domingo, 28 de outubro de 2012

Os Ambervisions "Cada dia Mais a Mesma Coisa" (Monstro/Migué, 2001)


           O quarteto catarinense de surf music Os Ambervisions se deu muito bem na sua estreia em disco. Depois da elogiada demotape "Várias" e performances imperdíveis do frontman com maracas Guilherme Zimmer a banda entrou no estúdio e registrou 13 canções em sua grande maioria instrumentais que podem ser caracterizadas como surf punk.


           "Cada dia mais a mesma coisa" abre com a instrumental "O segredo da múmia" e segue com a divertida "Motorista de domingo". "Chá das 5", "Pão c/ Ovo" e "O Rei Elvis" têm letras, e das boas, destaque para "O Rei Elvis", autoria de Eduardo Xuxu. Outro homenageado pel'Os Ambervisions é o cultuado cineasta trash José Mojica Marins, "Zé do Caixão" reaproveita o refrão do tema de Coffin' Joe. 

      O álbum foi lançado numa parceria dos selos Monstro Discos e Migué Records, de Goiânia e Florianópolis, respectivamente. O projeto gráfico traz uma divertida capa do tipo propaganda enganosa, afinal os caras d'Os Ambervisions são feios de doer, ficha técnica e um release do disco como encarte, não há letras. A tiragem inicial esgotada há muito tempo aguarda reedição.

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sábado, 27 de outubro de 2012

Satan's Pray "Satan is Love" (Silvia Music, 2001)


Os integrantes do quarteto brasiliense Satan’s Pray escondem seus verdadeiros nomes sob pseudônimos, na verdade, sabemos que se tratam de figurinhas conhecidas das bandas Macakongs 2099, Abhorrent e Os Cabeloduro.

           “Satan is Love” é seu único disco, um petardo rápido e nervoso de 10 canções. As letras versam na maioria das vezes sobre manipulação da fé cristã e temas anti religiosos que poderiam até fazer parte de um álbum de black metal. Tem letras em português e inglês, os destaques ficam para "Satan's pray", "Meio século de merda" - que comemora os 500 anos de descobrimento -  e "Direto pro inferno". As músicas são curtas, poucas ultrapassam os dois minutos. A última faixa "Souless Symptomatic Coward" esconde mais de 20 minutos de trotes telefônicos dos integrantes do Satan's Pray para programas da Igreja Universal no rádio, é muito divertido, o Pastor Luciano ficou esperto depois dos vários tipos de pegadinhas. Por outro lado, dá impressão que o disco foi feito só para encaixar estes trotes, pois o tempo total das músicas é menor que o tempo de bônus.

A gravação deixa muito a desejar, o vocal do tipo "esganiçado" de Mater Tenebrius  (o Podrinho?) soa incompreensível e enterrado sob os riffs destorcidos da guitarra de Asmodeu e pela cozinha pesada de D.J. Soul (Phú do Macakongs 2099) e El Santiago Satanico.

O projeto gráfico é bastante completo e caprichado. Em duas cores, traz fotos, letras e ficha-técnica, a impagável foto de Mike Tyson na capa foi surrupiada da agência Reuters. "Satan is love" foi lançado pelo selo do Phu, Silvia Music, com o disco a banda tocou no festival  brasiliense Porão do Rock em 2001 e 2002.

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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Maskavo Roots (Banguela, 1995)


                Numa das primeiras aparições do septeto brasiliense Maskavo Roots na mídia especializada a legenda de uma foto chamava a atenção, dizia: "Um jeito hardcore de fazer reggae", a mistura de gênero, seguida à risca pelo Bad Brains, funciona para apresentar o Maskavo Roots. Ainda assim soa limitada para dar conta dos vários elementos que compõem o primeiro disco da banda que traz 15 canções com ska, reggae e ritmos latinos com os dois pés fincados no rock'n'roll.

                O álbum abre como reggae pesado "Chá preto", o teclado de Quim em primeiro plano constrói um belo arranjo. Segue com o ska "Gravidade" com destaque para o backing vocal de Joana Lewis (conhecida atualmente como Joana Duah) que também joga mel na sopa em "Blond problem". "Tempestade" é o hit do disco, tem uma boa letra sobre desastre natural, mas cheia de esperança, foi regravada pelo Pato Fu no álbum "Televisão de Cachorro". "Escotilha" entrou na trilha sonora da novela Malhação.
               
Bizz, edição 117, abril de 1996
                
             A sequência da canções facilita a curtição do disco e mostram uma segurança rara em primeiros álbuns de bandas independentes brasileiras. As letras, quase todas em português, são um ponto alto, boas letras em reggae nacional é raro! "Don Genaro" e "Best mole" são divertidas, enquanto "45" esconde diálogos de um jovem e sua arma pronta para mandar bala em quem o incomodar. "Los grilos" é instrumental e "Yo no quiero trabajar" foi retirada da demotape de 1993. O disco poderia ter rendido grandes sucessos de rádio, pois as canções trazem aquela acessibilidade pop que agrada aos ouvidos, mas infelizmente não foi isso o que aconteceu.

              Maskavo Roots, o álbum, foi gravado em 23 dias no segundo semestre de 1994, lançado pelo selo Banguela e produzido por Carlos Eduardo Miranda e Nando Reis. Editado em CD, LP e K7, teve uma excelente repercussão na mídia especializada e mereceu até um raro relançamento na série Arquivos Warner, em 2006. O projeto gráfico é caprichado com fotos de Rui Mendes, todas as letras e ficha técnica. Volta e meia este disco é relembrado como um dos melhores da década de 90. Um clássico da MPopB!

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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Walverdes "Anticontrole" (Monstro Discos, 2001)


           O terceiro disco do Walverdes, sem contar as fitas K7 e EPs, marcou a passagem da banda de um quarteto para um power trio esporrento e alçou os gaúchos a um público  maior.

Revista Frente, edição 02
        O álbum de 11 canções próprias abre com a faixa título. "Anticontrole", que dá boas mostras dos elementos que compõem as demais músicas: cozinha pesada e segura somados a riffs distorcidos de guitarra e vocais de Gustavo "Mini" Bittercourt que parecem saídos de um megafone, "Anticontrole" ganhou videoclipe repleto de imagens de arquivo. Segue com "Tudo está no seu lugar" um stoner rock que só pode ser feito por quem ouviu os bons discos do Black Sabbath. outros destaques fazem de "Anticontrole" um puta disco, tais como: "Viajando na AM", "Mesmo assim" e "Novos adultos", esta última tem uma letra muito boa, difícil não concordar com com o relato do encontro de jovens que só conseguem falar sobre trabalho, vêem a Bossa Nova como a grande descoberta recente e se acham 'muito cool', pau neles! Boa parte das letras carregam rebeldia e soam como desabafos contra a pasmaceira contemporânea e o excesso de bom-mocismo, casam bem com 'paulêra' sonora do trio.

          "Anticontrole" foi o segundo lançamento da banda pelo selo Monstro Discos, antecedido pelo EP "90º", e teve uma excelente repercussão, com este trabalho a banda tocou em vários festivais pelo Brasil, incluindo um excelente show primeira edição do Curitiba Pop Festival, em 2003.

         O projeto gráfico por conta da produtora Parafuso.com traz fotos sem nitidez da banda ao vivo, letras e ficha técnica. "Anticontrole" teve sua tiragem inicial esgotada em poucos meses e desde então permanece fora de catálogo. Como a própria banda recomenda, ouça no volume máximo!

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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Os Pedrero "Cavera Y Macaco" (Läjä Records, 2004)


             O terceiro disco do quarteto punk rock mais exageradamente belo da constelação Läjä Records é também um dos discos mais divertidos do gênero gravado no Brasil, daqueles para curtir bebendo com acompanhado dos amigos, ou sozinho, é diversão garantida!


Ilustração por Pietro Luigi (Banheiro Selvagem Comics)
             O álbum abre com "Cavera y macaco" uma porrada crua de três notas que acompanha os berros de Mr. Rotten Wine e As Pedretes Inda e Breda Maclaine. Temas apaixonados dedicados as meninas surgem em "Ritalina", "Cadê Você (Benê Alves cover)" e "Cuide de mim", com os vocais "doces" de Tonny Powzer. Outra garota surge em "Shirley Maclaine", uma mulher muito lôca que deu um "hit" pr'Os Pedrero. 



             "Rock falido" é mais pesada, troque a tríade sexo, drogas & rock'n'roll pelo duo cachaça e punk rock e chegará bem perto do que essa canção propõe, foi regravada em 2011 no EP "Fuck Emo Kids" do Sugar Kane e recebeu um belo clipe do tipo "TV Party" do Black Flag. "Roberto Carlos Allin" cria uma figura de dupla personalidade, um misto de Rei das donas de casa, caminhoneiros, taxistas - ...ih, isto vai longe - com o anti herói da juventude falecido em 1993, os solos noise de guitarra nunca mais foram executados da mesma forma na qual estão registrados aqui.

             O projeto gráfico é completo com todas as letras, ilustrações e comentários sobre as composições escrita à mão pelo Mr. Rotten Wine (aka Fábio Mozine), além de fotos dos integrantes e dos personagens Cavera Y Macaco, que também ilustram a capa que batizam.

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domingo, 21 de outubro de 2012

Ortinho "Ilha do Destino" (Elo Music, 2002)


Ortinho abandonou sua ex-banda, Querosene Jacaré, em 1999, no ano seguinte já estava em São Paulo e iniciando a produção de seu primeiro disco solo. Talvez o próprio título do álbum faça referência à metrópole que abrigou a produção de "Ilha do Destino".

       A banda que acompanha Ortinho traz músicos experientes e de muita qualidade, isso garante a "Ilha do Destino" uma boa execução das 12 canções. A banda conta com Paulo Lepetit (baixo), Marcelo Jeneci (piano), Guilherme Kastrup (percussão e programações) e Adriano Pessoa (guitarra), além de músicos adicionais e participações especiais em quase todas as canções, todas autorias de Ortinho.

O disco abre com a classuda “Alto Zé do Nada” que empresta o nome do bairro de Recife conhecido por seu grande índice de violência, e que já havia sido cantado no punkrock/hardcore “Alto Zé do Pinho” do Devotos (do Ódio) para contar mais uma história de um personagem que sofre nas ruas e procura algum jeito de alimentar seu sofrimento, que é viver, Vange Millet divide os vocais.  "Cego da guia" recorre ao tema dos problemas sociais urbanos, miséria e fome, ambientada em Recife, Simone Soul toca bateria. "Faquir (o romance de Paulo Victor)" tem Zeca Baleiro nos vocais. "Ciranda de lia" é uma das mais belas canções do álbum, traz apenas os violões de Swami Jr e o trombone do veterano Bocato. "Na beira da praia" tem a participação de Chico César na guitarra, "Procurando Dum Dum" é uma parceria com Junio Barreto e tem a participação do mesmo. "O engano do humano" é parceria com Arnaldo Antunes e Antônio Risério. A única não inédita é "Sangue de Bairro", a mais pesada do disco, parceria de Ortinho com Chico Science & Nação Zumbi e que está presente no segundo disco da banda, "Afrociberdelia"

       “Ilha do Destino” apresentou mais um nome a nova geração de talentosos compositores brasileiros. Da parte musical do disco, Ortinho não se distancia das "raízes" pernambucanas que conheceu e promoveu com o Querosene Jacaré, mas soube diluí-las num trabalho que alterna momentos musicalmente mais voltados às influências regionais com arranjos eletrônicos que apresentam outras características do compositor e intérprete. O álbum foi lançado pelo selo paulistano Elo Music e teve uma repercussão mediana, gradativamente é redescoberto. O projeto gráfico é caprichado, traz todas as letras e    minuciosa ficha técnica, a produção é de Guilherme Kastrup e Swami Jr.

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sábado, 20 de outubro de 2012

Primal... "Coré-etuba" (Independente, 2003)


O quarteto curitibano Primal... cometeu um bom disco de Industrial/Metal em “Coré-etuba”, seu único disco.

O álbum tem 10 canções, todas com letras em inglês, algumas mais pro lado do Industrial, “Downwards inferno” e “The walk of ants”, outras mais heavy metal, “Mournful cries of a many thousand working man” e “Myopia”. Umas passagens de “Scorn” lembram Helmet e o clima sombrio e pesado que toma o disco traz como referência direta o Killing Joke.

“Coré-etuba” foi todo gravado em Curitiba no Solo Studio de Victor França, que também gravou as baterias e mixou o disco, a masterização foi realizada por Julian Barg. O projeto gráfico é simples e tem poucas informações além da ficha-técnica, as ilustrações de Arthur de Braschi traz imagens com vários usos para um esmeril, ferramenta que o Primal... levou aos palcos enquanto esteve em atividade.

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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Soviet American Republic (SAR) "Join the Mess or Leave the Town" (Devil Discos, 1988)


SAR é a forma abreviada do nome Soviet American Republic, um quinteto psychobilly  paulistano cultuado entre o restrito público do gênero. O SAR teve a atitude pioneira de fazer letras em inglês numa época em que poucas bandas brasileiras se arriscavam no idioma bretão. A maneira de cantar bastante peculiar do vocalista Nikki Nixon mostrava completa sintonia do SAR com os grandes nomes do psychobilly mundial, tais como Guana Batz, Meterors e Demented Are Go.

Bizz, edição 42, janeiro de 1989
O álbum traz 12 canções psycho com aquelas referências herdadas pelo estilo: surf music, punk rock, demência... Os destaques ficam para o country’a’billy “Festus the farmer” com a participação de todos os animais da fazenda,  e as divertidas “Syphilis” e “Never trust a Guy named Bruce”, também há dois temas instrumentais: “Martians Go home” e “The Soviet American Attack!!!”.

            “Join the mess or leave the town” é o único registro em disco do SAR, lançado pelo selo paulistano Devil Discos apenas em LP, o álbum não teve reedições. O projeto gráfico é completo, traz todas as letras, ficha técnica e fotos integrantes. A capa e contra-capa tem ilustrações de Paulo H. (Biff) que chamam bastante a atenção, na capa zumbis psycho fundam a Republica Soviética Americana, numa época de guerra fria a provocativa imagem ganha um forte significado. O álbum é um dos raros registros dos primórdios do psychobilly nacional.

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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

João Erbetta "The L.A. Sessions" (Monga Records, 2008)


Também conhecido como Paco Garcia, o guitarrista e vocalista do Los Pirata João Erbetta aproveitou os shows e a gravação do segundo disco de sua banda nos Estados Unidos, em 2008, para registrar seu primeiro disco solo.

 “The LA Sessions” traz 11 canções instrumentais, 10 são autorias próprias, cujos temas passeiam entre surf music, country, rockabilly, entre outros. É um disco de guitarrista, mas sem excessos virtuosísticos que transformam estas obras numa "punhetagem". O álbum abre com o surf punk “Viva Waimea!”, com a mesma pegada surge uma versão sensacional para “Tico Tico no Fubá” de Zequinha de Abreu, perfeita! Outras canções parecem saídas de trilhas de filmes de faroeste, é o caso de “South American girl”, “Oil Man” e “The dog and the squirrel”, há também rockabilly com “Road to Minneapolis” e “Malibu nightmare”.

“The LA Sessions” foi lançado pelo desconhecido selo Monga Records, o projeto gráfico é simples e com poucas informações, o CD vem embalado num envelope vermelho cuja capa traz uma imagem do tipo marca d’água de João Erbetta. Um dos poucos e bons discos brasileiros de surf music instrumental.

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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Smack "3" (Midsummer Madness, 2008)



             
             Eis que o quarteto pós-punk paulistano Smack ressurgiu ao disco com um EP de inéditas após mais de 20 anos desde “Noite e dia”, segundo LP da banda lançado pela Baratos Afins em 1985.

             “3” é um SMD com 5 canções. O terceiro registro do Smack abre com “Se você”, letra de Arnaldo Antunes com vocais revezados entre Pamps, Edgard Scandurra e Sandra Coutinho. “Qu’est-ce que tu pense” tem letra em francês composta e interpretada por Pamps. A divertida ”Excomungado”, também de Pamps, brinca com fonemas e cita advertências do papa com relação à práticas sexuais. “Tempo, tempo, tempo” beira os 7 minutos, composição de Edgard Scandurra interpretada pelo próprio.

  O álbum foi gravado num curto espaço de tempo. Em 2007 o Smack aproveitou as férias no Brasil do baterista Thomas Pappon, que mora na Inglaterra há mais de 20 anos, para entrar no estúdio. “3” é um lançamento do selo Midsummer Madness e passou despercebido pela mídia especializada, tem um belo projeto gráfico, encarte com fotos, letras e ficha-técnica e capa com uma pintura em tinta acrílica de Michel Spitale. No canto superior esquerdo da capa tem o preço sugerido para venda, modestos 5 mangos. O EP pode ser adquirido no site da Midsummer Madness.

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domingo, 14 de outubro de 2012

Ovos Presley "Psycho Punk'a'Billy Boogie" (Independente, 2012)


                 20 anos de Ovos Presley! Ao longo deste tempo a banda fez inúmeros shows e tornou-se quase que uma instituição do psychobilly brasileiro, contudo lançou o segundo disco recentemente.

                Para quem acompanha a banda, o novo álbum não traz nenhuma novidade, a maiorias das canções faz parte do repertório da banda há bastante tempo, por outro lado isso deve ter ajudado o Ovos Presley a gravar em poucas horas de estúdio.

                “PsychoPunk’a’BillyBoogie” abre com a instrumental “O vocalista fantasma”, segue com “Tristes homens azuis”, a letra é um poema de Marcos Prado (1961-1996). A partir de “Vai tomá no cu” o Ovos destila seu drunk’a’billy de temas característicos e bem humorados, tais como monstros, morte, lobisomens, bêbados... “No meu carro” conta as aventuras de correr a mais de 100 por hora, fumar um “fino” e curtir um som com os amigos. “Vampiras de Curitiba” funciona como uma homenagem à capital paranaense, cita as ruas Saldanha Marinho e Cruz Machado, pontos onde as vampiras (os?!) chupam mais do que mordem, ops!

            O álbum é um lançamento independente e recebeu apoio da Fundação Cultural de Curitiba. O projeto gráfico traz poucas informações, não há letras nem ficha-técnica, apenas fotos do quarteto curitibano psycho-punk’a’billy

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sábado, 13 de outubro de 2012

(split) Polara/College "Não Use o Termo" (Spicy Gravações Elétricas, 2001)




                 “Não use o termo” é um CD split com duas bandas paulistanas de características próximas. Tanto o Polara quanto o College fazem uma mistura de indie-rock lo-fi e hardcore com letras em português bastante ingênuas que relatam relacionamentos, saudades e outros temas apaixonados. Pode chamar de Emocore, apesar da banalização que o termo recebeu depois da enxurrada de bandas que tomou o rock brasileiro com os mesmos temas adolescentes. Entretanto, aqui temos um disco anterior à moda.

                O álbum tem 8 canções, 4 para cada banda. Começa com “Stardust”, do Polara, canção que ganhou videoclipe e chegou a ser exibido no extinto Lado B, da MTV Brasil. “Divido o que temo”, “Meus cumprimentos” e “2:30 a.m.” tem bons trabalhos de guitarra, tudo meio torto, fora de tempo e cheio de viradas de bateria. Tosco, sujo e bonito.

              A partir da 5ª faixa começa o College, mais melodiosos em “Saudade”; rápido e pesado, beirando o hardcore em “Carta de arquivo”; a letra de “Pra você” de tão ingênua parece composição de aluno da 5ª série. O College ainda ficou com mais uma canção, sem título, escondida no final da 8ª faixa. Vale ficar atento no encarte, pois as bandas são tão semelhantes que se parecem uma só.

             “Não use o termo” foi gravado num porta-estúdio Tascam 488, bastante usado para gravar demotapes. Lançado pelo selo paulistano Spicy Records, propriedade de Rafael Crespo, baterista do Polara, o disco teve uma boa repercussão. O projeto gráfico traz todas as letras, pequenas fotos das duas bandas, além de ficha-técnica e contatos.

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            Também disponível no Youtube!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Nitrominds "Kill Emo All" (Independente, 2010)



O 9º disco do trio hardcore paulistano Nitrominds presta uma homenagem às bandas de punk rock, hardcore, thrashcore, e outras denominações rápidas e pesadas que foram influência para banda.

São 16 regravações com poucas alterações em comparação as versões originais. O disco abre com “The secret” do Pennywise e segue com clássicos do Bad Religion,”News from the front”, Agent Orange, “Bloodstains” e Sacred Reich, “Surf Nicaragua”. Abre espaço para bandas amigas de turnês, como o Bambix,”Monozygotic”, Terrorgruppe, “Enemy number one” e Down By Law, “All american”, o guitarrista/vocalista André chegou a substituir o guitarrista do Down By Law numa tour brasileira da banda norte-americana. A banda skate-punk holandesa NRA é bem lembrada em “Too far gone”, o mesmo vale para os covers de The Police, “Next to you” e “Something I learned today” do Hüsker Dü. A única banda brasileira do disco é o Ratos de Porão, “Crianças sem futuro” traz a participação de João Gordo.

      “Kill Emo All” foi um lançamento independente e teve uma boa repercussão, principalmente com downloads no myspace da banda. O projeto gráfico é simples, o CD vem num envelope com pouquíssimas informações, a capa traz uma releitura de “Kill’em all” do Metallica, criativa assim como o título. 

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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Mario Manga “Beleza interior” (Tamos Aí Produções, 2002)




Mario Manga é mais conhecido por ser o guitarrista do Premê, mas a lista de pessoas com as quais Mario já acompanhou, gravou e compôs ao longo de sua carreira daria para preencher muitos discos. Entretanto, este é o seu primeiro trabalho solo.

“Beleza Interior” tem 11 canções, 10 dessas são de autoria própria, a exceção fica para a “Maybe i’m amazed”, linda canção de Paul McCartney que encerra o disco numa versão instrumental de violão e percussão. O disco abre com “Erro geográfico”, título apropriado para  letra que narra a insatisfação do personagem ser brasileiro e feio. Segue com a canção que dá título ao álbum cuja letra faz um passeio pela beleza dos órgãos humanos e tem as participações familiares de Tia Edna e Mariana Aydar. O ato de “pular-a-cerca” dá o tema de “Soraya” e “Aquele grandão”, esta bastante conhecida na voz de Cássia Eller, aqui com a participação especial de Rita Ribeiro. A letra de “Quarteto – todo mundo” lembra “Saiba”, composição de Arnaldo Antunes que também cita nomes de ditadores e conquistadores e afirma que os mesmos um dia foram bebês.

Mario Manga gravou quase todos os instrumentos sozinhos e também produziu o álbum. “Beleza Interior” foi lançado por conta própria através do selo Tamos Aí, teve uma pequena repercussão na mídia e poucas apresentações, nestas Mario Manga também abdicava de uma banda para comandar guitarra e programações. O projeto gráfico traz todas as letras, ficha técnica e fotografias de Penna Prearo apresentando Mario Manga e suas guitarras.

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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

V.A. "Traidô - 20 bandas tocando Ratos de Porão" (Silvia Music, 1998)



É aquele velho papo, todo disco tributo é irregular, mas este se supera. Em “Traidô” 20 bandas nacionais apresentam suas interpretações para ‘crássicos’ do punk rock e hardcore brasileiro, mundial diria, criados pelos temidos ‘traidores-do-movimento’.

Poucas bandas realmente se deram bem e as melhores versões são aquelas que destoam das gravações originais. É o que ocorre na versão psychobilly do Kráppulas para “FMI”, na bem humorada “Suposicollor” com Kid Vinil & Verminose, na ‘podrera’ que o Okotô fez de ”Pobreza” – incluída no último disco da banda, “Cobaia” - e no guitar-noise do Speed Whale que transformou “Diet paranoia”. Tem o Gangrena Gasosa com o thrash-galinha-preta nas ótimas “Benzer inté morrer/Kurimba ruim”, também inclusas no segundo disco da banda, ”Smells like a tenda spírita”.

Outras bandas chegaram perto, mas, soam muito corretas, é o caso do Poindexter em “Sentir ódio e nada mais”, Anões de Jardim em “Crise geral”, Muzzarelas em “Juventude perdida” e Serial Killer com “Ascensão e queda”. Da parte ruim, os veteranos do A.R.D. tiram o tesão de “Amazônia nunca mais”, o Hip Monsters soam mal em “Poluição atômica”, e o Inkoma em “Não me importo” chega a irritar. E tem mais...

“Traidô” foi o primeiro lançamento do selo Silvia Music, propriedade do Phú, baixista do DFC e Macakongs 2099, e que também chegou a tocar baixo no Ratos de Porão por um curto espaço de tempo, o DFC participa do disco numa parceria com o DJ Jamaika na dobradinha “V.C.D.M.S.A./Tattoomaniac”. O fato de o selo ser de Brasília-DF explica a quantidade de bandas do planalto do álbum, são 6 formações candangas.

O projeto gráfico é bastante completo, o encarte traz ficha-técnica de todas as gravações, contatos e até mesmo indicações para gravadoras contratar bandas independentes, além de fotos do RxDxPx e trechos das letras. A ilustração da capa é autoria do Pica Pau, baixista do Ratos na época do lançamento do tributo. Há também um "singelo" recado para quem não gostou do disco ou odeia RxDxPx: “coloca a cabeça da buceta da sua mãe e manda seu pai empurrar com a pica!!!”, continua valendo!

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domingo, 7 de outubro de 2012

V.A. "Coletânea Em Órbita" (Estelar, 1999)



9 bandas de 6 estados diferentes e cada uma com duas canções, esta é a “Coletânea em Órbita”, mais um registro das guitar bands brasileiras dos anos 90. A fórmula não foge muito a regra geral: as canções são retiradas de demotapes ou CD-demo, depois são organizadas e masterizadas, o processo é simples, mas não evita que tenhamos resultados desiguais entre as bandas, ocasionados pela qualidade do material enviado para o selo, enfim, masterização não faz milagre e, de certa forma, a baixa fidelidade faz parte do charme das compilações de guitar bands nacionais.

O álbum começa com o quarteto de Belo Horizonte Vellocet e as duas mais belas canções do disco “A Hundred Bugs” e “Inside my Mind (Again)”, outras formações mais veteranas também se dão bem na seleção, os baianos do brincando de deus (com minúsculas mesmo) em “Sexism” e os campinenses do Astromato, ex-Weed, com bateria eletrônica e boas letras em português, verifique em “No Macio, no Gostoso” e “Não sei Jogar”. As bandas paulistas Fish Lips, de Osasco, e Spots, de Araras, surgem mais barulhentas, mas sofrem pela baixa equalização das gravações. Pan Cake, do Rio de Janeiro, traz vocal feminino e melodias mais delicadas. As catarinenses Vacine, de Joinville, Feedback Club, de Florianópolis, e  Foolish, de Maringá-PR, soam mais melancólicas, a última também traz uma canção em português, “Frank”.

“Em Órbita” foi o primeiro lançamento do selo catarinense Estelar Music, o disco teve uma repercussão mediana e não demorou a sair de órbita (tá, essa foi horrível mesmo). O projeto gráfico é simples, o encarte traz contatos e uma foto de cada banda. Um disco lançado na raça e com o objetivo de criar registro sobre uma importante cena do underground brasileiro.

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