segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Miriam Batucada "Alma da festa" (RIC, 1991)



       “Alma da festa” é o segundo e último disco da sambista paulistana Miriam Batucada. Traz 10 canções, sambas em sua maior parte, mas abre espaço para flertes com outros estilos. Entretanto, é um disco irregular e se perde numa produção ruim, arranjos sem criatividade e repertório fraco.

Miriam Batucada era descendente de italianos e representante daquele samba sincopado de Moreira da Silva e Germano Mathias, também trazia em sua gênese o samba paulistano de origem africana de Geraldo Filme.

Gravou pela primeira vez em 1968, um compacto pelo selo independente Rosenblit com a canção “Batucando na mão”.  Ao mesmo tempo era uma artista livre e chamou a atenção de Raul Seixas que a convidou para participar do álbum coletivo “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das 10”, de 1971, que reuniu Raul Seixas, Sérgio Sampaio, Edy Star e Miriam Batucada. Neste disco cada um dos quatro cantou duas canções, as músicas eram separadas por vinhetas, foi um trabalho bastante inovador e conduzido pelo inquieto Raul Seixas influenciado pelos discos “Freak Out!” (1966) do Mothers Of Invention, de Frank Zappa, e “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band” (1967), dos Beatles. Este disco é rodeado de lendas, mas, o consenso é que “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista...” não teve boa repercussão na época e não rendeu reconhecimento aos seus participantes. O que também não impediu a uma jovem Miriam Batucada de cantar e se fazer acompanhar com o batucar de suas mãos, vieram convites para shows e em 1973 um compacto produzido por Raul Seixas com a canção “Diabo no corpo”.

“Alma da festa” abre o Lado A com a melhor canção do álbum, “Samba nipônico”, samba com letra de Celso Viáfora que narra a história de três imigrantes japoneses e sua saga de sobrevivência na capital paulista. Segue com o bom forróck “Carro de polícia”, de Cesar Brunetti, e o samba exaltação que dá título ao álbum, contudo “Alma da festa” está mais para samba lamentação se for levado em consideração a trajetória de Miriam Batucada e seu derradeiro álbum. Outras canções até chamam atenção, mas se perdem na produção irregular de Márcia Carvalho (Marcix) e nos arranjos baseados no teclado de Otavio Basso, o som de karaokê chega a atrapalhar a audição, vide “A desquitada” e “Hay que tener”. “Salve a rainha” tem letra inspirada na vida e obra de Chico Mendes e presta-lhe homenagem.

Lançado pelo desconhecido selo paulistano Rede Independente de Comunicações Ltda (RIC), o álbum não teve boa repercussão, muito menos tirou Miriam Batucada do ostracismo em que permanecera durante a década anterior. Miriam Batucada morreu dois meses depois de Sérgio Sampaio, em 2 de julho de 1994, foi encontrada pela no seu apartamento, no bairro de Pinheiros em São Paulo/SP, pela sua irmã, 21 dias após sucumbir a um enfarto fulminante. Com exceção de uma coletânea de sucessos, nenhum outro trabalho de Miriam Batucada recebeu lançamento em CD, as canções deste “Alma da festa” só existem neste LP.

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