segunda-feira, 9 de junho de 2014

V.A. "Onde é que está meu rock'n'roll? Arnaldo Baptista novamente revisitado" (Dabliú, 1999)


               10 anos após "Sanguinho Novo", o primeiro disco em tributo ao Arnaldo Baptista, eis uma nova visita ao repertório de canções escritas ou gravadas por Arnaldo, seja com o Mutantes, nos poucos registros solo, com a Patrulha do Espaço e tem até umas inéditas.

         "Onde é que está meu rock'n'roll?" tem a característica de trazer só bandas de Brasília/DF para reinterpretar a obra de Arnaldo Dias Baptista, o que pode soar estranho, afinal dá para contar nos dedos de uma mão as bandas participantes que foram razoavelmente conhecidas enquanto estiveram em atividade - eu contei quatro. Em comparação com "Sanguinho novo", o qual também contava com bandas do underground, o segundo tributo é praticamente uma coletânea de bandas brasilienses.

             O álbum abre pesado com o Nata Violeta numa versão para "Sexy sua" com riffs de guitarra em volume alto. O Little Quail & The Mad Birds ficou com uma canção até então inédita do Arnaldo, "Sr. Empresário" ganhou aquela adaptação punk-surf-a-billy própria do trio. Outra inédita é "Imagino", cujo título original era "Imagino a minha morte", esta ficou com o Pravda reduzido apenas ao guitarrista Sylvio sob o comando de todos os instrumentos. "Garupa" também era inédita até ser gravada no disco "Let it bed" (2004), com o título de "Ai garupa", aqui a versão surge na voz de Célia Porto, tão boa quanto a do próprio Arnaldo, bela letra apaixonada e estradeira acompanhada apenas de voz e piano.

             O Low Dream construiu um andamento lento de guitarras dedilhadas para "Jesus come back to earth" até estourar num solo noise, porém contido no volume. "Trem", ou "Train" - do segundo disco "Singin' alone" (1982) -, ganha um blues pelo Ligação Direta, numa linha já apresentada no original e com bom resultado. O Vernon Walters adiciona barulheira industrial em "Ciborg" e torna a canção irreconhecível, mas não é para isso que servem os tributos?
Rock Press, edição 01, 1995

                 Das versões irregulares. O prêmio de pior versão vai para o Animais dos Espelhos com uma das mais lindas canções do Arnaldo, "Te amo podes crer" foi transformada num guitar barulhento e arrastado, sem nenhuma relação com a melancolia da canção do clássico absoluto "Lóki?" (1974).  O suingue latino do Bootnafat para "Ando meio desligado" também parece não cair bem à canção. Entretanto, respondendo a pergunta do parágrafo anterior,  tributos também servem para isso! 

                 O disco começou a ser gravado em 1995 e quando foi lançado muitas bandas já haviam decretado seu fim. Foi lançado pelo selo Dabliú com distribuição da Eldorado. O projeto gráfico traz ilustrações de Arnaldo Baptista, todas as letras e ficha técnica.

                   Quer ouvir? Download aqui!

6 comentários:

  1. sempre é bom ler uma resenha do próprio trabalho sob a égide de 'tributo serve para isso'. O disco seria vanguardeiro se não tivesse virando um defunto na geladeira da gravadora - enfim, o trabalho da produção novamente passou em branco, acredito que poucas regiões do Brasil teriam cu para gravar um,a coletânea com material do Arnaldo apos as duas. Tem mais uma inédita a coda que encerra al tributo

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    1. Pazcheco!
      Tem esta inédita por ai? Tenho o maior interesse em ouvir.

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  2. sempre é bom ler uma resenha do próprio trabalho sob a égide de 'tributo serve para isso'. O disco seria vanguardeiro se não tivesse virando um defunto na geladeira da gravadora - enfim, o trabalho da produção novamente passou em branco, acredito que poucas regiões do Brasil teriam cu para gravar um,a coletânea com material do Arnaldo apos as duas. Tem mais uma inédita a coda que encerra al tributo

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  3. Amigo, alguma coisa deve estar errada aí, porque a versão que tenho do cd traz 15 músicas. Por acaso algumas bandas fizeram mais de uma versão?

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    1. Fernando!
      O CD tem 15 músicas e cada banda gravou apenas uma música.

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    2. Oi a partitura Dança d eum outro tempo fecha o disco e vc esqueceu de citar o ATHENA arrebentando em Navio De Loiras - abração se existir mai salguma inédita está na cabeça do Arnaldo

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