quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Arthur Franquini "When Loneliness fucks you up..." (Slag, 2002)




               Egresso do posto de baterista do então trio Forgotten Boys, banda com a qual gravou o primeiro disco, Arthur Franquini não largou de vez as baquetas, mas, resolveu dividi-las com os vocais e arranjos para suas novas composições. Assim surgiu o disco duplo “When loneliness fucks you up...” que como o próprio nome sugere traz canções sobre solidão, amor, garotas e paixões platônicas.

Revista RockPress
              O álbum se divide em duas partes. O disco 1, gravado no ano de 2002 em Buenos Aires, traz Arthur na bateria e vocais, sendo acompanhado por amigos membros do Killer Dolls e da gravadora No Fun Records, é um disco mais cru e punk rock, “Perfect girl” tem guitarra surrupiada de “Looking for a kiss” do New York Dolls, “Don’t shoot me down” lembra Replacements, e outras referências sempre surgem. Tem covers de John Fogerty, “Almost Saturday night”, e “Lost highway” de Leon Payne, esta com um solo de guitarra slide muito legal!

         O disco 2 gravado em 2001 no estúdio El Rocha, em São Paulo, traz Maurício Takara na execução de todos instrumentos e dividindo a produção junto com Fernando Sanches e o próprio Arthur Franquini. É tão rock’n’roll quanto à gravação argentina, mas, a produção mais aprimorada deixou o disco mais 'limpo', o piano também ajudou a desacelerar os arranjos. Tem belas baladas, tais como “You” e “Dreaming of you”, com os vocais de Daniel Ganjaman. “Can you love me?” foi pinçada do primeiro álbum do Forgotten Boys. Os covers deste lado ficaram para “Angels in my arms”, do Jacobites e “Girl in black” do Dogs D'amour.

          O projeto gráfico é simples, feito em duas cores não traz nada além da lista das canções e ficha técnica de cada disco. Lançado pelo selo paulistano Slag Records, “When loneliness...” teve uma boa repercussão, na resenha ao lado Carlos Lopes (aka Carlos Vândalo) declara sua satisfação ao ouvir o álbum e enaltece suas influências declaradas de pré-punk rock nova-iorquino e outras referências de rock barulhento e, quase sempre, sujo. Arthur Franquini não deixou registros posteriores, suicidou-se em abril de 2005, ao se atirar do 11º andar de um hotel da capital paulista. Arthur tinha 27 anos.

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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Elton Medeiros "Mais Feliz" (Leblon Records, 1995)


                  O 15º disco deste veterano, e um dos mais importantes compositores brasileiros, reúne 15 canções de Elton Medeiros com alguns de seus grandes parceiros, dentre eles: Cartola, Ana Terra, Hermínio Bello de Carvalho, Sergio Ricardo, Eduardo Gudin, Carlinhos Vergueiro, Décio Carvalho, Afonso Machado, Regina Werneck e Paulinho da Viola. Ufa! Isso para ficarmos apenas nas parcerias presentes em “Mais feliz”, afinal, durante seus atuais 83 anos de vida Elton Medeiros já dividiu momentos de composição com Zé Keti, Paulo Vanzolini, Maurício Tapajós e mais um sem número de outros compositores que fazem parte da bela história do samba.

                         Relatar a importância de Elton Medeiros para a música brasileira renderia mais um sem número de parágrafos e uma coleção de adjetivos, além de espaços para contar parte de suas viagens e participações em festivais nas décadas de 60 e 70. Entretanto, ficamos apenas com este registro fonográfico da década de 90. “Mais feliz” traz uma coleção de sambas com o elegante registro vocal de Elton, no qual destacam-se as belas letras noturnas e tristes, “Folhas no ar”, “A mesma estória” e “Minha confissão”.

                          Há também as instrumentais “Um tema para Tom” e “Improviso brasileiro”. O grupo que acompanha a execução é formado só por feras. Nas letras esperançosas e, como o próprio título afirma, mais felizes, o coro das vozes de Cristina Buarque, Miúcha, Bee e Monica Rangel dão o apoio, como em “Quando amanheceu” e “Folha virada”. Em “Coração deserto” Elton faz dueto com Regina Werneck, também autora da letra. No frevo “Virando pó” o dueto é com Patrícia Megalle.

                       O álbum lançado apenas em CD pelo selo carioca Leblon Records tem projeto gráfico caprichado, traz todas as letras e um belo texto de apresentação de outro gigante das artes do Brasil, Mário Lago (1911-2002). Um trabalho realizado com esmero de um nome para o qual todas as reverências ainda não dão conta de sua grandiosidade.

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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Los Pirata "En una onda neo-punque..." (Independente, 2004)


O primeiro disco deste trio paulistano mistura punk rock, surf music e jazz em alta velocidade com bom humor e um ‘portunhol’ tão inconfundível quanto inclassificável. São 17 canções que raramente ultrapassam dois minutos, além de algumas vinhetas.

O álbum abre punk rock com “Nada” e segue com algumas preciosidades como a empolgante “Batechica”, o country-surf-instrumental “Country hell”, e as divertidas “Tema de Lopsi” e “A mi me gustan las hamburguesas” – letra fantástica, ótima como aula de español para iniciantes! “Xa la la” e “Maldito verano” ganharam vídeo clipes, sendo que este fora desenhado por Laerte, animado pela Abdução Produções, provavelmente seja um dos melhores clipes de banda independente nacional.

Lançado pela própria banda, “En uma onda neo-punque...” teve uma excelente repercussão, motivada bastante pela presença de palco e pela experiência do trio enquanto músicos, impecáveis. O projeto gráfico é simples e eficiente, todo feito em preto e branco, traz letras e fotos e não tem ficha técnica, o disco recebeu uma edição posterior com os clipes.

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domingo, 27 de janeiro de 2013

Objeto Amarelo "Panzertunel" (Bizarre, 2002)





Lá nos idos anos 2000 um tipo de produção de música e gravações chamava a atenção da mídia especializada. Entrava em cena os home-studios e programas de edição que facilitavam a vida de quem produzia canções e discos e que agora poderia fazer isso sem sair de casa ou desprender de uma grande quantidade de dinheiro.

Um dos produtores caseiros que atraiu a atenção da mídia e público era o músico e artista plástico paulistano Carlos Issa e seu projeto, uma one-man-band chamada Objeto Amarelo. “Panzertunel” é o terceiro registro da ‘banda’, um disco com 38 canções curtas, algumas vinhetas, de sonoridade tão estranha quanto os títulos, “Aaaz”, “Dix”, “e;a”, “Humanidade Carlos Issa”, para ficar em alguns. É um trabalho completamente experimental e anti comercial, ainda que algumas canções tenham ganhado clipes e podem ser consideradas como ‘hits’ (hã?) do álbum, tais como “Draga” e “Não anda”. Algumas poucas canções têm letras, mas, de tão abstratas, não comunicam nada. É um tipo de música livre, porém traz reminiscências que vão desde Hermeto Paschoal a Fugazi. Tão difícil de explicar quanto entender. Enfim, um trabalho sem precedentes.

“Panzertunel” foi gravado no Estúdio Amarelo e finalizado no El Rocha, traz algumas participações: Marcelo Fusco, Rafael Lain, Marina Pontieri, entre outros. O projeto gráfico em completa sintonia com o álbum todo também é obra de Carlos Issa. O disco foi lançado pelo selo paulistano Bizarre Music e teve uma repercussão positiva, o Objeto Amarelo era figura sempre presente nas páginas do caderno Ilustrada da Folha se S. Paulo no período e ganhou espaço em outras publicações especializadas, contudo, nem todas foram elogiosas ao trabalho da banda-experimental-de-um-homem-só.

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sábado, 26 de janeiro de 2013

Valv "The Sense of Movement" (Midsummer Madness, 2004)




O primeiro e aguardado disco do quarteto mineiro formado por membros de bandas conhecidas do underground da época, como Vellocet, Dreadfull, Mr. Rude e No Hands, foi um dos discos celebrados do ano de 2004. Antes de “The sense of movement” o selo carioca Midsummer Madness havia lançado, em CD-r, o EP “Ammonite” com 6 músicas, incluindo uma regravação do The Cure.

“The sense of movement” tem 12 canções todas de autoria da banda e com letras em inglês. O som é puro indie-rock-guitar de bandas barulhentas inglesas e do underground norte-americano, naturalmente observa-se ecos de Sunny Day Real Estate, Swervedriver e My Bloody Valentine. É um álbum bastante inspirado e bem produzido, alia perfeitamente melodia e barulho, abre calmamente com “God” que guarda um belo solo noise de guitarra. Segue com “Middle english” que também alia versos mais tranquilos para guardar o peso para o refrão. A faixa título tem a participação de Fernanda Takai nos vocais e foi produzida por John Ulhoa e Valv. Outra participação feminina é Marina Gomes, que empresta a voz para “From east to West”. Vale a pena conferir também as canções “Between the knees” e a acústica “Rhyme royal”. O álbum encerra com músicas mais acessíveis, pop mesmo, tais como “Puck and the needle”, “These ironic days” e “One eyed king”.


O disco teve uma boa repercussão, muito por conta da participação da banda no grande festival South By Southwest, em Austin-Texas, em 2003, junto com as bandas mineiras PexbaA e Radar Tantã, isso deu uma notoriedade para o Valv e rendeu um documentário, “Barulho na rua 6: Bandas brasileiras invadem o Texas”, produzido pela produtora mineira Motor Music, que organizou a ida das bandas para o festival. Outra participação do Valv em evento importante aconteceu na primeira edição do Curitiba Pop Festival, em 2003, foram vendidas mais de 100 cópias do EP “Ammonite” nesta ocasião.

Lançado pela Midsummer Madness, “The sense of movement” logo teve sua tiragem inicial esgotada, seguiu-se mais uma prensagem em parceria com o selo paulista Pisces Records, e ainda pode ser encomendado no site piscesrecords.com.br. O projeto gráfico é bastante caprichado com todas as letras, foto e ficha técnica.

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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Astronauta Pinguïm "Petiscos: sabor churrasco" (Pineapple Music, 2004)




Fabrício Carvalho, mais conhecido como Astronauta Pingüim, é um gaúcho alucinado por equipamentos antigos, não só isso, ele é colecionador e profundo conhecedor de teclados, órgãos, principalmente Moog, este sim, quase um motor de sua paixão pela música.

“Petiscos: sabor churrasco” é o primeiro disco do Astronauta Pingüim, aqui são revisitados 10 clássicos do rock gaúcho em versões turbinadas pelos teclados e órgãos de Pingüim. O resultado é como pegar velhos hits e transformá-los em easy listening, ou música de elevador, ou música de churrascaria, como queira. Imprescindível afirmar que todas as versões dão em bons resultados, os arranjos, em sua maioria, continuam os mesmos, mas agora pontuados pelas harmonias dos teclados e timbres malucos produzidos pelo Astronauta Pingüim, e lá vai “Lugar do caralho” de Júpiter Maçã, “Nunca diga” de Frank Jorge - com participação do próprio no baixo, “Sandina” de Jimi Joe – com participação do mesmo na guitarra, “Estou amando uma mulher” do Cascavelletes, “Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo” de Wander Wildner, “Amor e morte” de Julio Reny, “Epilético” do Doiseu Mindoisema, um clássico despretensioso de Diego Medina que tornou-se hit perdido numa fita k7 rara, “Amônia” de Plato Divorak, “Melissa” do Bidê ou Balde, e outras...


Em quase todas as músicas há a participação de Regis Sam se dividindo entre guitarras e loops de bateria programada, Regis também assina a produção em conjunto com Pinguim, a masterização ficou a cargo de Luiz Calanca. “Petiscos: sabor churrasco” levou 4 anos para ser produzido, a ideia inicial era revisitar outros clássicos do rock gaúcho, que incluiria de Almondegas a Engenheiros do Hawaii. Lançado pelo selo do próprio Astronauta Pingüim, o álbum tem projeto gráfico caprichado, traz ficha técnica, fotos ilustradas e uma capa irreverente, assim como o disco.

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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Mario Bortolotto & Ked's "Cachorros Gostam de Bourbon" (Independente, 1998)




 O dramaturgo, diretor, compositor, dentre outros ofícios, também blueseiro de ocasião, Mário Bortolotto gravou com a banda Ked's seu primeiro disco, "Cachorros gostam de Bourbon". Essencialmente blues, mas, com espaço para outros rocks, o álbum traz 14 canções cujas letras impagáveis funcionam como narrativas de um cotidiano caótico, não obstante, a interpretação de bêbado-às-cinco-horas-da-manhã de Mário Bortolotto deixa o álbum muito divertido.

"A produção foi total "do it yourself". A gente não tinha grana nenhuma, aí alguns amigos que tocavam em bandas de Londrina (Duda Victor, Lincoln Andrade, Marcelo Leite e Pena) se juntaram pra gravar esse disco comigo. O Linkão tinha um desses gravadores de fitas cassete de 8 canais tosco pra caralho, e a gente gravou o disco inteiro nele, exceto as bateras que tiveram que ser gravadas em estúdio. Os vocais eu gravei no banheiro de casa. Aí depois de pronto e mixado, a minha mulher na época (Christine Vianna) que é também produtora descolou uma grana pra prensagem"

            O título “Cachorros gostam de Bourbon” já indica que trata-se de um disco temático, sempre surge um cão na história, álcool e mulheres também. A canção título abre o álbum e recebeu os vocais de Neuza Pinheiro. “Enjaulado blues” tem letra de banda psychobilly sobre crimes em família e vida na prisão. “Garota legal”, de Dimas Gimenez e Augusto Silva, deixa o blues de lado e acelera para mostrar que toda garota pode ser legal, mesmo que não encontre fácil um ‘canal’ nem faça sexo anal. Em “Alguém em Blumenau se livrou de mim” há uma melancolia forjada sobre o abandono e corações partidos, o solo de saxofone cortando a madrugada é de Vanderley Ruiz. Outros destaques são “BR 369”, o punk rock “Walking on the city” e o ska “Jony Blue”.
 
         "Eu já tinha a maioria das músicas e vivia tocando elas sozinho em alguns lugares, os amigos conheceram e ficaram a fim de gravar. As exceções foram "Cachorros gostam de Bourbon" que eu tinha apenas o título e queria que o disco tivesse esse título. Então, rabisquei uma letra e num sábado à tarde que a gente tava em Rolandia, já gravando o disco, o Linkão pegou o violão e começou a tocar um blues e aí eu fui cantando a letra em cima da harmonia que ele tava fazendo. Outras exceções do disco são "Garota Legal" que é uma parceria do meu saudoso amigo Dimas Gimenez com o grande poeta Augusto Silva. O Augusto vivia cantando essa música nos botecos sempre que tava bêbado e eu gostava pra caramba dela. Tem também "Isso vai virar uma grande sacanagem" que é só uma letra que eu vou falando em cima da levada "John Lee Hooker" que os caras da "Broto com Radith do Tio Pepe" tocaram (essa música depois virou a "Putaria" da nossa banda "Saco de Ratos" e tá no nosso primeiro CD). A parceria é com meu amigo Silvio Demétrio, mestre da slide guitar e grande jornalista. Tem também a "Jony Blue" que é uma parceria minha com o baixista Marcelo Leite. Essa também não tinha música e ele fez uma, assim como "Walking on the city" que eu nem imaginava uma música pra ela e um dia o Marcelo me aparece com ela musicada. As outras são todas músicas que fiz sozinho. Eu não lembro quem batizou a banda com o nome "Ked's". Acho que foi o Duda. A banda não tinha nome e se não me engano, o Duda apareceu com essa idéia. Durante a gravação a gente chamou alguns amigos pra participar: a grande cantora Neuza Pinheiro, o violinista Flavio Costa e o pianista Marcos Scolari que tocaram em "Naked Christine", o Rodrigo Amadeu (que é o "Cheiroso" da banda Cherry Bomb que tá morando em Londres), o Marcos Papazoglou que é o "Grego" e que toca guitarra em algumas faixas, o Vanderley Ruiz que é um soldado de Rolandia (não sei se é ainda) e que tocou sax em duas músicas, o Humberto que era o guitarrista do Cherry Bomb e que tocou em "Jony Blue". E tem o Silvio Rabone que toca bateria em "Garota Legal" e "Enjaulado Blues". O Marcio, irmão do Marcelo, toca bateria nas outras faixas, mas, quem tocava nos shows era o Pulga que toca gaita no disco"
 



"A repercussão deste disco foi inesperada. A gente fez o trampo na brodagem e na diversão e nas condições mais precárias. Não esperava nenhum tipo de repercussão. Me surpreende que até hoje aparecem pessoas que vem falar do disco comigo. Dia desses mesmo um cara veio falar pra mim o quanto gosta do disco e que ele é um dos seus preferidos. Além de Londrina, só tocamos em Curitiba. Foi uma iniciativa do meu amigo, o baixista Rubens K que na época morava na capital. Ele armou o show lá pra lançar o disco e como a gente não tinha condições financeiras de levar a banda de Londrina, ele convocou uma pá de amigos músicos de Curitiba que tiraram todas as músicas e a gente fez dois shows por lá. O primeiro foi muito bom, mas, na época eu não tinha nenhuma noção de respiração pra cantar e perdia a voz com muita facilidade. A gente ensaiou dois dias antes do show e eu castiguei a voz. Não tinha a manha de economizar nos ensaios. Aí teve o primeiro show e eu acabei de detonar. No segundo, a voz não saía. Foi um desastre".
 
O álbum recheado de particpações especiais foi gravado em 8 canais numa fita K7, em Rolândia-PR, foi lançado de maneira independente com apoio da Secretaria de Cultura de Londrina. O projeto gráfico é simples, mas, traz todas as letras, ficha técnica e foto de parte do Ked’s numa loja de conveniência.

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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Trap "Buy" (J-Bird Records, 1998)



               “Buy” é o terceiro registro da banda paulistana Trap, projeto do compositor e multi instrumentista Jonny, pseudônimo de Alexandre Patriarca. Neste álbum foram gravadas 10 canções com letras em inglês e executadas por um quinteto, outras duas foram retiradas de uma apresentação do Trap num SESC paulistano em 1997, num projeto chamado SESC Babel Project. Todas as letras são em inglês, exceção para “f.d.p.” e percebe-se uma forte influência das bandas do underground norte-americano do começo dos anos 90.
Bizz, edição 160, novembro de 1998
             Lançado em CD pelo selo norte-americano J. Bird Records, especializado em vendas pela internet, “Buy” não teve uma grande repercussão nacional, apesar de garantir uma boa distribuição, afinal, o disco era facilmente encontrado nos catálogos de selos e distribuidoras de discos independentes nacionais do período. O projeto gráfico é simples, com destaque para a capa que estampa uma cartela de ácido, traz poucas informações, não há letras, foto ou ficha técnica.

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Flu “No Flu do Mundo” (YB Music/Selo Instituto, 2003)


O segundo disco de Flávio Santos, mais conhecido como Flu, segue a linha iniciada com “... e a alegria continua” (Matraca/Trama, 1999) de trazer experimentos sonoros essencialmente instrumentais nos quais o baixista do DeFalla domina vários instrumentos e assina a produção das canções com convidados.

Em “No Flu do mundo” são 13 canções inéditas, a maioria de autoria própria, gravadas entre Porto Alegre e São Paulo - na capital paulista com o auxílio do coletivo Instituto -, participam também o rapper De Leve, o veterano produtor de música eletrônica Paulo Beto (aka Anvil FX), o ex-guitarrista de DeFalla 4nazzo, e outros. Os destaques ficam para as instrumentais e viajantes “Cidra e cigarrinho”, “Madrecita” e “Rei do mundo”, autoria de Tonho Crocco na voz de Flu. Um trabalho de música eletrônica, mas carregado de referências da MPB, de samba e bossa nova, ouça a sequência “Também” e “A vez do Brasil”.


O álbum foi lançado pelo selo paulistano YBrazil Music e produzido por Flu mais o coletivo Instituto. O projeto gráfico é muito legal, encarte recheado com ilustrações de Allan Sieber, traz informações sobre todas as faixas e ficha técnica.

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domingo, 20 de janeiro de 2013

Muzzarelas "Maledetos" (Da Laranja ao Caos, 2005)


                  O 5º disco do lendário quinteto punk rock hardcore de Campinas-SP Muzzarelas é uma homenagem às bandas do underground brasileiro, principalmente do interior paulista, com as quais o Muzzarelas dividiu palcos, viagens, páginas de zines e roubadas de todo tipo.

             A maior parte das 16 canções de “Maledetos” foi tirada de demo tapes ou da memória dos integrantes, afinal, poucas das bandas homenageadas chegou a gravar um álbum próprio, muitas nem sequer entraram em alguma coletânea do período. Na mão do Muzzarelas quase tudo virou punk/hc e lá se foram ‘clássicos’ locais do I.M.L., No Class, Happy Cow, Lethal Charge (da época em que se chamavam Ofense), Concreteness, Linguachula, Kangaroos in Tilt, Gonorrocos, e outros retirados dos discos do D.F.C., Beach Lizards, Arthur Franquini (1978-2005) é lembrado na versão de “There she goes again”. O projeto gráfico é ilustrado com as caveiras, monstros e zumbis do baixista Daniel Etê, também traz informações sobre a duração das bandas escolhidas e curtos comentários sobre suas canções.


         “Maledetos” presta seu tributo à época em que as bandas do interior de São Paulo inventaram o underground nacional para os anos 90, na verdade, talvez tenha sido a primeira vez que o underground brasileiro tenha sido inventado, afinal, foi o tempo dos dois festivais Juntatribo, Campinas 1993 e 1994, que provaram para público e mídia que havia um novo rock nacional que pouco, ou nada tinha relação com o que vinha dos anos 80, mais livre, descompromissado e divertido. O Muzzarelas fez parte disso. Estes ‘maledetos’ cometeram um belo registro!

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sábado, 19 de janeiro de 2013

Caracol - João de Bruçó & R.H. Jackson (Independente, 1989)






Retirado da revista Bizz

Um disco completamente atípico na discografia brasileira. Essencialmente experimental, o projeto que uniu o guitarrista e produtor R.H. Jackson com o percussionista João de Bruçó, sob o nome de Caracol, não tem precedentes, são 8 temas instrumentais que poderiam funcionar como trilhas de um filme que nunca foi realizado.

Retirado da revista Bizz (resenha: Alex Antunes)



 
 O álbum é fruto de pesquisa e experimentação em estúdio. “Das matas” tem samples de vozes de cantos tribais sobrepostas à percussão de João e navalhadas da guitarra de Jackson. Noutros momentos há estéticas musicais mais conhecidas como o samba “Terra batida” e o baião bucólico em “Dona Rôxa”. Não há como destacar uma canção, pois, a natureza do projeto não carrega elementos de música popular, ainda que o hibridismo de instrumentos orgânicos e eletrônicos nos dê características de produções do pós punk e da no wave – aqui elevadas ao extremo.
          

Totalmente produzido pela dupla – quem arriscaria por no “mercado” um disco tão anticomercial? – o álbum tem projeto gráfico bastante interessante, com ilustrações de traços infantis de Luana e Rebeca, foto, ficha técnica e encarte com frases de Walter Smetak, John Cage, Eric Satie, Robert Fripp, entre outros, a contra capa traz uma frase de apresentação feita por Walter Franco, uma referência clara para o Caracol. Após este disco a banda deixou outro registro na coletânea "No Major Babes Vol. 2", também produzida por R.H. Jackson.

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Periferia SxAx (Red Star Recordings, 2005)




         Periferia S.A., é a banda formada pelos fundadores do Ratos de Porão, Jão (vocal de guitarra), Jabá (baixo) e Betinho (bateria), no começo da década de 80 na Vila Piauí, subúrbio da capital paulista. A banda se formou nos intervalos de atividadades do Ratos de Porão e antes de chegar ao nome de Periferia S.A.

As letras são muito boas e a interpretação de Jão não deixa nada a desejar, das 18 canções, 4 foram escritas para o Ratos de Porão original de 1982 (“Devemos protestar”, “Não sei”, “Destruição” e “Somos vítimas”), outras duas são regravações de The Zeros  e (“Reality” Chron Gen). As demais 12 canções são inéditas, amaioria das letras foram escritas por Jão, e as músicas pelo trio. Os destaques ficam para “Tinguá”, para quem gosta de encher o cú de cachaça, a vinheta de abertura é muito divertida; “Fissura”, pros viciados; “A farsa do entretenimento” sobre televisão e manipulação das vontades do povo, e “Padre multimídia”, sobre os mercenários da fé que além de explorarem os fiéis na igreja, também inundam rádios, gravam discos, escrevem livros... o mesmo tema ressurge em “O ataque das testemunhas de jeová”.
Periferia SxAx na ocupação Prestes Maia, São Paulo-SP,m abril de 2007 (Foto: Mateus Mondini)

O disco foi produzido impecavelmente por Heros Trench  e Marcello Pompeu, do Korzus. Lançado em CD pelo selo paulistano Red Star e em LP pelo selo alemão Dirty Faces. O projeto gráfico é bastante caprichado, com todas as letras, ficha técnica, fotos e ilustrações de Daniel ET, o autor da capa.

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

V.A. "Novos Sons Fora do Eixo vol. 1- Breve leitura do pop de Curitiba" (De Inverno Records/Jornal Estado, 2002)



No dia 20 de dezembro de 2002 o Jornal do Estado trouxe um presente para seus leitores, tratava-se da coletânea “Novos sons fora do eixo vol.1” um disco com 18 bandas de Curitiba que buscava atualizar a produção musical da capital paranaense para o novo milênio.

A coletânea começa bem com o Criaturas emulando Mutantes e outros sixties em “O homem mosca”, arranjo elaborado com direito a solo de violino, guitarras bem sacadas e a bela voz de Xanda Lemos. Na mesma onda retrô surge os incendiários Faichecleres com “Metida demais” praticamente um hit da noite local e de bares movimentados da época, como Birinites e Empório.


O trio Os Catalépticos é o único representante do psychobilly local na coletânea, também uma das poucas bandas do compilado a ter disco próprio. Primal... e Mecanotremata também trazem peso a seleção, heavy-industrial e eletrônico-experimental. Porém, experimental mesmo é o trabalho do Poli, projeto de música instrumental de músicos criativos que até tentaram se esconder atrás de um projeto despretensioso, não conseguiram e “Depois de 7 meses” é a melhor canção da coletânea.

Edith de Camargo e seu Wandula entram com “Love tears”, texturas delicadas sob voz e piano, melancólico e bonito. OAEOZ rouba o título do último disco do Mutantes (de novo eles?), mas fica por aí, “Frente fria” traz melancolia na letra e refrão de arrepiar. Loxoscelle mostra um bom resultado guitar-pop em “Dead trip”.
      
      De pop, mesmo, tem o Poléxia e seu pop rock “Lábio rachado” que poderia fazer parte de qualquer programação de rádio, um dos destaques da coletânea. O Sofia faz referência direta às baladas de estrada do REM em “Tarde”. Syd Vinicius, Vadeco e os Astronautas e Cores D Flores fazem um som mais assimilável aos ouvidos, mas as letras e interpretações passam despercebidas frente aos outros nomes. O veterano Zigurate apresenta “Sombras” e mostra porque a banda sempre foi relacionada com o som gótico dos anos 80 - alguém aí falou Siouxsie & The Banshees?

Trabalhos mais calcados em MPB e regionalismo são representados pelo Trio Quintina e Fato, “Jarubeira” e “Valadares”, respectivamente. Tem rap também com Davi Black em “Aí ladrão”, mas a produção desta deixa a desejar.

Lançado em parceria com o selo local De Inverno Records, a coletânea atingiu bons resultados, a tiragem do Jornal do Estado neste dia se esgotou rapidamente. O jornal concorrente, Gazeta do Povo, aproveitou a ideia e lançou no ano seguinte uma série de quatro coletâneas que captavam segmentos da música pop curitibana, devido ao grande número de bandas participantes o projeto se perdeu numa seleção repleta de bandas fracas. Melhor resultado teve “Novos sons fora do eixo vol.1”. (Obs: Ficou só no volume 1, mesmo)

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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A Grande Trepada (Big Trep) "Meia-Noite Insana" (Independente, 2003)



              "Meia-noite insana" é 3º disco de uma das mais tradicionais bandas do psychobilly e rockabilly brasileiro, A Grande Trepada, ou, para os íntimos, Big Trep.

      O álbum traz 15 canções e apesar de ser de uma banda notadamente psychorock'a'billy, também abre espaço para flertes com surf music e ritmos rápidos e dançantes. O disco abre psychobilly com “Rockabilly Zumbi”, “Meia-noite insana” (com gritos de Ana Bandarra) e “Poção 13 do amor”, segue mais dançante em “Céu negro”, “Trem” e “Quando o gato sai de férias”, esta última mais surf music e também uma das melhores do álbum. O neo-rockabilly aparece em “Rainha dos corações”, “Entre a porta e o chicote” e “No espelho o bobo da corte”.

            Há também novas versões para “Rockterapia” do mestre do neo rockabilly brasileiro Eddy Teddy, “Janie Jones”, saída do primeiro álbum do The Clash (sempre é bom ouvir versões rockabilly para canções do The Clash!), “Teenage depression” clássico ‘pub rock’ do Eddie & The Hot Rods, e “Missão impossível”, versão em português para a canção do Batmobile.

         Produzido e lançado pela própria banda (leia-se Eduardo ‘Eddie Bopper’ Garcia e Maurício ‘Mauk’ Garcia) “Meia noite insana” tem projeto gráfico simples e eficiente, traz ficha técnica letras e ilustrações de Eddie Bopper, inclusive para a capa na qual o trio aparece como zumbi perdidos numa noite insana.


          O fato de não haver uma divulgação nacional dos lançamentos do estilo faz com que os lançamentos do psychobilly nacional sejam pouco conhecidos, a distribuição também fica limitada e somente as pessoas que acompanham o cenário psychobilly conhecem ou tem acesso aos discos. Com os álbuns d’A grande Trepada não é diferente, mas alguns podem ser adquiridos com a banda em seus shows. Se aparecer algum aí por perto, não perca!

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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Ação Direta "Entre a Bênção e o Caos" (Pecúlio Discos, 1997)


                 O 3º disco da lendária banda hardcore do ABC Paulista Ação Direta é também um dos mais importantes registros em disco do hardcore brasileiro. Impecável em suas 14 canções, “Entre a benção e o caos” se destaca na discografia da banda, o som é hardcore nervoso com boas letras, temas sociais relevantes executados por uma banda de pegada precisa, aqui não tem balada, nem descanso, é tudo com raiva mesmo. Todas as letras e arranjos e arranjos são de Gepeto (vocal), Marcus (guitarra) e Marcão (bateria e percussão).


                O disco abre com uma pequena citação incidental do piano de “Imagine”, de John Lennon, e cai na canção título, hardcore rápido que dá mostras do que vem pela frente. Questionamentos sobre o poder explorador da religião são temas de “Deuses, dogmas e a violência” e “Miséria: mercado alvo”. A inspiração no New Model Army rendeu “A natureza humana” letra sobre a construção histórica do preconceito conduzida pelo arranjo de percussão e violão, “Ao seu alcance” e a instrumental “17 de abril”. “Ciclo vicioso” abre com o vocal inconfundível de Mau, do Garotos Podres, e letra sobre concentração de terras na mão de poucos, escravização da mão-de-obra camponesa e latifúndios improdutivos. No hardcore “Fábrica de ilusões” Gepeto divide os vocais com Borella, do F.D.S. e Social Chaos. A única não composta pelo Ação Direta é “The darkness” versão para música do Terveet Kadet.


                   Produzido pela banda em parceria com Boka e Manoel Cruz, o álbum foi um dos primeiros lançamentos do selo Pecúlio Discos, propriedade de Boka, também recebeu edição em vinil. O projeto gráfico é bem produzido com sobre ilustrações de Vitor Meireles e Pedro Américo, traz todas as letras e ficha técnica.


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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Miriam Batucada "Alma da festa" (RIC, 1991)



       “Alma da festa” é o segundo e último disco da sambista paulistana Miriam Batucada. Traz 10 canções, sambas em sua maior parte, mas abre espaço para flertes com outros estilos. Entretanto, é um disco irregular e se perde numa produção ruim, arranjos sem criatividade e repertório fraco.

Miriam Batucada era descendente de italianos e representante daquele samba sincopado de Moreira da Silva e Germano Mathias, também trazia em sua gênese o samba paulistano de origem africana de Geraldo Filme.

Gravou pela primeira vez em 1968, um compacto pelo selo independente Rosenblit com a canção “Batucando na mão”.  Ao mesmo tempo era uma artista livre e chamou a atenção de Raul Seixas que a convidou para participar do álbum coletivo “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das 10”, de 1971, que reuniu Raul Seixas, Sérgio Sampaio, Edy Star e Miriam Batucada. Neste disco cada um dos quatro cantou duas canções, as músicas eram separadas por vinhetas, foi um trabalho bastante inovador e conduzido pelo inquieto Raul Seixas influenciado pelos discos “Freak Out!” (1966) do Mothers Of Invention, de Frank Zappa, e “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band” (1967), dos Beatles. Este disco é rodeado de lendas, mas, o consenso é que “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista...” não teve boa repercussão na época e não rendeu reconhecimento aos seus participantes. O que também não impediu a uma jovem Miriam Batucada de cantar e se fazer acompanhar com o batucar de suas mãos, vieram convites para shows e em 1973 um compacto produzido por Raul Seixas com a canção “Diabo no corpo”.

“Alma da festa” abre o Lado A com a melhor canção do álbum, “Samba nipônico”, samba com letra de Celso Viáfora que narra a história de três imigrantes japoneses e sua saga de sobrevivência na capital paulista. Segue com o bom forróck “Carro de polícia”, de Cesar Brunetti, e o samba exaltação que dá título ao álbum, contudo “Alma da festa” está mais para samba lamentação se for levado em consideração a trajetória de Miriam Batucada e seu derradeiro álbum. Outras canções até chamam atenção, mas se perdem na produção irregular de Márcia Carvalho (Marcix) e nos arranjos baseados no teclado de Otavio Basso, o som de karaokê chega a atrapalhar a audição, vide “A desquitada” e “Hay que tener”. “Salve a rainha” tem letra inspirada na vida e obra de Chico Mendes e presta-lhe homenagem.

Lançado pelo desconhecido selo paulistano Rede Independente de Comunicações Ltda (RIC), o álbum não teve boa repercussão, muito menos tirou Miriam Batucada do ostracismo em que permanecera durante a década anterior. Miriam Batucada morreu dois meses depois de Sérgio Sampaio, em 2 de julho de 1994, foi encontrada pela no seu apartamento, no bairro de Pinheiros em São Paulo/SP, pela sua irmã, 21 dias após sucumbir a um enfarto fulminante. Com exceção de uma coletânea de sucessos, nenhum outro trabalho de Miriam Batucada recebeu lançamento em CD, as canções deste “Alma da festa” só existem neste LP.

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domingo, 13 de janeiro de 2013

Irmãos Panarotto "Chamando chuva" (Independente, 2012)




             O segundo disco da dupla formada pelos irmãos Roberto e Demétrio Panarotto, metade do Repolho, traz 16 canções irreverentes e malucas. A produção de Marcelo Birck, que também assinou a produção do primeiro disco, “2violão e 1balde”, de 2004, deixa “Chamando chuva” como um disco dos Irmãos Panarotto junto com o próprio Birck, afinal, há uma similaridade entre os trabalhos dos envolvidos, até mesmo pelo longo contato que a dupla mantém com o multi-instrumentista e produtor gaúcho. Para Demétrio, “trata-se de um disco dos Panarotto, mas tem muito do Birck também, isso é o mais legal do projeto, pois permite um diálogo intenso entre os participantes para que o resultado fique o mais bacana possível. Além disso, temos muitos pontos em comum com o Marcelo Birck, nós vemos um disco como chance de usar os recursos existentes no momento, não apenas para captar o áudio, mas, sim para interferir naquilo que foi gravado. Aí o disco é muito “cinema”: mesa de montagem, edição e corte, sempre buscando a estética da desconstrução dos lugares comuns na música, em especial na música brasileira”, afirma.

          “Chamando chuva” foi gravado em Porto Alegre em janeiro de 2010, contudo, ficou engavetado esperando lançamento até outubro de 2012, segundo Demétrio Panarotto “a demora em mandar o disco para a fábrica se deu porque “Chamando chuva” ficou maturando em barris de carvalho (risos). Tem vezes que esperar o lançamento ajuda, pois permite uma reavaliação do que foi gravado”, diz o compositor da maioria das músicas do álbum.

         O álbum tem canções curtas, nenhuma passa dos dois minutos, cheia de misturas de barulhinhos eletrônicos com instrumentos orgânicos, além de instrumentos de brinquedo. As letras são divertidas assim como as interpretações doentias, tente não rir ao ouvir “Eu gosto de pagode” ou “Caetano baile funk”, outros destaques ficam para “Marchinha dos pobrema”, a balada de amor “Sertamesmo”, "Escorregando nos Ére” e “Caçador de lontra”, esta, parceria com Marcelo Birck, que no disco participa com algum instrumento em quase todas as canções, até mesmo num oboé artesanal.

         “Chamando chuva” foi lançado pela própria banda, tem um projeto gráfico com fotos e ilustrações bastante interessantes, mas não contém as letras. No youtube há um making of das gravações no qual é possível observar o processo de construção das canções em estúdio.

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sábado, 12 de janeiro de 2013

Motormama "Carne de Pescoço" (Kaskavel Music, 2003)



O quinteto de Ribeirão Preto-SP, anteriormente conhecido como Motorcycle Mama, aprontou um belo registro em seu primeiro disco, “Carne de pescoço”. Com 13 canções melodiosas, o álbum carrega um jeito indie-rock-caipira, como eles mesmos gostam de se definir, tem baterias eletrônicas, orgânicas, barulhinhos perdidos, teclados bem sacados e o dueto vocal de Gisele Z e Régis Martins, que também é autor das letras.

Revista Zero
        
As letras trazem temas abstratos e alguns mais próximos de pensamentos nefelibatas adolescentes, “Adeus Maluco” e “Sujeito honesto”, por exemplo. há momentos mais pesados, “Cosmorama” e “Me enterrem em Asunción”. Outros destaques são a instrumental “Carne de pescoço”, o rockabilly “Saliva quente/motormama latitude 666” e mais “Rota Caipira (anhanguera folk song)”, “Mestiço Rock’n roll” e “Nazitrekkers”, que podem ser considerados como hits do Motormama.

“Carne de pescoço” foi lançado pelo próprio selo da banda, Kaskavel Musik, com distribuição do selo carioca Midsummer Madness. O projeto gráfico não traz letras das canções e se limita a fotos do Motormama e breve ficha técnica.

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Elektra "Elektra's infernal meetin'" (Antidoto, 1993)




                  Um LP maxi-single com três músicas é o único registro do Elektra, quinteto de Porto Alegre que reuniu dois músicos e produtores com características bastante particulares na música, Edu K, guitarrista e vocalista do DeFalla e Egisto Ophodge (aka Egisto 2 aka Egisto Dal Santo), guitarrista do Colarinhos Caóticos. Some-se ao quinteto Xicone Inocix (bateria), Izak Malak (baixo) e Fabinho Seeliga (guitarra).

Bizz, edição 80, março de 1992
                 As três canções são bastante pesadas, mas guardam suas esquisitices, nada poderia ser muito convencional saindo da cabeça caótica do letrista Egisto e das composições da banda. "Go away" é thrash metal crossover com letra em português, "Infernal meetin'" um thrash noise infernal rápido e pesado, "War inside my head" é regravação hardcore da canção do Suicidal Tendencies. Toda esta quantidade de peso, ainda não absorvido pelos integrantes em seus projetos principais, talvez seja resultado da aproximação do Elektra com a lendária banda porto-alegre de thrash metal Leviaethan, que por sinal cedeu o equipamento para o Elektra registrar este EP.

                 O álbum gravado em 1991 foi lançado pelo selo Antídoto somente em 1993, o projeto quase não teve repercussão, o EP Maxi single de 12 polegadas passou despercebido até mesmo na própria discografia dos seus participantes. O projeto gráfico é eficiente, traz informações na contracapa e foto da banda como quarteto (?). Não contém encarte, nem letras. Este disco existe unicamente em LP.

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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Mauricio Pereira & Turbilhão de Ritmos "Canções que um dia você já assobiou - vol. 1" (Lua Music, 2003)



            A voz de Maurício pereira é bastante conhecida de campanhas publicitárias em TV e Rádio, um ofício paralelo à sua especialidade: a música. Maurício Pereira também é conhecido como o multi saxofonista da 'segunda menor big band do mundo', Os Mulheres Negras, no qual faz dupla com André Abujamra. "Canções que um dia você já assobiou" é seu terceiro disco solo e como o próprio título induz, trata-se de um trabalho não autoral, são versões de músicas bastante populares, daquelas que estouraram no rádio e que acertadamente você já cantarolou por aí.

             No álbum, gravado ao vivo no Auditório do Itaú Cultural de São Paulo, Maurício é acompanhado pelo Turbilhão de Ritmos, excelentíssimo quinteto de músicos que já tocaram com meio mundo da música brasileira.

             "Canções que um dia você já assobiou" é um trabalho de reverência e irreverência, o repertório é bem escolhido e pega o ouvinte, quem se incomodaria em ouvir novamente "O amor e o poder", sucesso brega da Rosana, ou "Se non avessi più te", clássico na voz de Gianni Morandi. O álbum ainda traz surpresas na versão 'pesada' para a "Iracema", de Adoniran Barbosa, na latinidade de "Marcianita", hit de Sérgio Murilo, elo perdido entre os primórdios do rock brasileiro e a Jovem Guarda, e na beleza de "Universo do teu corpo", de Taiguara. E tem mais sucessos de Tim Maia, Erasmo Carlos, Nilton César, Dalto, Guilherme Arantes, Antonio Marcos... algumas você pode até nem gostar, mas sabe a letra inteira,. afinal, música popular não serve para isso?

            O disco foi lançado pelo selo paulistano Lua Music com o apoio de patrocinadores. O projeto gráfico é completo, traz toda as letras, fotos, ficha técnica, apresentação e longos agradecimentos. A arte composta pela empresa de consultoria em comunicação R4 tem total relação com a natureza do projeto. um disco para deixar tocar, garanto que sua mãe não vai se incomodar.

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