sábado, 4 de agosto de 2012

V.A. “LOTOTOL” (+Mais Records, 1998)



Coletânea com 26 bandas curitibanas da segunda metade dos 90’s e dos mais variados estilos. Este é o CD “LOTOTOL”, um dos primeiros lançamentos do selo local + Mais Records que cobriu bem a efervescência do underground local da época.

O CD abre com o Estigma, uma banda de rap core. Numa pegada semelhante surge na sequência o Pogoboll. O Fuksy Faluta, banda muito comentada na época, com shows elogiados nos quais valia até a presença de um integrante que simplesmente não fazia nada no palco. Zirigdum Pfóin une rap, percussão e guitarra pesada em “Vila Kennedy”. Resist Control foi a banda que mais repercussão teve fora do Paraná na época, também segue um levada rap core na faixa que também batiza a banda. Até aqui as coisas ficam meio repetitivas.

"LOTOTOL" também traz bandas de punk rock e hardcore, com o Anões de Jardim, estilo HC novaiorquino em “Owner”, No Milk Today, mais rápidos do que de costume em “Morte”, AAAAAA Malencarada com sua garota gritalhona em “Movimento concreto”, Adjustement hardcore old school em “My crew”. Uma instituição do psycho drunk’a’billy nacional, o Ovos Presley com a impagável “A minha rola”, legitimamente um clássico abandonado pela banda. Prankish, mais crossover em “Over the edge”. Numtemcaô, mais pro hardcore melódico em “Consciência”. The Jerks punk rock do tipo protesto bastante influenciado pelos clássicos brasileiros do estilo em “Eu não me importo com você”

Industrial com o Zeitgeist Co., belo arranjo e produção em “Simple fraction” e o Mecanotremata com percussão de ferro velho e letra tipo poesia concreta em “Pele e osso”, poderíamos até denominar a banda como concretista.

Música eletrônica com Paulo de Tarso, aka Clone DT, apresenta um projeto de música eletrônica experimental e niilista em “Tetracaína”. LIFO com “Foolstrong” eletrônica industrial. Beat Dada surpreendente com “Studio blunted session” eletrônica em sintonia com o que se produzia no mundo no estilo, mistura breakbeat, downtempo e trip hop. Anhanguera 2099, eletrônica experimental com letra retirada de dois poemas de Roberto Prado gravadas em estéreo, em cada canal surge um letra diferente. Mosha demonstra um potencial para as belas melodias em “Stoned”, lembra muito as bandas do selo inglês Creation, produção apuradíssima.

Indie rock com o Zigurate, boa banda que flertava bastante com as atmosferas sombrias dos anos 80 em “O vento”. Universo Paralelo, melodiosos e acústicos em “Um verso”. Whir, banda das irmãs Rety e Qué, bastante influenciada por guitar bands e que conseguiu bastante notoriedade entre os anos 90 e 00, surge aqui com “Appaluse”. Plastic Fish é outra guitar band, guitarras barulhentas em “Hoteland”. Uma banda mais rock’n’roll, Mandioca Radioativa em “Remédio colorido”; e para encerrar uma banda inaudível, mas, com vocal feminino e um monte de guitarras, Fucke em “Turn your head”, muito bom para quem gosta de noise-barulho.

O projeto gráfico é muito curioso. O CD é tratado como um medicamento, de tarja vermelha, com bula, recomendações de uso, uma embalagem bastante caprichada. O encarte traz ficha técnica, todas as letras e apresentação das bandas, naquelas letras miúdas, tal como uma bula mesmo. Dois anos antes desta edição em CD circulou um "LOTOTOL" em fita K7 com muitas bandas de vários estilos, com predominância para o hardcore curitibano da época. A fita é uma raridade, e o blog Disco Furado aceita doações!

“LOTOTOL” foi produzido por Manoel de Souza Neto e Rodrigo “Digão” Duarte, recebeu apoio da 96 Rádio Rock, que veiculava as bandas presentes no disco, além de bares, estúdio e da loja de discos Temptation. Curiosamente eu descobri uma mensagem oculta, mal educada por sinal, ao abrir cuidadosamente a embalagem de papelão que é a capa do CD, ela diz: “ATENÇÃO: LOTOTOL serve na verdade como supositório para babacas, retrógrados e quem não gostou dele (isso não está escrito na bula!!!)”.

Quer ouvir? Download aqui!

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