domingo, 27 de novembro de 2011

V.A. "Melopéia: Sonetos Musicados" (Rotten Records, 2001)

         
        "Melopéia" é um disco atípico. Não se trata de um tributo, mas pode assumir tal função, pois homenageia e apresenta sonetos musicados do poeta paulistano Glauco Mattoso, maldito, e mais que isso, o preferido dos punks, skinheads e outros malditos. O álbum traz 23 canções, todas introduzidas por vinhetas de cravo, e 19 interpretes diferentes. Segue abaixo um pouco de alguns sonetos e suas versões:

Tato Ficher e sua versão para “Tropicalista”, soneto nostálgico que presta sua reverência Tropicália e afirma a importância que o movimento teve na vida e obra de Glauco Mattoso.
Inocentes apresenta “Preguicista”, soneto que exalta o direito à preguiça e o fim da ditadura da magriça.
Arnaldo Antunes e Laranja Mecânica fizeram interpretações diferentes do mesmo soneto “Confessional”, de (des)amor e dor.
Humberto Gessinger lê “Revista”, belo texto que descreve o ato de ler uma de nossas revistas semanais, o verso final altera as rimas e mostra a idiossincrasia habitual do seu intérprete.
Glauco Mattoso
DJ Krâneo divide “Utópico” em  duas partes, soneto que afirma o sonho masculino da autofelação.
Edvaldo Santana, que não poderia faltar neste projeto, faz bonito em “Bélico” soneto que se encerra no verso: “... quanto menos ronda a bota faz, mais folga ostentará o pé de chinelo”. O mesmo tema também aparece em “Pacifíscta”, gravada por Luiz Roberto Guedes e Fábio Stefani.
Wander Wildner, acompanhado de Flu, grava “Ensaístico”, soneto-ensaio que sintetiza a obra de Glauco Mattoso em duas fases, iconoclasta e podorasta, separadas pelo glaucoma, “... ao cego, o feio é belo, e a dor é vida”.
Ayrton Mugnaini Jr traz “Flatulento” soneto que afirma ser hilariante o ato de peidar, sozinho, em público e indiscriminadamente, canção, interpretação e soneto caíram muito bem.
Billy Brothers faz um rockabilly de “Escatológico”, soneto que aponta a insatisfação do autor quanto ao uso da palavra merda, sendo preferido o seu sentido próprio visto às suas aplicações no figurado.
Devotos transformam “Dercy Gonçalves” num hardcore, o soneto é uma homenagem à centenária vedete, atriz e boca suja de primeira, “... com ela é pau no cu da carochinha!”.
Falcão, o ídolo brega, e Eriberto Leão, fazem de “Precípuo” uma balada “brega” bem ao estilo Falcão, nada demais.
          Itamar Assumpção fez sua derradeira gravação neste disco, junto com Renata Mattar, gravou “Amélia & Emília”, soneto que aproximam duas mulheres de mentira, a Amélia de Ataulfo Alves e a Emília de Monteiro Lobato.
       Claudia Wonder & Edson Cordeiro encerram o álbum com "Virtual" em versão disco-clubber que os dois interpretes conhecem bem. Um das poucas gravações de Claudia Wonder.
            A capa de “Melopéia” é obra de Lourenço Mutarelli, e reproduz a foto que estampa a capa de “Tropicália ou Panis et Circencis”, no encarte há todas as letras e ficha-técnica das gravações, um trabalho gráfico eficiente e bem produzido. O álbum foi lançado saiu pelo selo independente Rotten Records, propriedade de Luís Português, ex-baterista do Garotos Podres, e Glauco Mattoso, em 2001, teve mil cópias e hoje é item raro. Aproveite para conhecê-lo!

           Quer ouvir? Download aqui! (Chave: !s86GUxKQ79tAAdTIxQFSqwZh_xeRcYnhdtcuJXAZlJI)
Também disponível no Youtube!