segunda-feira, 28 de julho de 2014

Maria Angélica não mora mais aqui "Stroboscopic cherries" (Polytheme Pam, 1990)


                  "Stroboscopic cherries" é o segundo e último disco do Maria Angélica, também conhecido como Maria Angélica não mora mais aqui. Entretanto, há uma dúvida se este álbum é realmente o segundo disco do quinteto paulistano, afinal o álbum foi lançado simultaneamente a outro registro da banda, o EP "Full moon depression".

                O álbum marcou um momento de transição de integrantes, saíram o baixista Lu Stopa e o guitarrista Carlos Nishimiya, da formação original, e entraram Deborah Freire, no baixo, e o veterano Kim Kehl, na guitarra. A  mudança ocorreu depois da gravação do álbum, mas o encarte já apresenta o Maria Angélica com a alteração na formação, mesmo que os antigos integrantes tenham gravado tanto "Stroboscopic cherries" quanto "Full moon depression".

           "Stroboscopic cherries" traz uma capa linda, uma das mais bonitas de discos brasileiros, na qual belas modelos nuas aparecem envoltas numa nebrina angelical, a contra capa apresenta o contraste com as mesmas modelos num clima mais noturno.
 "Lembro-me muito bem. Eu morri de vergonha de posar nua, mas a capa é lindíssima!" - Petra Pappon (a garota da capa no canto superior esquerdo)

"Quem me convidou para fotografar a capa foi o Fernando Naporano. Desenvolvemos o conceito juntos com referências de cinema quanto a iluminação e de capas de discos que gostávamos, como por exemplo a capa do "Eletric Ladyland" do Jimi Hendrix. Os Fernando convidou as garotas da capa e pensou num cenário, que era um tecido todo desenhado estendido no chão, a foto foi tirada de cima. Usei um filme que possibilitasse uma revelação especial para obter maior contraste e saturação das cores. Foi um trabalho muito bacana e ficamos felizes com o resultado" - Angelo Pastorello (fotógrafo) 

            O álbum foi lançado pelo pequeno selo paulistano Polytheme Pam e teve uma repercussão pequena, pouco tempo depois o Maria Angélica encerrou definitivamente sua trajetória. Toda discografia da banda, de três bons discos, espera reedição.

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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Pós Meridion e Ídolos de Matineé - 1º Rock'n Ville (Flexi-disc - Independente, 1987)


               Em maio de 1987 a cidade catarinense de Joinville recebeu o festival Rock'n Ville, Uma festa que contou com duas bandas curitibanas bastante representativas do rock sombrio que se produzia na capital paranaense na segunda metade da década de 80, o Pós Meridion e o Ídolos de Matineé. 

               A estratégia promocional do evento incluiu a produção de um flexi disc, um compacto de plástico com meio milímetro de espessura e apenas um lado, que trazia três canções. As duas primeiras com o Pós Meridion, "Sistema" e "Problema complexo", e a última do Ídolos de Matineé, "Rocky marciano". 


"Eu descobri um fornecedor de discos de São Paulo/SP que estava produzindo flexi disc. Contei para o meu amigo Ricardo Pinheiro, o Barriga, e ele descolou os patrocínios e produziu o evento. A festa era em Joinville/SC e o ingresso era o próprio flexi disc. E empresa de ônibus Penha cedeu o transporte e partimos pela manhã. No ônibus estava a minha banda, o Pós Meridion, mais o Ídolos de Matineé e um grupo de modelos que iria desfilar na festa, esta era a parte "jeca" da festa, eram os anos 80... Foi meu primeiro show como músico profissional, o clube Liga das Sociedades estava cheio, o som estava ótimo. Mas depois do show houve uma confusão generalizada entre duas turmas e a briga foi de voar cadeiras"
                                                Samuel Radiocaos, baixista do Pós Meridion

             Os nove minutos de duração do flexi disc foram suficientes para apresentar as bandas, todas influenciadas pelo post punk inglês, que em Curitiba encontrou quase que um segundo lar. O Pós Meridion era mais punk, vide a temática da letras, estas por si um tanto ingênuas. O Ídolos de Matineé ainda não era tão "new wave" e soa obscuro em "Rocky Marciano", com os vocais de Leonardo Secco.

                O projeto gráfico é bastante simples, mas conta com todas as letras e fotos das duas bandas. Um registro raro do rock feito em Curitiba. 

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