quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

V.A. "Novos Sons Fora do Eixo vol. 1- Breve leitura do pop de Curitiba" (De Inverno Records/Jornal Estado, 2002)



No dia 20 de dezembro de 2002 o Jornal do Estado trouxe um presente para seus leitores, tratava-se da coletânea “Novos sons fora do eixo vol.1” um disco com 18 bandas de Curitiba que buscava atualizar a produção musical da capital paranaense para o novo milênio.

A coletânea começa bem com o Criaturas emulando Mutantes e outros sixties em “O homem mosca”, arranjo elaborado com direito a solo de violino, guitarras bem sacadas e a bela voz de Xanda Lemos. Na mesma onda retrô surge os incendiários Faichecleres com “Metida demais” praticamente um hit da noite local e de bares movimentados da época, como Birinites e Empório.


O trio Os Catalépticos é o único representante do psychobilly local na coletânea, também uma das poucas bandas do compilado a ter disco próprio. Primal... e Mecanotremata também trazem peso a seleção, heavy-industrial e eletrônico-experimental. Porém, experimental mesmo é o trabalho do Poli, projeto de música instrumental de músicos criativos que até tentaram se esconder atrás de um projeto despretensioso, não conseguiram e “Depois de 7 meses” é a melhor canção da coletânea.

Edith de Camargo e seu Wandula entram com “Love tears”, texturas delicadas sob voz e piano, melancólico e bonito. OAEOZ rouba o título do último disco do Mutantes (de novo eles?), mas fica por aí, “Frente fria” traz melancolia na letra e refrão de arrepiar. Loxoscelle mostra um bom resultado guitar-pop em “Dead trip”.
      
      De pop, mesmo, tem o Poléxia e seu pop rock “Lábio rachado” que poderia fazer parte de qualquer programação de rádio, um dos destaques da coletânea. O Sofia faz referência direta às baladas de estrada do REM em “Tarde”. Syd Vinicius, Vadeco e os Astronautas e Cores D Flores fazem um som mais assimilável aos ouvidos, mas as letras e interpretações passam despercebidas frente aos outros nomes. O veterano Zigurate apresenta “Sombras” e mostra porque a banda sempre foi relacionada com o som gótico dos anos 80 - alguém aí falou Siouxsie & The Banshees?

Trabalhos mais calcados em MPB e regionalismo são representados pelo Trio Quintina e Fato, “Jarubeira” e “Valadares”, respectivamente. Tem rap também com Davi Black em “Aí ladrão”, mas a produção desta deixa a desejar.

Lançado em parceria com o selo local De Inverno Records, a coletânea atingiu bons resultados, a tiragem do Jornal do Estado neste dia se esgotou rapidamente. O jornal concorrente, Gazeta do Povo, aproveitou a ideia e lançou no ano seguinte uma série de quatro coletâneas que captavam segmentos da música pop curitibana, devido ao grande número de bandas participantes o projeto se perdeu numa seleção repleta de bandas fracas. Melhor resultado teve “Novos sons fora do eixo vol.1”. (Obs: Ficou só no volume 1, mesmo)

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