quarta-feira, 25 de junho de 2014

Raimundos (Banguela, 1994)


                  Em 12 de maio de 1994 chegou às lojas o primeiro disco de uma banda de Brasília/DF razoavelmente conhecida no underground do começo dos 90's. Num momento em que o underground também começava a se conhecer, vide os festivais Juntatribo e Bhrif, e os novos selos independentes, Tinitus, Radical, Rock It!... e no caso do Raimundos, o imprescindível selo Banguela.
Dynamite, edição 10, ano II, 1993

             O ponta pé inicial do selo, criado na parceria entre Carlos Eduardo Miranda e alguns membros do Titãs, deu certo. Em dois meses o álbum sem título passou de 100 mil cópias, notícia recebida com o quarteto em turnê feita em ônibus de linha pelo nordeste. Com 200 mil cópias vendidas no final de 1994 o Raimundos era banda conhecida no Brasil todo, uma revelação nacional ratificada pelo prêmio da Bizz e pela primeira capa da revista com a banda.

                  Com este álbum o rock brasileiro voltou às frequências das rádios numa improvável mistura de punk rock/hardcore com influência nordestina, o tal forrócore que a imprensa não demorou em rotular. O triângulo marcava o tempo numa velocidade, até então inédita para os nossos padrões comerciais. A presença do sanfoneiro - de forró safado - Zenilton só comprovou o fato. Anos depois o vocalista que tocava triângulo, já fora da banda, se disse escravizado pelo instrumento.

                   O primeiro single, "Selim (acústico)", foi gravada contra a vontade da banda e se tornou hit imediato. Era a canção mais "balada" do disco, conduzida com o Raimundos reduzido ao Rodolfo, na voz, e Nando Reis, que visitava o estúdio Be Bop, na viola. Era a canção romântica certa para cativar adolescentes e incomodar os pais que consideraram a letra vulgar. Em Santo Ângelo/RS "Selim" teve execução de rádio proibida. A Transamérica executava "Selim", e inseria um bip quando surgiam as palavras "bunda" e "vagina".

              Letras machistas, como "Rapante", "Cintura fina" e "Carro forte", esta uma adaptação de domínio público, geravam pautas na imprensa, que por sua vez não perdia a oportunidade de mostrar que o quarteto também aproveitava a fama instantânea para "pegar mulher". Tal como rock stars mais "sujos" que o RPM, porém mais "limpos" que o conterrâneo DFC, estes sim escrachavam nas letras machistas.

Bizz, edição 106, maio de 1994
                   Produzido por Miranda, com capa de Renato Yada, o álbum lançado em CD, LP e K7, vendeu tanto que alguns discos posteriores do Banguela só foram lançados porque entrou grana logo no primeiro lançamento do selo. Nenhum outro disco chegou perto da repercussão recebida com o primeiro álbum do Raimundos. Não é à toa que a banda  assinou com  a Warner, distribuidora e investidora do Banguela, para o segundo disco, momento em que o Banguela já havia cumprido seu papel e fechado as portas.
     
                     Quer ouvir? Download aqui!

4 comentários:

  1. Para quem cresceu ouvindo Vinil e CD nos anos 80, o mp3 é horroroso, é um formato que corta as frequências das musicas pra diminuir o tamanho, aconselho a ripar do CD original em Flac level 8.

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    1. Meu querido, vc tem link em flac/ripado de vinil, pra dowload? T- T

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    2. não tenho. Ripar vinil dá um trabalhão. heheheh

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