quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Unique Salad Musique (Independente, 2012)




Unique Salad Musique é o novo projeto de Renê Bernuncia, ex-baterista do Boi Mamão e Sugar Kane, que decidiu compôr e gravar sozinho, com a presença de alguns convidados especiais, as 12 canções do álbum, que como o próprio nome indica, traz uma sala musical única.

Em seu próprio estúdio, o Playa Rock Xpercience em Bombinhas-SC, Renê criou os arranjos e gravou baixo, guitarra, teclado, percussão e bateria, sua especialidade, tanto que é facilmente observável que se trata de um álbum de baterista. Todas canções são instrumentais, com vozes de tribos indígenas e aborígenes sampleadas, não contém letras, as vozes funcionam como parte da sonoridade criada. Tem canções mais pesadas e que lembram algumas passagens do Boi Mamão, como acontece em "Véia ranzinza" e "Se folga", outras com fusões de rock com reggae, música eletrônica e orgânica, que dão origem a uma música livre, bem de acordo com as referências musicais de Renê que vão de rock progressivo, The Police, Hermeto Pascoal, Os Trapalhões e World Music. Outros destaques ficam para o reggae "Os tiras", com participação de Sérgio Soffiatti, voz e baixo, e para o belo arranjo de "Vacacciones... Ekpetacular".

O projeto gráfico é autoria de Alexandre Capilé, vocalista e guitarrista do Sugar Kane, que também participa com os vocais de "Harmonic Flu". Para conhecer um pouco mais deste trabalho, segue abaixo uma entrevista com Renê Bernuncia pro Disco Furado:


1. Como surgiram as 12 canções do Unique Salad Musique?
Comprei um baixo há 3 anos atrás, para substituir minha vontade de tocar bateria durante o verão, pois sempre a desmontava em novembro e apenas podia voltar a tocar em abril (pós temporada, um sofrimento) isso tudo por ainda não possuir o estúdio. Foi neste momento que começou a surgir minhas primeiras notas (ritmos com melodia que abriram um universo musical fantástico na minha cabeça). Desde o começo gostei muito do resultado e comecei a produzir um som no programa Guitar Pro (montando a bateria, guitarra e baixo no mouse), dois anos depois "ganhei" uma guitarra do Vini Zampieri (ex-guitarra do Sugar Kane) - digo ganhei, pois agora brinco que já é usucapião. No ano passado gravei aproximadamente 100 músicas/experimentações, conhecendo e aprendendo sobre a relação de cada instrumento com o outro e montando o que seriam minhas músicas. Neste período tudo foi gravado em 04 canais e em fita K7. No final do ano comprei um Mac, e isso mudou minha vida, daí comecei a escolher quais as músicas iria gravar. Havia decidido gravar 12, mas estavam em "retalhos”, apenas com partes, mas coladas, mas ainda sem as "pontes", meio e fim. Foi tudo um grande desafio, pois, sou baterista e sempre acompanhei os outros, fazia o ritmo, mas nunca me envolvia com harmonia e melodia! E neste ano estudei e pratiquei sem parar desde abril. Cheguei a fazer 4 pré-produções antes de gravar pra valer.


2. Quanto tempo levou para gravar o álbum? 

Uma semana no mês de agosto (de 2012). Numa segunda-feira, final de tarde, comecei com as baterias, na terça-feira foram os baixos, de quarta até sexta-feira de manhã foram as guitarras  - o que foi legal, pois “coloriram” o som. De sexta-feira à tarde até sábado de manhã fiquei na função do computador. E no mês de setembro, fiquei pesquisando e editando todos os samplers em casa, compondo e tocando os teclados. Adorei ticar durante meses, quer fazer mais álbuns!

3. Depois de participar de duas bandas importantes do cenário independente brasileiro, como foi compor, gravar e produzir um álbum sozinho?

Foi uma experiência muito louca! Adorei materializar o EU em música. Sou um músico que amo tocar, posso passar o dia todo tocando e nem me dou conta. Ainda mais agora que sou "triatleta" (03 instrumentos). Minha esposa teve que me aguentar ausente, pois sou bem metódico e não teria outra forma de finalizar o projeto. Só a parte de memorização foi um super empenho.
Mas, tanto o Boi Mamão quanto o Sugar Kane estão estampados no meu som. Foram minhas duas maiores escolas - o Boi Mamão mais doidão em termos de criação livre, e o Sugar Kane mais "roquista". Tenho muito a agradecer por poder ter participado das duas bandas. Às vezes ainda penso se fiz tudo isso...  um grande sonho! Uma grande dificuldade de fazer todo o trampo sozinho é não ter opinião alheia e a falta da "sinergia" entre parceiros de banda.


4. Existe alguma chance do Unique Salad Musique se tornar uma banda e fazer shows ou os experimentos em estúdio não funcionarão ao vivo?

Com certeza, o que mais gosto de fazer é tocar e vai rolar, pelo menos um.  Já estou programando para com um ou no máximo dois músicos para fazer ao vivo, quero "brincar" com telões comigo tocando os instrumentos, mas o que vou realmente fazer ao vivo será na bateria, terei o auxilio do computador e será bem doido.


Quer ouvir? Download aqui!

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