terça-feira, 18 de março de 2014

Second Come "Super Kids, Super Drugs, Super God and Strangers" (Rockit!, 1994)


                 "Super kids, super drugs, super god and strangers" veio no ano seguinte à estreia em disco do quarteto carioca Second Come. A mais cultuada das guitar bands brasileiras, junto com o Pin Ups, havia conquistado público e feito bons shows com "You", seu primeiro álbum, e surpreendeu quando em menos de um ano já chegaram com o segundo registro. Infelizmente, também o último.

               Comparativamente, "Super kids..." é melhor produzido que "You" e mostra que o Second Come conseguiu chegar bem rápido ao resultado final de suas canções. O que "You" tinha de esporrento, de uma urgência quase grunge, Super kids..." tem de calma. Ainda que barulhento, a pegada aqui é mais shoegaze.

               A produção do disco ficou a cargo de Dado Villa-Lobos e Second Come, assim como no primeiro disco, que inaugurou as atividades de selo independente para a loja de discos do guitarrista da Legião Urbana em parceira com André X, baixista da Plebe Rude. É um trabalho bastante adaptado ao formato CD, tanto que é carregado de barulhinhos, programações de bateria eletrônica e um ruído de frequência que toma os 15 minutos da última faixa. O disco abre com "High, high", com citação inicial de "Looking smiles", esta uma das melhores do álbum, e trompete de Daniel Castelo. Canções rápidas e curtas, como "Interference", "Wait" e "Aircrafts and boots", lembram os bons momentos do primeiro disco, outras passam dos cinco minutos, "Little friend" e "Airhead" e são as novidades do SC. Todas as letras são em inglês, óbvio, e autorias de Fábio Leopoldino (1963-2009).
Bizz, edição 107, junho de 1994

                 A segunda vinda do Second Come ganharia o título de "Record", o que foi mudado na última hora, tanto que nas revistas especializadas e fanzines da época o título já havia sido anunciado antes do álbum. "Super Kids..." saiu apenas em CD e teve uma excelente recepção, era muito comum ler comentários que afirmavam que se o quarteto não fosse brasileiro, teriam muito mais chances, compreensível, pois qualidade não faltava. O projeto gráfico é simples com destaque para a boa capa com foto de válvulas e transistores, obra de Rodrigo Lariú, capo do selo/zine Midsummer Madness e fã nº 1 do Second Come. O encarte de duas páginas traz letras, mas elas não pedem para ser acompanhadas, pois estão escritas à mão, obra do guitarrista e vocalista Fábio, que assina as ilustrações do trabalhos do SC. O disco teve sua tiragem inicial esgotada rapidamente e hoje em dia é objeto cobiçado.

                 Quer ouvir? Download aqui!

Um comentário:

  1. Esse disco é sensacional. Conheci a banda naquele especial do Lado B com o massari, sobre o junta tribo.

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