domingo, 30 de setembro de 2012

Os Cabeloduro "Com todo amor e carinho" (RVC, 1996)



Bizz, edição 134, setembro de 1996
Os velhos tempos de punk rock foram bem revisitados neste que é o primeiro disco do quarteto brasiliense Os Cabeloduro. “Com todo amor e carinho” traz 20 músicas curtas, poucas ultrapassam os dois minutos, e os temas vão direto ao assunto, violência policial em “A barca”, exploração da fé em “Igreja $.A.”, corrupção em “Políticos Fascistas”, bizarrices sexuais em “Mr. Crazy Fist-fucker”, machismo em “Canção de amor”, esta quase uma balada punk de letra bastante divertida com citação (?) incidental de “A Novidade” de Gilberto Gil, além de outros protestos de títulos singelos como “Enfia no cu” e “Foda-se”. “Ódio sem razão” e “Pinga com limão” ganharam videoclipes bem executados no programa Fúria MTV, sendo que esta última tornou-se um hit d’Os Cabeloduro. O disco se encerra com “Conclusão?” um petardo  curto surf/hardcore.

“Com todo amor e carinho” foi lançado pelo selo de Brasília RVC Music em parceria com a loja/selo Berlin Records, teve uma boa repercussão na época e proporcionou a banda tocar noutras cidades. O projeto gráfico é caprichado, o encarte traz todas as letras, ficha-técnica e foto, o “mascote” da capa é de autoria do Túlio DFC.

Por mais que os temas das canções não tragam nenhuma novidade, afinal, os conterrâneos e contemporâneos do DFC já faziam praticamente a mesma coisa, o que mais chama atenção no disco é a execução das canções, os bons riffs da guitarra de Ralph e o vocal de Podrinho não deixam o álbum perder o fôlego e fazem de “Com todo amor e carinho” um dos grandes discos de punk rock/hardcore brasileiro com aquele jeitão de molecada zoeira.

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Wado e Realismo Fantástico “A Farsa do Samba Nublado” (Outros Discos, 2004)




O terceiro disco do catarinense/alagoano Wado inseriu-o definitivamente entre os melhores compositores da nova MPB. São 12 canções com uma linguagem bastante própria, mas que guardam referências de samba-funk-reggae-rock e interpretações de outros autores.

O disco abre com “Tormenta” cuja letra traz uma passagem do filme “Magnólia” e insere um texto de Moacyr Scliar (1937-2011). Segue com “Grande poder” de Mestre Verdelinho, esta ganhou um videoclipe. “Vai querer?” tem uma das mais belas letras, autoria da dupla carioca Luís Capucho e Suely Mesquita. O samba-rock “Alguma coisa mais pra frente” foi resgatado do repertório da extinta banda paulistana Oito. A letra de “Carteiro de favela” faz uma visão poética da dura rotina do homem de amarelo. “Gargalhada fatal” é um reggae. Letras de amor surgem em “Fuso” e “Amor e restos humanos”. A melancólica “Deserto de sal” é uma das mais bonitas canções do álbum.

Em “A farsa do samba nublado” Wado assumiu uma banda, Realismo Fantástico, que gravou o álbum em São Paulo. Sérgio Sofiatti produziu o álbum e também foi o baixista do grupo. Wado quis construir um trabalho que resolvesse o impasse com que se viu nos discos anteriores, bem recebidos pela mídia especializada, mas sem grandes reflexos nas vendas, provavelmente não tenha alcançado metas mercadológicas, afinal o disco independente sofre num mercado tão combalido quanto fechado.

O álbum foi lançado pelo selo paulistano Outros Discos, que também editou o anterior “Cinema Auditivo”, teve sua tiragem esgotada e se encontra fora de catálogo. O projeto gráfico traz ilustrações de Wado além de letras e ficha-técnica, um trabalho caprichado em todos os sentidos.

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sábado, 29 de setembro de 2012

Pelebrói Não Sei? "Positivamente Mórbido" (Barulho, 2001)



O primeiro disco do quarteto curitibano formado por Oneide, Joca, Paulo e Guilherme é um dos melhores discos de punk rock brasileiro. Distante das posturas de protesto e dos ataques nucleares, mais próximo de Replicantes, Cascavelletes, Ramones e Roberto Carlos.

“Positivamente Mórbido” traz 17 canções de puro punk rock ramoníaco, bom para animar qualquer festa alcoólica, como pode ser observado em “Tum tum pá yeah”, “Odontalgia” e “Gata pelebrônica”. “Ted holiday club” é um punk’a’billy que ganhou um baixo pau comandado por Gus Tomb. “O funil” tem letra de JR Ferreira e também fez parte do repertório do Limbonautas. Tem baladas também “Tchau!!!”, “Céu sem cor” – um hit – na verdade quase todas são baladas, baladas punks com letras sobre pés-na-bunda, desencontros amorosos e morte, este é um tema recorrente e justifica o título do disco. Por fim três canções retiradas da primeira demo tape.

O disco foi lançado pela gravadora curitibana Barulho Records e teve uma boa recepção, sua tiragem inicial logo se esgotou, afinal, nesta época a banda fazia shows semanalmente e arriscou incursões por outros estados, com destaque para a participação no 8º Goiânia Noise Festival. Os shows eram imperdíveis, a performance alucinada de Oneide realmente contagiava o público. O projeto gráfico do álbum é bastante simples, faltou atenção na diagramação, porém o encarte traz letras, ficha técnica e fotos dos integrantes.

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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Hurtmold "Cozido" (Submarine Records, 2002)


O segundo disco do quinteto paulistano Hurtmold abriu muitas portas para a banda e levou-os a um público maior, afinal, o trabalho foi muito bem recebido pela mídia especializada. Surgiram oportunidades de apresentação na TV, a MTV utilizou algumas canções do disco como trilha sonora de vinhetas do extinto programa Banda Antes, o que facilitou a ascensão da banda, com um maior número de shows e, consequentemente, contato com um novo público.

Jornal Gazeta do Povo
O álbum tem 11 faixas, 8 delas são instrumentais. Nos trabalhos anteriores o Hurtmold também revezava canções com letras e temas instrumentais, numa linha daquilo que convencionou-se chamar de post-rock, ou post-hardcore no caso, pois boa parte dos integrantes do Hurtmold vinham de bandas de hardcore. Os destaques ficam para o belo arranjo cadenciado de “Kampala” e “Bulawayo”; e as mais rápidas “Fontanka”, “Dois pés e ingrato” e “Mais uma vez, desanimou”, as duas últimas com letras, mas nem sempre essas realmente querem comunicar algo. Num álbum quase instrumental, o que mais chama atenção mesmo é a banda e aqui Maurício Takara revelou-se um dos melhores bateristas brasileiros.

“Cozido” foi lançado pelo selo mineiro Submarine Records, que também editou o primeiro disco e demotapes. O projeto gráfico é simples e eficiente, a embalagem em digipack traz foto da banda na capa, letras e ficha-técnica. O álbum foi produzido, gravado, mixado e masterizado no estúdio El Rocha, em São Paulo, por Fernando Sanches e Hurtmold.

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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Dungeon "See the Light" (Rockit!, 1993)



O quarteto brasiliense Dungeon surgiu em 1983 com o nome de Anjo Caído, já vinha com uma proposta de heavy metal numa época e num lugar onde imperavam as formações de rock com letras em português e influência punk/new wave. Pouco tempo depois a banda mudou seu nome para Fallen Angel e no final dos anos 80 finalmente para Dungeon.

Bizz, edição 88, novembro de 1992
O Dungeon era formado por Bulhões, Parente, Helder e Fejão, sendo que este último foi uma figura de extrema importância no rock de Brasília, guitarrista de mãos cheias, além de aficionado por todo tipo de instrumentos. Fejão também tocou Dents Kents, XXX e Escola de Escândalos. Antes mesmo de lançar seu único álbum o Dungeon era saudado como uma das boas revelações para o ano de 1993.
Dungeon (foto: João Del Negro)


“See the light” abre com “Broken Symphony”, heavy com vocais melódicos, partes aceleradas e solos de guitarra característicos. A mesma “fórmula” ressurge em “Birthday in prison”. “Funeral District (part II)” abre com arranjo de violões e teclado fazendo à vez de trombeta celestial para dar espaço ao mesmo heavy metal de vocais sem força. Não é tarde para se afirmar que se este disco fosse instrumental ele seria mais bem resolvido, isso pode ser observado em “Merciful Self Mayhem” (sic) e “Devastation”. “In the air” ganhou videoclipe e passou na MTV na época, uma das boas canções do disco.

O álbum foi gravado em Brasília e lançado pelo selo Rockit!, um dos primeiros lançamentos da propriedade de André “X” Muller e Dado Villa-Lobos, em CD e LP. O projeto gráfico traz encarte com letras, ficha-técnica e foto da banda, a capa tem um desenho à lápis-de-cor meio mal feito. O Dungeon fez alguns shows, mas não se manteve por muito tempo. Fejão faleceu em 1996.

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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Pato Fu “Rotomusic de Liquidificapum” (Cogumelo, 1993)




O Pato Fu foi formado em 1992 pelo trio John, Fernanda e Ricardo, a banda foi idealizada por John que além de guitarrista, vocalista, programador de bateria eletrônica e samplers, também era o seu principal compositor. John tinha acumulado experiência e até algum reconhecimento como guitarrista do Sexo Explícito nos anos 80, com a banda de curta duração Clay Reggazzoni, John ameaçava algumas composições que viriam a ser parte do primeiro repertório do Pato Fu.

Bizz, edição 93, abril de 1993
Em 1993 o trio gravou sua primeira demo-tape, singelamente intitulada “Pato Fu Demo”, e chamou a atenção do público com os primeiros shows em Belo Horizonte. As 12 canções da fita K7 deram origem ao primeiro disco, lançado pelo selo local Cogumelo Records. Especializado em vertentes do Metal, “Rotomusic de Liquidificapum” mais parecia um alienígena no extenso catálogo de Metal extremo do selo.

O álbum abre com a faixa título, uma zoeira com mais de 7 minutos que na verdade são três músicas reunidas, “Aerosmiths/Hoji/É natal”, além de outras canções incidentais, já dão mostras que o disco é esquisito. Segue com “Sítio do Pica Pau Amarelo” regravação muito legal da canção de Gilberto Gil, ganhou um vídeo clipe bacana e tosco, o primeiro da banda, chegou a ser exibido pela MTV Brasil. “O processo da criação vai de 10 até 100 mil” é o ‘hit’ do disco, foi usada numa publicidade da empresa de plano de saúde Unimed, esta também ganhou vídeo clipe. “Meu coração é u’a privada” é uma das mais legais, cantada por John, volta e meia a canção reaparece no repertório da banda. “G.R.E.S.” afirma a insatisfação de suportar o carnaval, parceria de John com Rubinho Troll. “Meu pai, meu irmão” ganhou o terceiro vídeo clipe do disco. “Gimme 30” tem letra em italiano e também está entre as boas canções junto com “Eu sou o umbigo do mundo”, do baixista Ricardo Koctus.

“Rotomusic de Liquidificapum” foi gravado no estúdio de Haroldo Ferretti e mixado pela própria banda, foi lançado em CD e numa tiragem limitadíssima em LP pela Cogumelo, foi relançado em LP em 2012 pela Polysom. O projeto gráfico é simples, o encarte traz todas as letras e ficha técnica. O disco recebeu resenhas bastante elogiosas que apontavam a banda como uma das mais criativas do momento. Os três vídeo clipes ajudaram a apresentar o Pato Fu para além de BH.

Em 1994 o Pato Fu tocou no festival carioca Superdemo e lá conseguiram um contrato com a BMG, que naquele momento revitalizava o selo interno Plug, logo entrariam em estúdio para gravar seu segundo disco, o prestigiado “Gol de Quem?”.

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domingo, 23 de setembro de 2012

Frank Jorge “Carteira Nacional de Apaixonado“ (Barulhinho, 2000)




Em 1999 a Graforréia Xilarmôrnica anunciou o primeiro fim de suas atividades, depois de uma década de banda e dois álbuns tão admirados quanto difíceis de encontrar. A partir disso seu vocalista e baixista Frank Jorge decidiu compor para o primeiro trabalho solo. “Carteira Nacional de Apaixonado” saíra um ano depois.

O álbum traz 13 canções, todas de Frank, exceto “Gi.B.I.”, vinheta de abertura, e “Bounce”, autorias de Iuri Freiberger, que divide a produção do disco com o seu autor. A Jovem Guarda é uma referência muito forte nos trabalhos de Frank Jorge, aqui ela aparece no tema de amor ingênuo presente na letra de “Bela”, na melancolia de “Sensores Unilaterais” e no jeitão bubleggum de “Esperando a saudade”. “Nunca Diga”, hit do primeiro disco da Graforréia, ganhou uma nova visita, mas manteve o mesmo arranjo. Outras belas canções são “Serei mais feliz (vou largar a Jovem Guarda)”, “Não recebo em dólar” e “Cabelos cor de Jambo”, esta também fez parte da trilha sonora do filme “Houve uma vez dois verões”, de Jorge Furtado.

“Carteira Nacional de Apaixonado” foi lançado pelo selo de Porto Alegre Barulhinho e recebido com elogios pela mídia especializada, com este trabalho Frank Jorge fez muitos shows e participou de festivais independentes. O projeto gráfico é caprichado, o encarte traz letras e ficha técnica, a capa remete aos discos da década de 60 com a lista das canções na capa e selo no canto superior. Foi uma estreia muito esperada e Frank não decepcionou.

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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

V.A. “Assim na Terra como no Céu” (Salva Vidas Corporation, 1991)



"Assim na terra como no céu" é uma coletânea com seis bandas de Porto Alegre/RS do começo dos anos 90, cada banda participou com duas músicas. Algumas deixaram seu registro apenas neste disco, lançado em pouquíssimas cópias somente em LP.

O Lado A abre com o Ceres, bastante próxima do pós-punk, cheia de groove com a guitarra de Carlo Pianta em primeiro plano, letras em português e vocal de Helenita Peruzzo. Plastic Dream traz letras em inglês e produz uma música bastante influenciada pelo rock inglês que invadiu as FMs brasileiras na primeira metade dos 80’s. Smog Fog canta em português e tem um jeito dark nada convencional, ouça “Galaxie Rosa”. Barba Ruiva & Os Corsários é rockabilly, as duas canções soam como standarts do estilo, com sax e letras sobre rock’n’roll e rebeldia juvenil. Sangue Sujo é a banda de Wander Wildner pós-Replicantes, punk rock puro e simples, “Jesus voltará”, posteriormente foi regravada no segundo álbum solo de Wander, “Buenos Dias”. Père Lachaise é a banda de Plato Divorak, com suas letras surreais e vocais cheios de eco numa banda meio new wave.

“Assim na terra como no céu” foi lançado pela Salva Vidas Corporation, selo de Wander Wildner que teve curta duração e deixou um “catálogo” de dois discos. O disco teve repercussão local e tiragem bastante limitada. O projeto gráfico traz uma das piores capas já vistas com um encarte muito bem produzido no qual cada banda tem um bom espaço para apresentar suas letras, Plastic Dream com um desenho de coluna grega e o quadrinho de MZK para a letra de “Boa morte” do Sangue Sujo são excelentes.

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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Killing Chainsaw (Zoyd, 1992)




A estreia do quarteto de Piracicaba-SP fez um estrago no underground brasileiro dos 90’s, uma por trazer ao disco uma banda que chamava a atenção por seus shows barulhentos e outra por afirmar que é possível cantar em inglês e pouco se importar para a falta de referências brasileiras. As matrizes do Killing Chainsaw sempre estiveram nos esporros sonoros de bandas inglesas e do underground norte-americano.

Bizz, edição 89, dezembro de 1992
O álbum tem 10 canções rápidas que não ultrapassam os 3 minutos. Abre com “Headhunter” e dá mostra do que vem pela frente, guitarras em alto volume e rolos de bateria. Os destaques ficam para “Raise”, “Sixteen Bedrooms” “Musty” e “Marty Mcfly” as duas últimas com solos/noise de guitarras alucinantes. “Fuck you gently (with a chainsaw)” é um clássico!

O disco sem título também marcou o surgimento do selo Zoyd, uma loja de discos do centro de São Paulo que no momento se embrenhou pelos lançamentos independentes, o empreendimento foi efêmero e deixou um catálogo de apenas dois discos. A produção do LP ficou nas mãos de Alex Antunes, sob seu pseudônimo Podreira Antunes, e RH Jackson, fizeram um trabalho sujo e deixaram o disco bastante fiel à banda, apesar de um desiquilíbrio na equalização que deixou o baixo em segundo plano frente às camadas de guitarras. O projeto gráfico traz uma das capas mais legais dos discos independentes nacionais, ilustrada com um filigrama retirado do filme “Akira”. O disco lançado apenas em LP pôs o Killing Chainsaw entre as principais e mais influentes bandas do underground nacional. Aguarda reedição urgente!

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sábado, 15 de setembro de 2012

Maxixe Machine "Barbabel" (Independente, 1998)



A estreia dos curitibanos do Maxixe Machine aconteceu em "Barbabel". O disco também é a trilha sonora do filme homônimo, cuja história revive a Era de Ouro do Samba, mas em vez da Lapa carioca o cenário é o Largo da Ordem, tradicional reduto boêmio da capital paranaense.

“Barbabel”, o disco, traz 27 canções, regravações de Noel Rosa, Assis Valente, Lamartine Babo, Ary Barroso e canções do Maxixe Machine, algumas até já haviam surgido no repertório do Beijo AA Força, tais como: “Valsa Danada” e “Pedra que rolou”. Outras são inéditas, destaque para “Curitiba”, letra de Marcos Prado, um anti-hino para a capital, “Perdendo Tempo” ganhou vídeo clipe e tem letra de Paulo Leminski e Thadeu Wojciechowski. O disco traz 4 gravações ao vivo retiradas de um show no Teatro Paiol, de 1997, além de algumas bobagens: duas faixas de um “projeto-tapa-buraco” denominado Mc Ruim, uma delas ganhou um remix do Edu K – que também atuou no filme -, mais três canções para karaokê.

O projeto gráfico do disco vale a atenção. São 66 páginas com todas as letras, textos diversos, fotografia de cenas e roteiro do filme, além de apresentações dos trabalhos dos amigos e parceiros Mauricio Pereira, Carlos Careqa, Maconha e Gente Boa da Melhor Qualidade. A capa traz uma foto da atriz curitibana Guta Stresser, que no filme interpreta Aracy Côrtes. “Barbabel” foi lançado de maneira independente e bancado com o patrocínio do Governo do Paraná, Fundação Cultural de Curitiba e empresas privadas.

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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

V.A. “Sanguinho Novo – Arnaldo Baptista revisitado” (Eldorado, 1989)


No final dos anos 80 Arnaldo Baptista já havia se refugiado num sítio em Juiz de Fora/MG, depois de passar momentos atribulados na capital paulista e ter uma vida tão errante como a de qualquer morador de rua, quando recebeu a notícia de que um grupo de jornalistas da revista Bizz, que também integravam as bandas Fellini, 3 Hombres e Akira S & As Garotas que Erraram, preparavam-lhe um disco tributo. Curiosamente, todas as bandas dos envolvidos na produção, os jornalistas Thomas Pappon, Celso Pucci e Alex Antunes, foram lançadas pela Baratos Afins, selo responsável pelos dois discos inéditos que Arnaldo gravou na década de 80.

Bizz, edição 53, dezembro de 1989
A elaboração do disco levou quase dois anos e conseguiu reunir 13 bandas. Cada uma apresenta sua forma pessoal para de ver o trabalho de Arnaldo. 3 Hombres revisitou “Dia 36” e cometeu uma das melhores versões do tributo. O Maria Angélica também se deu bem com a linda “Te amo podes crer”, uma história diz que enquanto gravavam a canção o vocalista Fernando Naporano exagerou tanto nos falsetes que gerou gargalhadas no estúdio, obviamente, na gravação os vocais soam mais comedidos. Sepultura e Ratos de Porão estupraram “A hora e a vez do cabelo crescer” e “Jardim elétrico”, respectivamente, Jão diria depois que nunca ouvira a versão original da canção. O DeFalla também cometeria um destes ‘arrombos’, mas sua versão pornô para “Vou me afundar na lingerie” foi limada do projeto. Mais funks são Akira S & As Garotas Que Erraram na faixa título e Skowa com “É fácil”. Vzyadoq Moe e Atahualpa Y Us Panquis cometeram versões aterrorizantes para “Bomba H sobre São Paulo” e “Sitting on the road side”, respectivamente, no meio da anarquia infernal produzida pela banda de Jimi Joe e Carlos Eduardo Miranda quem se deu melhor foram o sorocabanos da sucata. Fellini acerta em cheio na bossa lo-fi para “Cê tá pensando que eu sou loki?” e Paulo Miklos acompanhado de um piano Rhodes ligado numa caixa Leslie – inclusive o mesmo equipamento foi usado pelo Mutantes – imprimiu uma versão cabaret para “Superfície do Planeta”. Por fim, duas bandas de Belo Horizonte, Sexo Explícito com “O Sol”, versão sem brilho para a bela “Sunshine”, e Último Número, “I fell in love one day”, uma versão correta.
Bizz, edição 55, fevereiro de 1990

Faltou o Black Future que revisitou “Cyborg”, mas não entrou no LP, virou um “bônus” da edição em K7. “Sanguinho Novo” foi lançado pela Eldorado e teve uma repercussão positiva na mídia, isso se considerarmos como boa parte da mídia apenas a revista Bizz que fez resenha elogiosa, matéria extensa com o homenageado, um “faixa-a-faixa” no qual Arnaldo comentou sobre algumas versões, mais resenha do lançamento e publicidade em várias edições. A ocasião de lançamento, no Aeroanta de São Paulo em 1990, trouxe Arnaldo aos palcos depois de mais de 6 anos.

O projeto gráfico é eficiente e traz uma bela capa de Alain Voss, que também fez as capas do “Mutantes e seus cometas no país do baurets” e “Jardim elétrico”. “Sanguinho novo” foi lançado apenas em LP e há alguns anos espera uma reedição.

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domingo, 9 de setembro de 2012

Gangrena Gasosa "Smells Like a Tenda Spirita" (Tamborete, 1999)


O segundo disco da entidade do rock brasileiro é um petardo de 12 canções muito boas, as letras não fogem do terreiro e são impagáveis, difícil não se divertir ouvindo.


         O álbum abre com “Surf Iemanjá”, prancha, parafina, galinha frita e farofa, a areia da praia se transformou num grande terreiro, com um intervalo para surfar. “Centro do Pica Pau Amarelo” é inspirada na obra de Monteiro Lobato, ou melhor, Macumbeiro Lobato. “Benzer Até Morrer & Kurimba Ruim” são versões para “Beber até Morrer” e “Vida Ruim”, clássicos do Ratos de Porão gravados para o disco-tributo “Traidô”. “Headbanger Voice” empresta o nome da sessão de cartas da Revista Rock Brigade para relatar a correspondência de um metaleiro, leitor assíduo da publicação, insatisfeito com as novas influências absorvidas pelo heavy metal, dentre elas o Saravá Metal. O disco se encerra com “Protesto Concreto”, também presente no primeiro “Welcome to Terreiro” (Rockit!, 1993), mas aqui com outra letra, a música incidental roubada do Planet Hemp traz participação vocal de BNegão.


Bizz, edição especial 02, agosto de 2005
O projeto gráfico é caprichadíssimo, o encarte em preto e branco traz uma história em quadrinhos fantástica de Allan Sieber, além de fotos, histórias das letras, letras e ficha técnica. A contra-capa diverte com os patrocinadores falsos. A produção do disco é de Rogério Lopez. “Smells like a Tenda Spirita” foi lançado pelo selo carioca Tamborete Entertainment e na época teve uma boa repercussão na mídia impressa, a banda fez alguns shows pelo Brasil, incluindo apresentações memoráveis no programa Musikaos e Caderno Teen, da TV Cultura e TVE-Rio, respectivamente.

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V.A "UV Móbile Vol. 1" (Independente, 2012)


         Para comemorar os 15 anos do programa Último Volume, veiculado pela Lumen FM (99,5) todos os domingos às 23:00, desde 2004, os produtores e entusiastas da cena underground curitibana Neri da Rosa, Marco Stecz e Luiz Orta prepararam uma coletânea com 17 bandas locais. Algumas novidades, outras com mais tempo de existência, mas sempre com a mesma dificuldade de mostrar os seus trabalhos.


Todas as gravações foram produzidas especialmente para o Último Volume, captadas em estúdios ou ao vivo. A maioria com letras em inglês e com aquela sonoridade próxima do guitar-indie-shoegaze, o que não poderia ser muito diferente para quem conhece um pouco da preferência musical dos produtores. Os destaques ficam para This Lonely Crown com “Laura’s Coming”, Bela Infanta - de Joinville/SC - com “Planícies”, I Kill Kane com “Jim’s Collapse”, Sonora Coisa com “Jumper Boy”, Repossíveis com “Centro Cívico”, além dos veteranos da cena curitibana Ruído/mm com “Pop”, e Mordida com “Free Connection”.

            "UV Móbile Vol. 1" foi lançado de maneira independente e com distribuição gratuita. O projeto gráfico traz capa de Neri com foto do pedal de um dos integrantes do Yokofive, além de ficha técnica das gravações e fotos das bandas.

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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Colarinhos Caóticos “Introdução” (Purnada Y Pranada, 1988)


Bizz, edição 82, janeiro de 1989
                 O composto “caótico” que batiza a banda faz jus à sonoridade que o Colarinhos produz. Fruto da mente criativa do membro fundador e produtor de outras bandas - algumas tão malucas quanto o próprio Colarinhos Caóticos - Egisto Dal Santo (aka Egisto 2, aka Egisto Ophodge).

                       “Introdução” é uma usina de referências de punk/pós-punk distribuídas em 12 canções. Todas cheias de groove e funk em flerte direto com punk rock e, até mesmo, hardcore. “Não sei ou sei”, “Introdução” e “Suicide” são bons exemplos disso.  O baixo preciso de Beltrão e o sax onipresente de Álvaro garantem os arranjos inusitados de “It’s life” e “Tudo y nada”. Tanto as letras quanto as interpretações de Egisto são bastante “caóticas”, mas se encaixam perfeitamente na proposta das canções.
            
                         A estreia foi lançada pelo próprio selo de Egisto, o Purnada Y Pranada, e teve uma boa repercussão na época, o que garantiu a banda um bom número de fãs dentro e fora do Rio Grande do Sul. O projeto gráfico é simples e eficiente, em completa sintonia com a arte de discos de punk rock. Toda a arte foi feita à mão. O álbum traz encarte, ficha técnica e fotos da banda. “Introdução” ainda aguarda uma reedição em CD.

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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Virna Lisi “Esperar o quê?” (Tinitus, 1992)


                      Uma das revelações do rock brasileiro do começo da década de 90 era o Virna Lisi. O quarteto de Belo Horizonte/MG chamava a atenção da mídia especializada e do público com seu som que misturava guitarras e percussão, ambas pesadas, com letras em português um tanto poéticas.

Bizz, edição 91, fevereiro de 1993
                 “Esperar o quê?” foi o seu primeiro registro. O álbum abre com “Passa”, com percussão marcada pronta para descambar pro peso e letra de versos repetitivos. A faixa título, que emenda com “Bem vinda”, são bons destaques e demonstram um vigor poucas vezes vistos em discos de estreia. ‘’Caminhos II” é única regravação, canção de Raul Seixas e Paulo Coelho, numa versão que em nada se assemelha à original, tem cara de Virna Lisi mesmo. “O Óbvio” altera um pouco o clima do disco com sua atmosfera meio pós-punk paulistano.

                     O disco recebeu resenhas elogiosas e entrou na lista dos melhores discos de 1992 da revista Bizz. “Esperar o quê?” fez parte do primeiro lote de lançamentos do selo Tinitus, propriedade de Pena Schmidt. O projeto gráfico é simples, com destaque para a bela capa, traz todas as letras e ficha técnica na contra capa. O álbum foi lançado apenas em LP e não recebeu nenhuma outra edição até os dias de hoje.

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