domingo, 25 de setembro de 2011

Kid Vinil & Verminose “Xu-Pa-Ki” (Verminose Records, 1995)


         O Verminose foi uma das pioneiras bandas punk brasileiras, surgida entre o fim do AI-5 e o início do Magazine, liderada por Kid Vinil, que na época, final dos anos 70, era DJ de rádio e “homem-de-gravadora”. Em seus primeiros anos de existência a banda não deixou nenhum registro, isso só foi acontecer em 1995 e de forma independente.
         “Xu-Pa-Ki” é praticamente um disco perdido, pois quase não teve repercussão de mídia na ocasião de seu lançamento, nem mesmo distribuição. São 10 canções, contando 6 regravações. A faixa título é dos punks portugueses do Mata Ratos, “A namoradinha que eu amei” do Kães Vadius, “Anjo da Guarda”, do Made in Brazil, “Sou coroa” está no único LP do Ayrton Mugnaini Jr,  “Como vovó já dizia” do Raul Seixas, e “Ela só gosta de pizza” do Destemidos Limonadas. Das inéditas, 3 foram aproveitadas no disco posterior de Kid Vinil, com o reformulado Magazine, o álbum “Na honestidade” (Trama, 2002), são: “Conversível irresistível” (letra de Roger Moreira), “O jogador” e “Marlene”. Restou apenas “Numas de horror”, presente apenas em "Xu-pa-ki".
          O disco foi gravado no estúdio Bonadio e produzido por Rick Bonadio e Duca Belintani, este também era guitarrista do Verminose, que se completava com o baterista Trinkão, remanescente da primeira encarnação do Verminose e  também do Magazine, e pelo baixo de Lu Stopa. A capa do disco traz uma “bela imagem" de seus trajes mínimos, no mínimo provocante!
       Quer ouvir? Download aqui!
       Também disponível no Youtube!

sábado, 17 de setembro de 2011

Concreteness “Numberum” (Tinitus, 1996)


            Extraterrestres estiveram no Brasil, se instalaram no interior de São Paulo, abduziram influências de toda parte e montaram uma banda que permaneceu em atividade durante boa parte da década de 90, de tão espertos ainda compuseram em nossa língua!
Bizz, edição 135, outubro de 1996
            
        Esqueça tudo isso. O quarteto Concreteness, de Santa Barbara d’Oeste formado pelos irmãos Cesar, Marco e Marcello Maluf, mais o Véio no baixo, fez muito barulho e chamou a atenção por onde passou, o Concreteness fez parte de uma cena, uma invasão de bandas do interior de São Paulo que sopraram para longe a poeira levantada pelo festival Juntatribo. "Numberum" é seu primeiro disco, depois de várias demos e participações em coletâneas.
            A faixa título abre o disco e a letra é uma lista de nomes e marcas que precursoramente nos revelam os efeitos globalizantes. O álbum segue com “Tchau”, um libelo anti-amor com a urgência do punk e poesia de ódio. Por sinal, estes três itens citados, a poesia, o punk e o anti-amor, são uma constante no disco. Marcello Maluf programou sua bateria eletrônica para desfilar 12 canções de raiva concentrada e que por vezes soam como poesias concretas musicadas, como em “Se” (Leminski deveria ouvir essa!) e na regravação de “Batmacumba”, outro clássico da MPB abduzido para o disco é “Deus lhe pague”. Não é à toa que a mídia chamava o Concreteness carinhosamente de "industrial caipira".
            “Numberum” foi um dos últimos lançamentos do selo Tinitus, propriedade de Pena Schmidt que deixou um catálogo de bons discos do período, e foi antecedido por uma experiência rara entre os independentes. Antes do début do Concreteness chegar às lojas foi lançado um single com quatro remixes da canção “Se”.
            A capa do disco traz quatro alienígenas e foi retirada da tatuagem de Marco Maluf, o encarte traz todas as letras, foto dos integrantes, ficha técnica e uma grande lista de agradecimentos. O Concreteness encerrou atividades poucos anos após o primeiro disco e deu lugar a outra banda de curta trajetória, o Jardim Elétrico. Atualmente, em 2014, a banda ensaia uma volta comemorativa mesmo sem o baixista Véio, falecido em 2009.