés fincados nos sons barulhentos das guitarras e nas melodias soterradas. Coisa de quem ouviu muito bandas da Creation, Touch and Go e do underground brasileiro dos anos 90.

                 "Lon G" é o segundo álbum do trio. As músicas soam um tanto experimentais dentro daquilo que se convencionou chamar de guitar. Em pouco mais de 20 minutos, divididos em seis músicas, o trio vai do noise guitar da ótima "Seesaw", cheia de viradas de baterias e levadas quebradas, a momentos mais cadenciados que desaceleram o álbum, como em "Monologue" conduzida por uma escaleta e "By the tide", esta quase uma balada de "Lon G". "Friendship" é uma versão para a canção do The Cigarettes, presente no disco "Bingo".

             "Lon G" foi disponibilizado virtualmente pela banda em 2013 e no ano seguinte atraiu a atenção do selo norte-americano Patetico Records, especializado em sons barulhentos e experimentais. Em breve o EP ganha sua versão física no formato compacto de sete polegadas. 

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Dog School "Blue drink soda" (Monstro Discos, 1999)


              Depois de uma demo tape seguida de shows pelo "circuito" underground paulistano, que lhes rendeu até uma aparição ao vivo no programa Lado B, da MTV Brasil, o quarteto Dog School chegou ao seu primeiro registro. Um simpático EP em formato vinil de sete polegadas na cor branca chamado "Blue drink soda".
Primeiro cartão da Monstro Discos
               
            O disquinho tem quatro canções em pouco mais de 10 minutos. O som é derivativo de bandas do underground norte-americano e brasileiro, notadamente lembra algo que o Pin Ups também fazia, não é para menos, afinal o Dog School contava com outros dois Pin Ups na formação, a guitarrista Elaine e o baterista Flávio.

                "Blue drink soda" saiu pelo selo goiano Monstro Discos. O EP faz parte do primeiro pacote de compactos do selo especializado em compactos caprichados. O Dog School não resistiu muito tempo depois do álbum e se perdeu entre os tesouros perdidos do underground da virada do milênio.

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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

The Gilbertos "Um novo ritmo vai nascer" (Midsummer Madness, 2014)



              O The Gilbertos nos pega desprevenidos. O projeto gestado em solo europeu por Thomas Pappon, há 22 anos, chega ao quarto álbum e com ele uma proposta já desenhada nos discos anteriores: a emergência de um novo ritmo.
                Neste caso, o 'novo ritmo' prometido no título é um caminho que o The Gilbertos trilha desde sua criação e que envolve aspectos menos ortodoxos da MPB e do rock com pesquisas de ritmos folclóricos brasileiros, e que também podem absorver outras influências, até mesmo da música pop. Algo novo vindo de um amálgama tão regional quando cosmopolita. O que nos remete aos trabalhos de Oswald e Mário de Andrade nas primeiras décadas do século XX, com Mário saindo a campo em busca de registros para suas pesquisas folclóricas-etnográficas e Oswald desenvolvendo conceitualmente o manifesto antropofágico que libertou a arte brasileira para chafurdar em sua própria essência.
               "Um novo ritmo vai nascer" é o primeiro álbum do The Gilbertos a ganhar formato físico somente em fita cassete, com tiragem limitada a 108 cópias. O disco também está disponível digitalmente, com direito a faixa bônus.
                  Segue abaixo uma entrevista exclusiva com Thomas Pappon:

[Disco Furado] São Paulo te influencia? Você compõe pensando na cidade?
         [Thomas Pappon] Sim, muito. Todos os quatro álbuns têm músicas ligadas às memorias de São Paulo, ou fazem algum comentário, às vezes poético. É uma cidade que inspira - o Adoniram Barbosa que o diga.

[Disco Furado] "Um novo ritmo vai nascer" tem realmente novo?
             [Thomas Pappon] O 'novo ritmo' a que me refiro é um caminho - estou apontando um caminho que deve ser desbravado para que surja um novo ritmo, nascido de uma 'dança ancestral', que pode ser o samba ou mesmo o rock. A MPB nos anos 70, com a ajuda do rock, desbravava várias trilhas, os caras eram como os bandeirantes, Caetano era um Borba Gato, Gil um Raposo Tavares...e isso acabou no final dos anos 70. A música parou de se aventurar por novos caminhos, pelo menos nos caminhos possíveis apontados pela experimentação com o rock  - que é o que sempre quis fazer, desde o Fellini. Agora faço isso de uma forma um pouco mais consciente e militante.


[Disco Furado] O formato de disco em fita cassete te agrada? 
               [Thomas Pappon] O cassete foi mais uma onda, não estou seriamente apostando num formato de apelo completamente saudosista - pouca gente ouve cassete e duvido que alguém se ligue na qualidade do 'som' do cassete. Quem comprar o cassete vai poder baixar o álbum de graça. O verdadeiro formato do álbum é digital. E está bem difícil de aceitar esta realidade, de ter um álbum num formato praticamente virtual. Acho uma lástima que um álbum tão bacana não saia em vinil ou CD.

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Suíte Minimal "12 temas embalados para viagem" (Inker, 2003)




           O Suíte Minimal surgiu em Curitiba em 1999 com a proposta de fazer um som instrumental, mas com os pés fincados no rock. "12 temas embalados para viagem" é seu único registro, essencialmente instrumental, ainda que guarde algumas inserções vocais bastante tímidas ao longo de pouco mais de meia hora de som.

            O disco abre cheio de groove nas sacolejantes "Toma que o filho é teu", "Against giroflex" e "O cigano que caiu da carroça". O vocal surge em "One more Guiness" e "Go burning bird", ambas com letras em inglês. O funk volta a comer solto da pesada "O homem dos óculos escuros grandes". Os títulos das canções são longos e bastante abstratos, algo em que as bandas instrumentais aproveitam para se divertir. Destaque para o ótimo tema "Meu cérebro está indo embora".

             Lançado pela tentativa de selo da Agência/Booker paulistana Inker. O primeiro disco do quarteto foi o primeiro lançamento do selo, junto com o primeiro disco completo do PB. A produção é da própria banda e a masterização ficou a cargo de Clayton Martin e seu estúdio Submarino.

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sábado, 3 de janeiro de 2015

Biggs "Wishful thinking" (Gig Records, 2001)


                O primeiro disco do trio de Sorocaba/SP relacionou o Biggs dentre as bandas do "movimento" Grrrl Riot brasileiro. Entretanto, não apenas meninas fazem parte do Biggs, com Flávia e Janaína à frente, somadas a bateria de Brown, ex-Jack Navarro.

                 Nos primeiros anos do novo milênio pipocavam no underground nacional bandas formadas apenas por garotas, notadamente influenciadas pelas mesmas bandas punks que abasteciam de ideias as bandas de garotos. Não houve um movimento grrl riot, mas as bandas criadas pelas garotas acabavam se conhecendo e consequentemente se apoiavam mutuamente. O Biggs se tornou uma das mais conhecidas.

             "Wishful thinking" tem 13 canções próprias, curtas e com letras em inglês. Estas alternam momentos mais punk, "Fake kiss", "Yesterday song" e "My home",  com canções mais associadas com o rock alternativo norte-americano dos anos 90, "Password", "Disposable" e "Doubts".

             O álbum lançado pelo selo Gig Records, de Marília/SP, foi muito bem recebido pelo público, o que permitiu ao Biggs tocar em festivais e outras cidades. Havia até a possibilidade do trio buscar um público internacional, quando os amigos conterrâneos do Wry partiram para a Inglaterra, mas o Biggs que preferiu ficar.

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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

X-Rated "Daresafesexdisorder" (Polvo Discos, 1993)


                    O quarteto carioca X-Rated surgiu em 1989 com uma proposta bastante definida, ser uma banda de hard rock. Formada por remanescentes da primeira fase do som pesado no Rio de Janeiro - que deu bandas importantes como Dorsal Atlântica,, Metalmorphosis, Azul Limão, entre outras -, a banda tinha entre seus integrantes o vocalista Lucky Lizard, ex-vocalista da banda de Robertinho de Recife na fase "Metal mania", o guitarrista Mark D.B, ex Azul Limão, e o baterista André Chamon, ex-Stress, lendária banda de heavy metal de Belém/PA.

                         Depois de uma boa estreia, pelo selo Heavy em 1990, com o álbum "Shaking like a bad machine", o X-Rated acumulou elogios e se tornou o principal expoente do hard rock nacional. Época boa para quem trilhava os caminhos do hair metal, ou metal farofa, como se costumou chamar pejorativamente o estilo que abusava das poses, da violência forjada e dos excessos.


Bizz, edição 107, junho de 1994
                          Em 1991 participaram de um concurso que elegia bandas independentes para tocar no segundo Rock In Rio, não foram selecionados para tocar no festival, mas neste momento surgiu-lhes a chance de assinar um contrato com uma grande gravadora e um segundo disco. "Animal house" chegou às lojas pela PolyGram e foi bem recebido.

                         "Daresafesexdisorder" é o derradeiro disco do X-Rated. O caminho do álbum foi trilhado a partir de uma demo tape que continha parte do repertório, a demo abria com o cover de "Kiss" do Prince, assim como em "Daresafesexdisorder". O disco tem uma qualidade de gravação razoável, principalmente pela falta de punch na bateria, quase não se ouve o baixo. Os vocais são totalmente derivativos do hard rock norte-americano, algo entre o Mötley Crüe e Hanoi Rocks, realçados ainda mais pelas letras em inglês. Entretanto, ao longo do álbum os maneirismos vocais exagerados cansam demais. 

                         O disco saiu com a banda já desintegrada pela saída de Lucky Lizard e do baixista Bruno Schubnel, que gravaram o álbum, mas não participaram no seu lançamento. O disco marcou a estreia de uma iniciativa fonográfica independente efêmera, o selo carioca Polvo Discos. O projeto gráfico é simples, mas a capa com a imagem distorcida de um mulher nua ganha destaque.

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