domingo, 29 de janeiro de 2012

Linguachula (Banguela, 1995)




               O punk rock e o pós-punk estão muito bem representados no único disco do trio de Campinas/SP Linguachula.

Capa da demo-tape
               O disco é pesado, mas a guitarra de De também tem funk, os vocais são divididos entre De e Nane (baixo), Marcelo (bateria) completa a formação. São 13 canções, e nenhuma passa dos dois minutos, o primeiro grito, "Linguachula", funciona como um manifesto, as letras desbocadas - Charles Bukowski surge na letra de "Demente" - dialogam com poesia concreta - Augusto dos Anjos assina a letra de "Maguas". Há participações, Rosália, vocalista da Mercenárias e influência perceptível do Linguachula, em "Obscena" e o Raimundos em "Traidor".

              Antes de seu primeiro lançamento, o Linguachula produziu uma demo-tape, em 1993, e dois video-clipes, o que já demonstrava o potencial da banda para a investida num primeiro álbum. No ano seguinte a banda participou da segunda edição do festival Juntatribo e, em 1995, o selo Banguela lançou este que é o último disco de seu formidável catálogo.

            O projeto gráfico é completo, com letras e boa capa, autoria do vocalista/guitarrista De. O Línguachula fez alguns shows, participou do festival Leite Quente, de 1995 em Curitiba, e da coletânea do evento, com a canção "Nega Nega", que também ganhou um vídeo-clipe. O trio encerrou atividades pouco tempo depois. Ouça e ganhe um soco no estômago. 

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Mechanics (Monstro, 2002)



                 O Mechanics surgiu em 1994, em Goiânia, gravaram algumas demo tapes e estrearam num compacto sete polegadas que também foi a estreia do selo Monstro Discos, do qual o vocalista Márcio Jr. também participa.

Ilustração por Pietro Luigi (Banheiro Selvagem Comics)
                Uma das características do Mechanics, além da zoeira das letras e das apresentações, é o cuidado com a parte gráfica dos discos, sempre impecáveis, aqui as ilustrações da capa e encarte ficaram à cargo de Lauro Roberto. O EP tem apenas três faixas, duas são versões ("Scary monsters" do Bowie e "20th Century boy" do T. Rex) e há a gravação definitiva de "Formigas comem porra", praticamente um "hit" da banda desde sua primeira demo tape. Entretanto, a quarta faixa é uma grata surpresa, pois traz os 12 minutos da primeira fita demo na íntegra, incluindo "Formigas comem porra", já disseram por aí que isso aqui é demência pura, acrescentamos que também é sujo e altamente recomendável!

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

V.A. “Ciclojam” (+Mais Records, 2001)



                Há dez anos um programa transmitido pela TV Educativa de Curitiba reunia bandas locais de todos os estilos, veteranas ou novas, era o Ciclojam, ideia do jornalista Ciro Ridal, o Jack Shadow.

               "Ciclojam" é uma coletânea de algumas bandas que se apresentaram no programa, são 10 bandas e 20 faixas, 2 canções para cada. O disco abre com o Beijo Aa Força (reduzido a um quarteto, como nos primeiros anos) e seu hit "Homem de ferro"; segue com as esquisitices do Frutos Madurinhos do Amor; Mariele Loyola participa com o Cores D Flores, meio trip hop, com peso e melodia, já haviam se destacado no cenário curitibano com o CD demo "Demonstração em Laboratório". O Woyzeck apresenta sua formação mais enxuta, o quinteto de seu último ano de existência, as canções em nada se parecem com os petardos fantásticos apresentados no disco "Quebra-queixo"; o Mosha tem uma forte influência de bandas guitar-shoegaze-britpop, tanto que chegaram a tentar a vez na Inglaterra; o Universo Paralelo tem um casal revezando os vocais e bebe na fonte do guitar sound, mas tem o diferencial das letras em português, algo raro nas bandas brasileiras do gênero; o Whir segue a mesma linha guitar, as meninas tiveram bastante repercussão na mídia local e fizeram muitos shows pelo estado; Pogoboll apresenta uma outra cara das bandas de Curitiba, um rock'n'roll cheio de funk e balanço; o mesmo acontece com o Zirigdun Pfóin, mas com mais rap/repente na mistura; por fim o Dona Preta, também segue o caminho rock com groove, dessa vez melhor conduzido e com boa cama de percussão e teclado.

                 O álbum lançado pela +Mais Records, propriedade do entusiasta e incentivador das bandas paranaenses Manoel de Souza Neto, teve uma pequena tiragem e pouca repercussão. O projeto gráfico é simples e incompleto, vale lembrar que este não é um disco com objetivos comerciais. Há um detalhe muito importante, um texto, uma ode ao Rock'n'Roll, escrito por Pedro do Rosário Neto (1964-1998). Pedro foi proprietário da antológica loja curitibana 801 Discos, local que abrigou a gravação do primeiro programa Ciclojam, quando este ainda era veiculado pela rádio Estação Primeira.

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Shiva Las Vegas "Prenda na minha" (YB?, 1999)


             Shiva Las Vegas  foi um projeto formado por Alex Antunes, Rodrigo Carneiro e Paulo Beto, com participação de muitos outros, e o EP "Prenda na minha" é seu único registro.
            O álbum tem 7 canções a maioria das letras são de Lex Lilith, heterônimo de Alex Antunes, há também uma versão para “Olhos nos olhos”, de Chico Buarque, aqui na voz da atriz Leona Cavalli. Otto participa em “A.K.A. catimbó” e a dupla Tetine em “Samba do triz”, “Shiva las Vegas” é um trip hop, voz de Rodrigo Carneiro, com poema erótico que explode num refrão com a participação de Claudia Lima. Mesmo que a banda seja formada por homens, a presença feminina é marcante, ela surge em Sish, uma possessão feminina em Lex Lilith. “Sadam dance” tem um dueto vocal entre Alex e Carneiro, um destaque do EP.
             A bela capa traz uma foto da Baia da Guanabara com uma explosão de proporções nucleares do Pão de Açúcar. O disco não tem encarte, nem letras, muito menos traz a autoria desta arte. "Prenda na minha" foi lançado pelo selo paulistano YBrazil? com quase nenhuma divulgação, o Shiva Las Vegas chegou a se apresentar ao vivo com este trabalho, incluindo uma lendária participação no programa Musikaos, exibido pela TV Cultura, em 2000.
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domingo, 8 de janeiro de 2012

Okotô "Cobaia" (Ataque Frontal, 2000)


              O Okotô foi formado em São Paulo/SP em 1987, gravou seu primeiro disco em 1988 e "Cobaia" é o terceiro trabalho. Por mais que a banda tenha gravado um primeiro disco completamente incompreendido e diferente dos trabalhos posteriores, sempre soaram bastante honestos nos sons que produziram, neste álbum é uma porrada atrás da outra.
            “Cobaia” tem 11 canções e não passa dos 16 minutos, abre com “City of peace”, letra que ganharam de Wattie Buchan, vocalista do Exploited. Também tem letras em português, “Gorda”, “Cidadão urbanóia”, e na regravação de “Pobreza”, também incluída no disco “Traidô” tributo ao Ratos de Porão, a versão do Okotô ficou muito boa, violenta e podrona, destaque para o som que André Fonseca tira da sua guitarra. “Don’t fuck my head” ganhou vídeo clipe, exibido na MTV poucas vezes.
A banda se apresentou bastante com "Cobaia", apesar da minguada aparição nas revistas de música da época, pelo menos se comparado ao trabalho de divulgação do segundo disco, ”Monstro”, no qual o Okotô recebeu bastante divulgação e chegou a dividir uma capa da Bizz, em 1993, com outros três nomes que a revista considerava renovadores do cenário musical brasileiro do momento, chamaram esta nova geração de MPopB, mas o título não pegou fora das páginas da Bizz.
O Okotô passou por várias formações, mas André Fonseca e Cherry, o duo inicial, sempre se manteve. Em "Cobaia" o baixista é Jair Naves, que depois do fim da banda tornou-se vocalista do Ludovic para depois assumir uma carreira solo de bastante prestígio.
A capa e todo o projeto gráfico é do cartunista e ilustrador RHS, um trabalho bem legal, o encarte traz todas as letras. O disco foi lançado pelo lendário selo paulistano Ataque Frontal e ainda é possível encontrá-lo com o Renato Martins, proprietário do selo.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Tony da Gatorra "Só protesto" (Peligro Discos, 2005)

            
            O gaúcho Antonio Carlos de Moura é o Tony, sua banda é a Gatorra. O instrumento é um misto de bateria eletrônica com sintetizador e guitarra com botões, faz bastante barulho e deixa o som do Tony muito psicodélico e único. A Gatorra é criação do próprio Tony, técnico em eletrônica e que manja de circuitos eletrônicos e transístores.
            Tony é hippie em essência, mas carrega uma atitude punk, suas letras neste disco são todas políticas, revelam as mazelas do Brasil, como o desiquilíbrio na distribuição de renda em “Rap verdade”, defende as minorias e o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Como o próprio título diz, aqui é só protesto!
            O projeto gráfico do disco é bastante simples e quase não há informações sobre o trabalho, não tem as letras, nem ficha técnica, acompanha um encarte com desenhos do Tony e mensagens contra a Alca e o FMI. Fora mercenários!!!
           
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