quinta-feira, 27 de novembro de 2014

V.A. "Tiro Inicial" (Radical Records, 1993)


            Lá na cidade do Rio de Janeiro é costume afirmar que capital paulista é o túmulo do samba. Os paulistanos, por sua vez, já disseram que o rock carioca nasceu morto. Nada disso tem razão. Existe uma boa tradição do samba paulistano e certamente o Rio de Janeiro já deu muitas bandas de rock, muitas já passaram aqui neste blog. Mas, se um dia alguém disser que o Rio de Janeiro é o túmulo do Rap levando em consideração a coletânea "Tiro inicial", saiba que o(a) infeliz tem razão. Oh disco ruim de ouvir. 

         O Geração Futuro abre o Lado A com "Racismo eficaz", uma boa letra que cita situações de racismo tratadas como se isso fosse cotidiano, a letra é do MV Bill, que dividia os vocais com Michel MV. O Poesia Sobre Ruínas até tem uma bia batida em "Menor carente", mas a letra é muito fraquinha. Com O N.A.T. a coisa piora, rimas fracas, refrão horrível e uma batida que mais parece saída de um teclado de churrascaria. As Damas do Rap salvam, não que as letras tenham melhorado, continuam horríveis, mas o ritmo sai das batidas secas de outras bandas para um funk melody/charme bem sacado, "Sonho real" tem a melhor produção dentre os grupos da coletânea.
                Colagens de "Selvagem", "Polícia" e "Proteção" abrem "A diferença é a farda" dos Filhos do Gueto, e tematiza a truculência, violência e corrupção policial. A letra é boa, mas os MCs cantam muito mal. A homenagem a Malcolm X cometida pelo Consciência Urbana enaltece o valor histórico e libertador do líder que buscou o nacionalismo negro na América, mas erra em algo imperdoável, justamente na grafia do nome, que ficou Malcom X. Falta de cuidado. Para fechar com chave de 'oro' todos os grupos da coletânea se reúnem com Gabriel o Pensador em "Filhos do Brasil". Tudo bem que em 1993 o "rapper" carioca mal havia completado a maioridade e estava no começo de carreira, porém se o convite faz jus ao álbum, nada mais justo que a presença de um dos nomes mais insólitos do Rap brasileiro.

               "Tiro inicial" foi lançado pelo selo Radical Records, propriedade do produtor Mayrton Bahia. Quem coordenou a produção foi a entidade Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP). No encarte uma frase busca manter a isenção dos grupos quanto a qualquer interpretação do conteúdo de suas letras. Uma orientação do advogado Nehemias Gueiros Jr. contra o risco de possíveis processos.

             Quer ouvir? Download aqui!
             Também disponível no Youtube!

4 comentários:

  1. Raridade da boa..! Valeu mesmo! Um abraço!

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  2. Pra sua infelicidade, o projeto "Tiro Inicial" retorna com força total agora em 2016! Maiores Informações, aqui no meu Escritório na CDD...

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  3. Pra sua infelicidade, o projeto "Tiro Inicial" retorna com força total agora em 2016! Maiores Informações, aqui no meu Escritório na CDD...

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    1. Valeu por avisar DJ TR! Força aí na volta do Tiro Inicial, torço pelo projeto, mas não vou colar aí na CDD atrás de informações depois do texto que escrevi, fico mó boladão hehehe abraços!

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