sábado, 31 de dezembro de 2011

brincando de deus (WR Discos, 2000)


Bizz, edição 184, novembro de 2000
O brincando deus (em letras minúsculas mesmo) é um quarteto formado em Salvador em 1992 e este é o seu terceiro e derradeiro disco. O álbum, sem título, é um trabalho muito bem cuidado, traz 14 canções todas compostas pela banda.
A banda movimentou bastante o underground brasileiro com o seu guitar sound , o que garantiu-lhes um número considerável de seguidores, algum espaço na mídia com clipes e publicações, além de participar de festivais independente importantes.
O disco é bastante melodioso e se distingue dos trabalhos anteriores, de canções mais barulhentas, rápidas. Bons exemplos destas melodias estão em “mvsica” e na ótima “’till you come”. As letras do brincando de deus são todas em inglês, como a grande maioria das guitar bands brasileiras, e compostas pelo vocalista Messias, neste disco há três canções com versos em português, “Clap your hands”, “Livro de Rilke” e “Alegro II”. É notável a influência de bandas inglesas como Ride, Spacemen 3 e coisas dos selos Creation, Too Pure e Factory. O projeto gráfico primoroso traz ilustrações renascentistas e encarte com todas as letras.
            Os planos para a realização deste trabalho incluíam a produção de Dave Friedmann, que já fez discos com Mogway, Mercury Rev, entre outros, mas em 1999 o estúdio da banda sofreu um incêndio e todo o equipamento foi perdido, assim como a pré produção deste disco, que só foi realizado no ano seguinte. Lançado pelo selo local WR Discos, que lançou CDs da maioria das bandas de Salvador da época. A realização contou com o suporte da Secretaria de Cultura da Bahia e a pequena tiragem se esgotou rapidamente. A banda encerrou atividades no ano seguinte, deixaram três discos e um EP, “Playing god”, lançado apenas no Estados Unidos.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Ciro Pessoa "No meio da chuva eu grito help" (Voiceprint, 2003)


           Pode-se afirmar confortavelmente que este disco demorou muito tempo para ser lançado. Trata-se do primeiro disco solo de Ciro Pessoa, vocalista e letrista paulistano com anos de bagagem acumulada e de trajetória tortuosa.
Bizz, edição 61, agosto de 1990
Ciro Pessoa fez parte da primeira formação do Titãs, na época do Iê-Iê, co-autor dos hits “Sonífera Ilha” e “Toda cor”, e depois no sombrio pós-punk/new wave Cabine C, que deixou apenas um álbum, “Fósforos de Oxford”, lançado em 1987 pelo selo que foi a novidade fonográfica daquele ano, a RPM Discos (propriedade de Paulo Ricardo e Luiz Schiavon), mas que naufragou na falta de experiência e controle financeiro de seus proprietários. Levou junto o disco do Cabine C, sem divulgação e distribuição, sobrou para Ciro Pessoa a tentativa de resolver a situação judicialmente, enquanto o disco empoeirava em algum estoque, hoje é artigo disputado. O Cabine C ainda trilhou caminho para o segundo disco, mas, “Cotonetes Desconexos” não chegou a ser lançado.
Após estas experiências, em 1990 Ciro Pessoa voltou-se às canções de amor e melancolia, este ultrarromantismo recebeu o nome de CPSP que não deixou disco, mas, rendeu a canção/balada “Tudo que me faz sentir você”, lançada, enfim, em 2003.
O álbum “No meio da chuva eu grito help” não ganhou tal título por acaso, soa todo como um grito, emenda riffs pesados e levada acelerada e carrega uma urgência tensa. Em “Dúvidas e sonhos” há melancolia, nostalgia, abandono e algum sonho, as drogas dão a letra de “Days.e”, e criam uma fotografia lisérgica para “Boliche sideral”.
O disco gravado em 2000 e lançado em 2003 pelo selo Voiceprint, capitaneado no Brasil por Fábio Golfetti, teve distribuição nacional pela Tratore. Na capa e contracapa há fotos de Ciro Pessoa aos gritos sendo atingido por golpes de água, o encarte traz todas as letras. Eis o grito, eis o disco!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Beijo Aa Força “20 anos” (Independente, 2003)


O Beijo Aa Força (BAAF) foi uma das primeiras bandas punks de Curitiba. Formada em 1983, passou por várias formações, ainda que seu núcleo sempre envolvesse o trio Rodrigo Barros, Renato Quege e Luiz Ferreira.
O disco que comemora os vinte anos do BAAF também é uma volta aos primeiros anos, pois ao longo das duas décadas a banda absorveu muitas influências no seu som, tanto que no lançamento de seu primeiro álbum “Música Ligeira nos Países Baixos (Tinitus, 1993) pouco há da crueza punk rock dos início, assim como no segundo registro, “Sem Suingue” (Independente, 1996), no qual o BAAF esta mais para o Maxixe Machine, banda paralela dos rapazes que assumiu as influências que não cabiam mais no BAAF, dentre elas as marchinhas à Lamartine, o folk irlandês, a polka e o samba de polaco, meio torto, meio duro, meio sincopado.
As letras são compostas de poesia e falta de esperança, a maioria delas em parceria com poetas curitibanos como Marcos Prado, Thadeu Wojciechowski e Sérgio Virallobos. No disco tem várias delas, tente não se deliciar com carta à cerveja em “My dear beer” com direito à incidental “London calling”, ou então “Mulher de Marx”, um funk seco de apenas um verso, mas que rende uma canção fantástica.
"20 anos" foi lançado de forma independente, tem 13 canções e mais 3 bônus. A última, “Pé frio”, é um registro histórico do BAAF e foi gravada no 1º Festival Punk de Curitiba, ocorrido na Sociedade Beneficente Protetora dos Operários em 1983. A capa e projeto gráfico é do artista gráfico Magoo, o encarte traz todas as letras. O BAAF encerrou atividades em 2007, mas, com sorte você ainda pode pegar algum retorno comemorativo.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Soutien Xiita “Cantando pra subir” (Tamborete Entertainment, 1999)


O underground carioca dos anos 90 foi o cenário das mais improváveis bandas que haviam no underground brasileiro na época. Zumbi do Mato, Funk Fuckers, Gangrena Gasosa, Piu Piu e sua Banda e Soutien Xiita se destacavam, cada uma à sua maneira, pelas suas peculiaridades e pela longevidade.
Ao Soutien Xiita coube a particularidade de ter as letras mais sujas do Rio de Janeiro, um páreo realmente difícil! Formada em 1992, a banda gravou quatro fitas demo, fez muitos shows entre RJ e São Paulo e lançou seu único disco em 1999. Na verdade, um disco póstumo que recebeu apenas um único show de lançamento, no Garage, é claro.
“Cantando pra subir” tem 17 pedradas de hardcore rápido e nervoso que embala letras com os singelos títulos: “Sex from hell”, “Me and your mother”, “Boquete”, entre outras, esta última é um clássico do HCRJ! A maioria das letras foram escritas pelo vocalista Cláudio. A banda, em 1998 se completava com o trio Cabelada (baixo), Mutley (bateria) e Leonardo Panço (guitarra). A gravação coube ao produtor Rafael Ramos, na época era baterista do Jason e sócio da Tamborete Entertainment, selo responsável por lançar discos de bandas clássicas do underground brasileiro, como Little Quail and the Mad Birds, Wry, Sex Noise, Poindexter, Inkoma, e muitas outras...
O projeto gráfico é caprichado e as ilustrações de Flávio Flock chamam a atenção, a começar pela capa com uma mulher obesa de três peitos, em outra ilustração a “garota da capa” surge estraçalhada pelo seu cãozinho.
O álbum foi prensado em 500 cópias e recebeu péssimas resenhas da mídia especializada, nem mesmo o bônus com todas as canções do disco em versão acústica atraiu a atenção de alguém para o disco do Soutien Xiita.
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