segunda-feira, 29 de julho de 2013

O Grande Ah!... "Mariantivel" (Independente, 1997)


              O estado de Minas Gerais tem uma grande tradição a música instrumental. Além de revelar nacionalmente muitos instrumentistas de talento, o estado também abriga uma grande quantidade de formações interessadas em criar caminhos para a música sem voz.

             O trio de Belo Horizonte O Grande Ah!... é um destes grupos, contudo, com projeção limitada à capital mineira. "Mariantível" é o segundo álbum do grupo. Lançado oito anos após a estreia em disco, aqui o trio segue definitivamente o caminho da música instrumental. O que no primeiro disco estava em desenvolvimento, e até mesmo deixou O Grande Ah!... caracterizado por fazer música pretensamente engraçada. Numa resenha publicada na revista Bizz sobre o álbum de 1989 o jornalista Marcel Plasse chegou a definir a banda como uma mistura de Jean Luc Ponty com Lô Borges, e finalizou brilhantemente o pequeno texto ao renomear a banda como O Grande Argh!...

         Em "Mariantível" o trio apresenta boas soluções instrumentais como pode ser observado no fusion da canção título,  na bossa da faixa de abertura, "Bolinha". Em "Polêmica" o instrumental à 14 Bis dá margens para que a qualquer momento surja a participação de Lô Borges, ela não vem (ufa!). A única com letra é "A sopa" poema de Lewis Carol com tradução de Augusto de Campos sob arranjo de Marcos Pimenta e voz de Letícia Coura.

         Lançado por conta própria, o álbum tem um caprichado projeto gráfico com ficha técnica das gravações e texto de apresentação do jornalista e músico Marcelo Dolabela, autor da maioria das letras do primeiro álbum. O segundo trabalho d'O Grande Ah!... teve repercussão restrita à Belo Horizonte.

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Boca Livre (Boca Livre Produções e Gravações Ltda, 1979)


          O quarteto vocal carioca Boca Livre foi um dos grupos entusiasmados com a iniciativa de produção de discos independentes desenvolvida por Antonio Adolfo no disco "Feito em casa" (Artezanal, 1977).

          O primeiro LP do Boca Livre leva como título o nome do grupo e foi lançado pelo selo recém criado para dar suporte ao trabalho, o Boca Livre Produções e Gravações Ltda. O disco teve grande repercussão nacional vide o sucesso da canção "Toada", em pouco tempo a tiragem inicial de 1 mil cópias se esgotou e deu origem a uma nova remessa de 5 mil LPs, depois mais 10 mil. Ao todo o disco teve 80 mil exemplares comercializados.

          As vendas inicialmente aconteciam nas apresentações. Para divulgar disco e chamar a atenção para os shows no Teatro Vanucci, na capital fluminense, o Boca Livre preparou um avião de papelão no qual se lia a data e o horário do evento. O grupo também teve a oportunidade de participar da caravana do Projeto Pixinguinha, em 1979, fato que garantiu a distribuição de mais discos.

         O número expressivo de cópias vendidas deste primeiro álbum tem um fator determinante: um contrato de distribuição com o selo Gravadora Eldorado, de São Paulo. Toninho Vincenzo e Cesare Benvenuti eram os responsáveis pela distribuição dos discos da Eldorado, mas a gravadora paulistana não lançou muitos discos no final dos anos 70, e assim surgiu a oportunidade de oferecer o serviço de distribuição para outros discos independentes.

            O primeiro contrato com o Boca Livre deixou os "distribuidores" animados com o resultado e Cesare Benvenuti decidiu montar sua própria distribuidora, chamada de Distribuidora Independentes. O contrato de distribuição do Boca Livre passou da Eldorado para a nova empresa. Em 1980 o Boca Livre lançou um segundo disco, chamado "Bicicleta", na contra capa do LP uma frase estampava a satisfação de manter o mesmo modo de produção, lia-se: "Este é mais um disco independente". O segundo álbum, "Bicicleta" de 1980, seguiu o mesmo, contudo vendeu menos do que o primeiro disco auto intitulado. Foi o último disco do Boca Livre lançado por conta própria.

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domingo, 28 de julho de 2013

Antonio Adolfo "Feito em casa" (Artezanal, 1977)



          Em 1977 Antonio Adolfo era um nome conhecido na MPB. Requisitado pianista e arranjador, já havia trabalhado com grande nomes como Elis Regina e Tim Maia, ´por exemplo. Começou sua carreira profissional em 1964, com 17 anos, na peça "Pobre menina rica" de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra. No final dos anos 60 conquistou o sucesso popular com seu conjunto vocal-instrumental A Brazuca. 

            Antonio Adolfo é autor de sucessos eternos da MPB, tais como "BR-3", parceria com Tibério Gaspar defendida por Tony Tornado & Trio Ternura no Festival Universitário da Canção de 1968; "Sá Marina", imortalizada na voz de Wilson Simonal e "Teletema", com o Trio Ternura. Trajetória suficiente para creditar Antonio Adolfo entre os principais nomes da produção musical brasileira. Entretanto, na segunda metade dos anos 70 Antonio Adolfo encontrava dificuldades para lançar seu segundo disco solo junto às grandes gravadoras.

          De 1971 à 1975 Antonio Adolfo estudou harmonia e orquestração nos Estados Unidos e França. Quando retornou ao Brasil procurou as grandes empresas do disco e ofereceu-lhes seu novo projeto. Contudo, sua proposta era vista como pouco comercial pelos produtores, que inclusive chegaram a propor uma volta d'A Brazuca. As tentativas inócuas de negociar o LP com as gravadoras duraram até 1976. As negativas impulsionaram Antonio Adolfo para a produção independente.

           Para financiar a ousadia, vendeu carro e um órgão Hammond e foi para o estúdio com suas canções de arranjos cuidadosos. Ao todo foram gravadas 12 canções das quais 11 entraram no LP, todas inéditas, com exceção de "Dia de paz" (parceria com Jorge Mautner) gravada por Erasmo Carlos no disco "Banda dos contentes" (Polydor, 1976). Quase todas as canções são instrumentais, exceto "Vê" e "Acalanto", com vocais de Malú e Joyce, respectivamente, e "Aonde você vai" na voz de Antonio Adolfo.

          Com o álbum todo gravado, Antonio Adolfo criou uma empresa para selar o disco, assim surgiu a Artezanal (sim, com Z mesmo). Como o disco carregava o diferencial de ser totalmente auto financiado, a capa também caracterizava o processo. Para confeccioná-la de maneira econômica e criativa, Antonio Adolfo usou envelopes de cartolina crua e dois tipos de carimbo, um com seu nome e outro com o título do álbum: "Feito em casa". 

              


      Para dispensar os serviços de uma gráfica, o próprio autor carimbou todas as capas à mão, o que fez com que cada uma saísse diferente. Não havia um padrão para o uso dos carimbos, enquanto uns envelopes eram cheios de carimbadas, outros recebiam duas ou três identificações. Concluído o processo e com todos os LPs estocados em sua casa, Antonio Adolfo partiu para a divulgação, distribuição e venda de seu primeiro LP solo.

       

       Para divulgar, Antonio Adolfo aproveitou os shows que fazia na série "Seis e Meia", no Teatro João Caetano, na capital carioca. Nas apresentações, entre as canções anunciava a venda do LP na porta do teatro, o que garantiu uma boa distribuição da tiragem inicial. Não se sabe quantos exemplares compunham a primeira tiragem de "Feito em casa", mas ao todo foram prensados 20 mil unidades do LP. Somam-se a estas mais 1 mil copias da reedição em CD feita pela gravadora independente Kuarup em 2002, uma edição especial que comemora os 25 anos do precursor selo carioca. A reedição ganhou como faixa bônus um improviso de quase quatroze minutos chamado "O nome não é importante".

          Numa entrevista para a publicação "MPB Edição Independente", um trabalho caprichado que acompanhava um LP com fonogramas independentes, gravados entre 1977 e 1982, vendido em bancas de jornal, Antonio Adolfo relatou um pouco do processo de distribuição e venda do "Feito em casa":

"Existe uma ideia de que disco só se vende em loja. Acontece que as lojas são controladas pelas grandes gravadoras. Na maior parte das vezes o público de lojas de disco só compra o que é massificado. O público que compra a música alternativa é pequeno (...) e o lojista só compra o que é anunciado em rádio e TV.

      O produtor independente deve partir para a distribuição alternativa: mala-direta, reembolso postal, venda no local de seus shows, postos de venda alternativos como praças, escolas, universidades...
         Eu botava um piano elétrico na minha Belina e viajava pelo Brasil. Parava em Ouro Preto, na porta do restaurante de estudantes, e começava a  tocar. Daí a pouco vendia 70, 100 discos. Aí ia para a Universidade, as pessoas chegavam, davam uma canja, pegavam o violão e tocavam também. e compravam o disco.
    Outro exemplo: botar o disco em lojas de produtos naturais. A música independente é mais ou menos como comida natural. Como a música enlatada tá tomando conta, é preciso uma música orgânica. Essa música geralmente só pode ser lançada de forma independente. quando as gravadoras chegam a se interessar pela matéria-prima, fazem uma embalagem enlatada, com os mesmos instrumentos, os mesmos músicos".
Charge retirada da Revista MPB Independente - Edição 1 (Editora Codecri, Rio de Janeiro: 1982)

               A partir da experiência do "Feito em casa" criou-se um sistema de produção de discos independentes que abriu caminho para que cada vez mais novos compositores, instrumentistas e intérpretes aderissem à proposta, todos interessados nas vantagens assinaladas por Antonio Adolfo, tais como: liberdade de criação, propriedade da obra, controle de royalties e vendas. No artigo "Disco independente: o fim do capitalismo selvagem", o jornalista Tárik de Souza escreveu sobre a influência que "Feito em casa" teve nas produções independentes:

      "Antonio Adolfo fazia sozinho o que as estruturas montadas nas grandes companhias realizavam com suas equipes. Foi um episódio inédito na história do disco brasileiro que deixou perplexo os mais incrédulos. A proeza de Antonio Adolfo mostrou que o disco independente não era uma quimera"

      Pela iniciativa de criar um selo, lançar e distribuir por conta própria seu primeiro disco solo, Antonio Adolfo ficou conhecido como o responsável pelo primeiro disco independente moderno. Um outro pioneiro da produção fonográfica auto financiada, Tim Maia, em entrevista a Tárik de Souza, desta vez para o Jornal do Brasil, em 1982, reivindicou parte do reconhecimento pelo pioneirismo: 

        "(...) Passei toda a minha lista de loja para o Antonio Adolfo, que levou a fama e nunca me deu crédito (...)". 

           O pioneirismo dos LPs "Tim Maia Racional" deve ser reconhecido, pois pela primeira vez um artista de projeção nacional pulava fora da máquina e ia produzir por conta própria. De todo modo, a falta de reconhecimento atirada contra Antonio Adolfo se devia em parte ao próprio Tim. Logo após a fase Racional, passou a renegá-la à risca, inclusive proibindo sistematicamente a comercialização dos que chamava "discos de pregação".
       "Feito em casa" abriu o caminho para os trabalhos do selo Artezanal, que nos anos seguintes editou outros 15 discos e uma VHS Vídeo-aula, chamada "Secrets of Brazilian Music". O mais recente disco da Artezanal, de 2006, registra Antonio Adolfo ao vivo. 

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Limbonautas "Rendam-se humanos!!!" (Bloody Records, 2000)


          "Rendam-se humanos!!!" é o primeiro e único disco do quarteto de punk/surf'a'billy/hardcore curitibano Limbonautas. A banda formada em 1998 tem à frente uma lenda dos porões do rock curitibano e figura de grande importância do cenário independente/underground nacional desde o começo dos anos 90, estamos falando de JR Ferreira, aqui sobre a alcunha de Daddy Jr.

          O álbum tem 15 canções rápidas e sujas. A surf music corre solta de começo com as instrumentais "Fossa abissal" e Dick Dale na terra da ipióca". Nas letras se escondem doses de bom humor, como na dobradinha "A lagartixa" e "Vudu é pra jacu!". Tem ska em "Get a life" e "Poltergeist", e hardcore, "No drugs". "O funil", esta também gravada no primeiro disco do Pelebrói Não Sei. O disco fecha com o cartão de visita "Seres do limbo".
Bizz, edição 179, junho de 2000

          "Rendam-se humanos!!!" foi lançado em CD pelo selo de JR Ferreira, a Bloody Records. O fato do vocalista também ser proprietários de um dos espaços mais cultuados do rock curitibano, o 92 Degrees (ou 92º Graus,) facilitou ao Limbonautas participar de eventos importantes com frequência, tais como abrir os shows de Misfits, Lurkers, Varukers, Man.. or Astro-man?, Agnostic Front, Ratos de Porão...

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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Alzira Espíndola "AMME" (Baratos Afins, 1991)


         O segundo trabalho solo da sul-mato grossense Alzira Espíndola aproxima definitivamente sua voz à de Itamar Assumpção (1949-2003). Um amigo de longa data, além de parceiro na banda Mão de Pilão, de fins dos anos 70, e voz convidada na canção "Adeus Pantanal" do primeiro disco de Itamar por uma grande gravadora, "Intercontinental!! Quem diria! Era só o que faltava!" (Continental, 1988).

                  Em "AMME" as mãos e voz de Itamar Assumpção estão por toda parte. A ideia inicial era a de Itamar produzir um show de Alzira, muito pouco para os dois que poderiam viajar com o show, e assim o fizeram, felizmente também registraram o trabalho conjunto.

                Das 11 canções do álbum, apenas a abertura com "Aa Vaa Cama" não tem o dedo de Itamar, é parceria de Alzira com sua irmã Tetê Espíndola. Nas demais canções só dá Alzira e Itamar, o resultado é emocionante. É incrível como certas parcerias funcionam tão bem. "Sei dos caminhos", letra de Alice Ruiz e Itamar, está entre um dos melhores momentos de toda a discografia dos dois. "Man" é carregada de desejo de uma mulher à espera de que seu homem desligue seu walkman e a ame, o violão de 12 cordas está nas mãos de Alzira enquanto Itamar conduz teclado e bateria.

             Por sinal, o encontro de Itamar e Alzira não deixou espaço para mais ninguém, muito menos músicos de apoio. Quando Alzira larga o violão para cuidar do microfone, Itamar vai lá e pega violão, larga a bateria, o teclado, e o que mais cair na mão, e não precisa de mais nada. Apenas quatro instrumentos e vozes para construir belezuras para as letras de "Quantidade", "Azeite" e "Já sei", esta é bem a cara do Itamar dos discos "Beleléu, leléu, eu" e "Às próprias custas s/a".

            O álbum foi lançado pelo selo paulistano Baratos Afins em LP e recebeu edição em CD logo que a nova mídia chegou ao catálogo do incrédulo digital Luiz Calanca. O projeto gráfico traz todas as letras e um texto de apresentação escrito por Itamar.

             "AMME" são as iniciais de Alzira Maria Miranda Espíndola. Tá certo que o disco saiu há mais de 20 anos, mas se houverem reedições, bem que poderiam creditar o disco ao Itamar Assumpção também e no título!

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The Books "I land" (Monstro Discos/Midsummer Madness, 2005)


            Antes de chegar ao primeiro disco o The Books se chamava The Book is on the Table e era um quinteto. Após dois CD-demo bem recebidos e poucas apresentações a banda chegou ao primeiro disco com um novo e abreviado nome e nova formação, com uma guitarra a menos, que no disco até que não fez falta, mas nas, também poucas, apresentações seguintes certamente deixou algum vazio.

          O The Books faz um som guitar de referências comuns às demais bandas brasileiras do estilo, a matriz Sonic Youth/Pixies está aqui, mas o The Books tem um diferencial que todas as bandas do rock alternativo almejam, letras e  interpretação em perfeito inglês. A banda tem como front man Tony Rosenberg, um australiano viajante que parou na Terra de Santa Cruz e, depois de conhecer outros roqueiros tímidos, montou uma banda.

         Banda formada, todos com boas influências, o caminho certo foi ensaiar e compor. Quem pensava que um vocalista/letrista australiano faria o mesmo que o Men at Work, INXS ou Midnight Oil fizeram com nossos ouvidos durante bons anos entre as décadas de 80 e 90, se enganou.
Revista Zero, edição 08 

           O álbum abre com "When we're fishing" canção instrumental com mais de quatro minutos e segue emendando faixas, algumas muito boas como "Radio", "Sticks & Stones" e "Linda Lovelace".

            O The Books se tornou um nome razoavelmente conhecido ainda quando se chamava The Book is on the Table e regravou, em inglês, o clássico "Surfista Calhorda" do Replicantes, renomeado para "Fuckin' surfin' bastard". Despretensiosamente o The Books fez a ponte entre um grande representante do punk rock nacional com outro grande nome do punk rock mundial, os australianos do Radio Birdman. A canção ganhou vídeo clipe e chegou a ser exibido algumas vezes no extinto programa Lado B da MTV Brasil.

          "I land" foi produzido por Zé Antônio Algodoal, guitarrista do Pin Ups, e lançado numa parceria dos selos Midsummer Madness e Monstro Discos. O projeto gráfico é simples, mas esconde um encarte no qual se vê a banda num jardim bebendo e brincando de pescaria num prato de alumínio. O álbum não teve grande repercussão e quase passou despercebido. Ainda é facilmente encontrado nos sites dos selos Monstro Discos e Midsummer Madness.

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Comunidade Nin-Jitsu "Broncas Legais" (Rockit!, 1998)


             O quinteto de Porto Alegre/RS cometeu um primeiro disco que poderia estar na lista dos maiores clássicos do rock brasileiro, isso se estas tais relações de álbuns fundamentais do estilo não fosse tão fechada nos discos 'sérios' e com características brasileiras.

         Em pouco mais de 60 minutos "Broncas legais" atualiza o rock brasileiro com influências, até tardias, do Miami Bass, do Funk-charm, do Hip Hop norte-americano e outras chinelagens. Some a tudo isso uma boa quantidade de humor e um pouco de substâncias proibidas. Não funciona como fórmula, afinal, nem a própria Comunidade Nin-Jitsu conseguiu repetir o feito destas 10 canções.
Bizz, edição 146, dezembro de 1997

            O álbum é cheio de riffs roubados - digo, não creditados -, letras sobre cotidiano noturno porto-alegrense e raps incidentais. "Broncas ilegais" não passou despercebido e foi bem além do empurrão dado pela Regina Casé às bandas gaúchas do final dos 90's, o programa se chamava Brasil Legal. 

              Destacar alguma canção é um trabalho inútil, deve-se ouvir o álbum todo, e olha, isto faz bem (!). "Detetive" virou clássico, na época o vídeo clipe teve alta rotação na MTV e chegou a levar o prêmio Democlip no VMB de 1997; "Rap do trago" seguiu o mesmo caminho, ninguém mais vai aproveitar o riff de "Der Kommisar" do Falco tão bem. "Quero te levar" é funk-charm dos bons, guitarra exagerada e refrão matador, me diga: qual garota resistiria? (ehehhehe) O mesmo caminho segue "Pastilha de prosa", gíria local para ficha telefônica, hoje um artefato reconhecível apenas para maiores de 25 anos.

             Os temas são um assunto à parte. "Merda de bar" relata tédio noturno para citar heroína e cocaína. "Just" é uma ode à marijuana,um produto "quase" básico na cesta báscia do jovem brasileiro. Sexo está na insaciável "Tia nega" 'dá a bunda pra você, dá a buça pro vovô, e dá de novo prá você', ninguém segura esta velha! O mesmo tema volta em "Rap dos 9 meses". Por fim, um bônus com "Detective", a versão latina e mais sobras "Montagem do Mano Changes" e "Saudações à massa funkeira". É improvável, mas a Comunidade Nin-Jitsu soaria como uma excelente banda carioca neste disco, não fosse o sotaque inconfundível.  
Bizz, edição 153, abril de 1998/

           "Broncas legais" foi lançado pelo selo de Dado Villa-Lobos, a Rockit! Depois de amargar um tempo nas prensas da gravadora Continental, a primeira a assinar um contrato com a banda. A Continental chegou a lançar o álbum para a imprensa, mas logo em seguida rescindiu o documento e a Comunidade Nin-Jitsu recebeu as 2,5 mil cópias da prensagem inicial do disco, rapidamente negociado nos shows pelo Rio Grande do Sul.

               O projeto gráfico de Fernanda Villa-Lobos e Barrão é caprichado, traz todas as letras, fotos e ficha técnica, na capa um integrante temporário da Comunidade Nin-Jitsu, o Índio, cinegrafista da TVE abduzido pela banda. Sua participação? Índio ficava sentado numa cadeira de balanço sobre o palco escudado por um ninja entornando cervejas enquanto a banda detonava levadas do mais puro Miami Bass chinelagem.

               O disco teve uma excelente repercussão, principalmente no Rio Grande do Sul, estado que recebeu a maior parte da nova tiragem do álbum, lançado pela Rockit! Para garantir a boa recepção, nos anos seguintes a gravadora Antídoto, especializada em distribuir discos aos gaúchos, providenciou um relançamento.

           Voltando àquela possível lista dos discos brasileiros clássicos que não recebem seu devido tratamento por não se enquadrarem às estéticas propriamente brasileiras, nem atingirem o grande público, ou que não pertencer ao "sub requisito" cult. Basta dizer que "Broncas legais" foi produzido por Edu K. Um cara que sabe corroer discretamente o grande escalão e vomitar no jantar de todo mundo. Depois de ouvir o "Kingzobullshitbackinfulleffect'92" o "Broncas legais" até que nem é tão novo assim.

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domingo, 21 de julho de 2013

Transistors "in Transfuzzion" (Bizarre Music, 2001)


          Primeiro disco do trio paulistano de garage rock Transistors. "In transfuzzion" traz 14 canções calcadas no rock sessentista, lembram trilhas de velhos filmes de ficção científica e automobilísticos.

             Em 41 minutos o trio desfila arranjos de órgãos repetitivos, guitarras saturadas de fuzz e os vocais de Zuleika Testone enterrados sobre as camadas de pandeiros e riffs. O disco tem canções rápidas e curtas, poucas ultrapassam os três minutos, difícil ficar parado ao ouvir "Gotta move", "Last time around", "Texas garage punk", "You're gonna miss me" e "I don't wanna be like you", as três últimas com o vocal do guitarrista Alberto Zioli. "Glisten" poderia estar facilmente em algum disco do Stereolab. Todas as letras são em inglês, mas quase não dá para entender o que se canta, um detalhe irrelevante se comparado às músicas, que são muito legais.

           "In transfuzzion" foi lançado pelo selo paulistano Bizarre e teve uma repercussão restrita ao adeptos do gênero garageiro, apesar do trio ter feito bastante shows com este repertório. O álbum foi gravado na Garagem Ordinary Recordings pelo guitarrista Alberto Zioli e pelos guitaristas do Thee Butchers' Orchestra, Marco e Adriano. O projeto gráfico em tons verdes não traz fotos nem letras, se resume a duas páginas com ficha técnica e a repetição da ordem das canções.

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!Pravda (Banguela, 1995)



         O quarteto brasiliense !Pravda surgiu no começo da década de 90 com a proposta de unir peso e suingue. É isto que mostraram em seu primeiro e único disco.

         O álbum tem 10 canções nas quais a banda apresenta suas influências brasileiras de Jorge Ben e Tim Maia, somados ao peso heavy de guitarras distorcidas e cheias de groove, com o auxílio fundamental de uma onipresente percussão fazendo a ponte entre o peso e o suingue. 

           As canções que mais de destacam são àquelas em as características da banda estão mais evidentes, como "66" e "Jogo é jogo". Também mostram um bom resultado na balada "Sexo fácil". Apenas duas canções não são autorias do !Pravda, a muito boa versão para o samba de breque "Morengueira contra 007" e na dispensável revisita à "Macho man".
Bizz, edição 96, julho de 1993

         O álbum produzido por Tom Capone foi lançado pelo selo Banguela. Representa a última investida do selo no cenário de bandas de Brasília, que antes rendeu outros bons discos como os primeiros registros do Little Quail and The Mad Birds, Raimundos e Maskavo Roots. O encarte tem projeto gráfico simples e eficiente, contém todas as letras, fotos e ficha técnica. A capa de Priscilla C. Campos da Paz traz foto de dois policiais motociclistas, um brinquedo bastante popular na década de 90.

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Miranda Kassin & André Frateschi "Hits do Underground" (Independente, 2010)


         O primeiro trabalho da cantora Miranda Kassin reuniu seu companheiro, cantor e ator André Frateschi num repertório de hits que não tocaram nas rádios, mas que pertencem ao underground, principalmente o underground paulistano que frequenta a Rua Augusta e casas como Studio SP e Outs.

         Em 'Hits do underground" 11 autores de vários lugares brasileiros são revisitados. O disco abre com "Semáforo", do Vanguart. Os bons momentos ficam para os novos arranjos para "Deixe-se acreditar", do primoroso primeiro álbum dos recifenses do Mombojó, "Magrela fever", do Curumin e "Dê" dos paulistanos do Cérebro Eletrônico, com direito a texto inicial do Xico Sá. Os vocais são divididos entre o casal e combinam muito bem com a seleção das canções. O álbum fecha com "Rodando el mundo", do Wander Wildner, e o clima estradeiro que povoa a versão original.

           Lançado por conta própria, "Hits do underground" tem produção de Plínio Profeta, que também assina os arranjos junto com o Barão Vermelho Humberto Barros, André e Miranda. O disco teve uma boa repercussão, pode-se afirmar que recebeu elogios e críticas negativas na mesma medida. O trabalho gráfico com fotos de J.R. Duran é caprichado ainda que um bocado cafona.

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Krias de Kafka "O mundo não acaba nunca" (Independente, 2012)


          O pós punk paulistano volta aos seus melhores e sombrios dias com "O mundo não acaba nunca", primeiro disco completo do Krias de Kafka, quinteto formado em Santo André/SP, em 2004.

          O álbum traz 9 temas próprios repletos de niilismo e cansaço que podem ser observados logo na primeira canção, "Leila", e até mesmo em títulos, como "Coca Cola e Diazepan". A maioria das letras funcionam como poemas musicados, vide "Balbucio" e "Johnny Thunders". A letra de "Sobressalto" é um poema de Estrela Leminski. Um bom destaque são os arranjos de guitarras que funcionam como navalhadas nas canções. O disco se encerra com "Neu", e o verso que dá titulo ao disco. Porra, e este mundo não vai acabar nunca?

          "O mundo não acaba nunca" foi produzido pelo guitarrista Joe Marshall e lançado sem o apoio de nenhum selo. O projeto gráfico traz belas ilustrações de Bruno Badain. O encarte tem todas as letras. O disco pode ser adquirido pelo email: hector_francisco_alves@yahoo.com.br

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Pinheads "For Fun" (Bloody Records, 1993)


        Formado no começo da década de 90 o trio de punk rock hardcore curitibano Pinheads foi uma das primeiras bandas nacionais a trazer melodias vocais ao punk rock brasileiro. Característica que tornou a banda conhecida nacionalmente e que atraiu um bom número de fãs e público nas apresentações, principalmente na capital paranaense.

     
Release
        
       "For fun" foi a primeira gravação da banda em disco, antes carregavam apenas um demotape nas mãos. O compacto com 6 canções divididas em 11 minutos marca também a primeira incursão do Pinheads num estúdio, ocasião na qual preferiram registrar as músicas mais rápidas da banda. O resultado? Apenas duas canções ultrapassam a barreira dos dois minutos.


        Devido às influências do hardcore norte-americano de nomes como Pennywise, Nofx, Bad Religion e Screeching Weasel, as letras são todas em inglês e traz harmonias comuns às referências, além dos backing vocals que valorizam as melodias com 'ah, ahs' e 'oh, ohs'. As melhores acabam sendo as mais rápidas como "Psycho zone", "Digital thoughts" e "Plutoflipper's land". "Won't change for good" pode ser considerado o 'hit' do disco.

         "For fun" foi um dos ítens do projeto audacioso de JR Ferreira, produtor e agitador do underground curitibano e brasileiro, lançar 13 compactos de bandas de Curitiba pelo seu selo Bloody Records.

        O compacto chegou nos últimos dias de julho de 1993. Ganhou de brinde alguns adesivos do Pinheads criados pela própria banda em "papel contact". O EP teve excelente repercussão e tornou-se rapidamente o disco mais bem sucedido da empreitada da Bloody Records. Com este trabalho o Pinheads caiu na estrada e fez muitas apresentações, uma das principais ocorreu no Aeroanta de São Paulo/SP quando foram convidados, junto com o Gangrena Gasosa, para abrir o show do Pin Ups em lançamento de seu disco "Scrabby?".

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domingo, 14 de julho de 2013

Toni Platão "Calígula Freejack" (Rockit!, 2000)


          "Calígula Freejack" é o segundo disco solo do ex-vocalista do Hojerizah Toni Platão. Um álbum cheio de participações especiais e de músicos conhecidos do rock brasileiro. 

          Musicalmente não se prende a nenhum estilo e se mantém informado sobre tendências de produção que envolvem música eletrônica e orgânica. Isto explica a fluência de samplers e citações incidentais que vão de Robert Mitchum ao New Order, de Nick Drake ao Curtis Mayfield.

        Também há participações de outras mãos, desta vez nas composições, autores que  começavam a ser descobertos por outros intérpretes, tais como Fred Zero Quatro, Kassin e  Frank Jorge, estão entre os letristas de bons momentos do disco.

           "Calígula Freejack" abre com a faixa título, parceria entre Toni, Fausto Fawcett e Dado Villa-Lobos, com direito à incidental "Venus" do Shocking Blue. "A bola do jogo" foi pinçada do excelente "Samba Esquema Noise do mundo livre sa e recebeu uma boa versão. A mesma sorte não teve "Canto de Ossanha", de Baden Powell e Vinícius de Moraes, aqui com um arranjo trip hop.
Bizz, edição 180, julho de 2000

         "Vejo você e mais nada", de Frank Jorge, e "Proteção", de Humberto Effe e Dé, poderiam ganham as FMs, se estas não fossem tao viciadas em esquemas fáceis de programação corruptível. O repertório do Hojerizah é revisitado na nova versão para "Dentes da frente". "Tudo que vai", que ficou conhecida após ser incluída no "Acústico MTV" do Capital Inicial, mantém seu arranjo de balada, momentos mais 'calmos' do disco. "Calígula Freejack" se encerra com "Carne e osso" regravação do Picassos Falsos.  

            O álbum produzido e lançado pelo selo de Dado Villa-Lobos, a Rockit!. O projeto gráfico é simples, mas bastante completo, traz letras, ficha técnica e muitas fotos. "Calígula Freejack" teve uma repercussão mediana. O potencial radiofônico do álbum não foi explorado e as boas canções chegaram aos ouvidos de poucos.

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quinta-feira, 11 de julho de 2013

V.A. "Festival Demo Sul - ao vivo" (Braço Direito Records, 2003)


             O Festival Demo Sul acontece desde 2001 na cidade de Londrina/PR. Desde então, todos os anos Marcelo Domingues, organizador do evento, corre atrás de patrocinadores para trazer nomes importantes nacionais e internacionais, além de bandas de destaque regional que completam a escalação aguardada com ansiedade pelo público da região norte paranaense.

          As primeiras edições do Demo Sul eram comemoradas com uma coletânea das bandas participantes. A terceira edição caprichou na seleção e traz o atrativo de reunir gravações ao vivo retiradas das apresentações no festival.

               São ao todo 15 bandas de várias partes do Brasil e estilos diversos. 6 bandas são de Londrina, como os veteranos do Cherry Bomb, ótimos em "Super bonder fixed heart", Mudcracks, Espíritos Zombeteiros e The Tosco Dudes, esta com um curto e pesado surf music de "O cemitério das lulas assassinas". Completam a parte local as bandas o skacore do Primos da Cida e o G.A.F.

               O disco abre com a esperada volta da Patife Band em duas canções emendadas, as até hoje inéditas em disco "Pigs & Blaaarghhh!" e "The Big Stomach". Segue com a divertidíssima "Vomitaram no trem" na versão porrada do Garotos Podres. Outra banda do tipo 'diversão garantida' é o quinteto goiano Hang the Superstars com "Cramp's", sujo e barulhento.

            O trio Los Pirata traz o surf/jazz "Shirley Sala 3", presente no primeiro disco "En una onda neo punque". O psychobilly é representado pelo quarteto curitibano Kráppulas e a canção "Escape from hell". Os paulistanos do Starfish 100 trazem um pouco de indie-guitar para o CD em "Talk to me", guitarras no talo.

           Outras bandas selecionadas: rock-hard-blues instrumental do Maquinaria, o sexteto carioca Stereo Maracanã, e os paulistanos garageiros psicodélicos do Continental Combo, um destaque na coletânea, com a bela "Vítimas da Op-Art".

            "Festival Demo Sul - ao vivo" foi lançado pelo selo londrinense Braço Direito com apoio da Secretaria de Cultura de Londrina. O projeto gráfico em formato digipack traz um encarte com 14 páginas com fotos das bandas em ação e informações sobre o festival. Um trabalho bastante caprichado.

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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Suba "São Paulo Confessions" (MCD, 1999)


          Suba é o nome como ficou conhecido no Brasil o produtor Mitar Subotić. Originário da Sérvia, Suba se mudou para o Brasil em 1990, depois de vindo para o país para um curso de três semanas sobre ritmos afro-brasileiros em 1986, se apaixonou pela terrinha e pela produção musical nacional.

         Pesquisador de produção de música eletrônica, Suba conquistou espaço na produção de trilhas para desfiles, teatro e músicas para televisão e rádio, algo que por aqui ainda estava caminhando. Montou seu estúdio e produziu muita gente. Assinou de discos de prestígio como "Pierrot" da Marina Lima, "Benzina" de Edgard Scandurra, "Clubbing" de Edson Cordeiro, "Silêncio" de Arnaldo Antunes, "Fuá na casa de Cabral", do Mestre Ambrósio, além de discos menos conhecidos como o primeiro solo de Dinho Ouro-Preto, "Janela dos sonhos", da Taciana, trabalhou também com Hermeto Pascoal e André Geraisatti. Em 1994 montou junto com o guitarrista Fábio Golfetti o Angel's Breath, banda que deixou um disco.

        "São Paulo Confessions" é o único álbum de Suba. Traz 12 canções em 61 minutos, todas com convidados especiais, pessoas com quem Suba já havia trabalhado anteriormente. O disco abre com "Tantos desejos" parceria de Suba com Taciana e que no disco recebeu voz da estreante Cibelle e bateria do veterano João Parahyba. "Abraço" tem voz de Arnaldo Antunes e guitarra de Edgard Scandurra. Outros bons momentos estão em "Na neblina (In the fog)" e "Samba do gringo paulista", este um electrosamda com cavaco conduzido por Roberto Frejat, por sinal, Gringo Paulista era a forma como Suba era chamado na cidade de São Paulo.
Imagem retirada da Internet (autor desconhecido)

        "São Paulo Confessions" é um trabalho pioneiro, lançou bases para a produção da MPB no novo século, ao misturar música eletrônica com música ambiente e orgânica, também é precursor por se tratar de um disco de produtor, algo raro no mercado de discos brasileiros.

         O álbum recebeu excelentes críticas  e foi citado por Robert Dimery no livro "1001 discos para ouvir antes de morrer", de 2005. Lançado pelo próprio selo de Suba com distribuição nacional pela MCD, o disco também recebeu edição nos Estados Unidos, Japão e Europa.

         Mitar Subotić morreu num incêndio em seu estúdio enquanto trabalhava no álbum "Tanto tempo" de Bebel Gilberto. Era 2 de novembro de 1999. Suba tinha 38 anos e estava com "São Paulo Confessions" pronto para ser lançado.

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terça-feira, 9 de julho de 2013

Cassim & Barbária (BNS Sessions/Midsummer Madness, 2009)



          Um EP de 5 canções foi o primeiro registro do quinteto de Florianópolis/SC Cassim &  Barbária. A banda é formada por veteranos músicos catarinenses e paranaenses, como o vocalista de guitarrista Cassim, ou Cassiano Fagundes, que na capital do Paraná fez parte de bandas importantes do underground nacional como Magog e Bad Folks, completam a banda músicos do Pipodélica e Ambervisions, duas das principais bandas da capital catarinense.
      
       Em 20 minutos a banda mostra habilidade para composições e belos arranjos distribuídos em 5 canções. "That old spell" é o  'quase hit' do quinteto, também é a canção que abre o álbum, groove pesado e vocais em falsete de Cassim e XuXu. "A minute ago" fecha o EP, balada cheia de barulhos psicodélicos. Barulhos que, por sinal, habitam o disco todo, conduzidos pelo ambervisionário Zimmer.

        Lançado pelo selo norte-americano BNS Sessions, com distribuição nacional pela Midsummer Madness, o EP traz projeto gráfico simples e vem embalado numa capa do tipo envelope com arte de Luciane Stocco, faz falta um encarte para companhar as letras, todas em inglês. 

             O EP teve uma boa repercussão. No ano seguinte ao lançamento, Cassim & Barbária partiram para o sonho de toda banda, tocar fora do Brasil, o caminho escolhido pela banda foram as terras norte-americanas. E assim o fizeram, o resultado está no DVD "Na estrada, no estúdio", que registra a passagem da banda pela terra do Tio Sam. De volta à terra natal, o quinteto gravou um novo disco lançado pelo selo Monstro Discos. Todo o material do Cassim & Barbária está à venda nos sites dos selos Midsummer Madness e Monstro Discos.

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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Beach Lizards "Spinal Chords" (Orphan Records, 1996)


         
             A banda surgiu em 1988 com o nome de DOI-Codi. No final de 1991 mudaram o nome para Beach Lizards. "Spinal chords" é o segundo disco do quarteto, hardcore de pés ficados no guitar noise com espaço para melodias pop, sempre com letras em inglês, como era de costume nas bandas do rock alternativo brasileiro dos anos 90.

         Depois dos bons resultados obtidos com o primeiro disco, "Brand New Dialog" de 1994, o Beach Lizards caiu na estrada e tocou em muitas capitais e festivais importantes, antes do primeiro álbum a banda foi uma das atrações na primeira edição do lendário festival Juntatribo, ocorrido na cidade de Campinas/SP em 1993. 

         "Spinal chords" abre com o surf music instrumental "TCP", cover para  banda inglesa The Boys, porém, sem os vocais, surf music é uma característica estética do Beach Lizards que já estampou páginas da revista de esportes Fluir, especializada em surf. Logo surgem outras canções com outras levadas, um psycho-punk em "Till death do us part" e em "Alabama Tenebris", composição de Donida, regravada pelo Matanza em 2012 no álbum "Thunder Dope", mas com o nome de "Alabama Death Tenebris". Tem um lado acústico presente em "Break fast". O hardcore dá as caras nas belas "Brand new dialog", bem no estilo Fear/DK, e "Lonesome times", esta mais melódica e uma das melhores do álbum, assim como "Junkie man".

          A primeira edição de "Spinal Chords" foi lançada pelo selo carioca Orphan e esgotou-se rapidamente, assim como acontecera com o primeiro disco, lançado pelo selo Polvo. Em 2003 o selo curitibano Barulho Records relançou "Spinal Chords" com 14 faixas bônus, incluindo 4 canções retiradas do programa College Radio da Fluminense FM de 1992. E mais músicas pinçadas de quatro demo tapes da banda. Porém, a arte do relançamento não é a mesma da edição original, a capa foi recriada por Donida.

        O Beach Lizards foi a banda que inaugurou o templo do underground carioca e brasileiro, o lendário Garage, local onde também abriram o show do Buzzcocks em sua primeira turnê brasileira, de 1996. No ano seguinte a banda encerrou atividades, deixando alguns shows esporádicos e comemorativos para os anos seguintes. Com sorte ainda podemos pegar algum.

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