sexta-feira, 20 de maio de 2011

V.A.“People are required for people, people’s love is absolutely required for people” (Plan de Sens, 2003)

            Pelo menos cinco coletâneas independentes de guitar bands brasileiras foram lançadas com a finalidade de cobrir a grande quantidade de bandas deste estilo espalhadas pelas garagens do Brasil ao longo da década de 90. Esses registros são importantes por trazerem ao disco muitas bandas que sucumbiram nas próprias garagens onde se formaram. Obviamente, o guitar sound não foi algo tão popular por aqui, ainda assim, deixamos muitas cópias desta estética barulhenta inglesa dos anos 80, e underground norte-americana dos anos 90.

            “People are required...” foi lançado apenas no Japão, pelo selo Plan de Sens, e traz 18 bandas de, pelo menos, sete estados brasileiros, a maioria de São Paulo. Algumas são legítimas guitar bands, tais como Moonrise, Pelvs, Valv, Grape Storms e Astromato. Sobre o Astromato, esta banda é um raro exemplo de guitar band com letras em português, seu único disco, “Melodias de uma estrela falsa”, saiu pelo selo carioca Midsummer Madness em 2001 e recebeu resenhas elogiosas, o que alavancou a banda de Campinas (que antes atendia pelo nome de Weed) no underground brasileiro daquela época.
            
          Entretanto, nesta coletânea há espaço para o indie lo-fi do Luisa Mandou Um Beijo e casino (ambas do Rio de Janeiro), e para a veterana banda paulistana Fellini, que tinha no lo-fi uma identificação técnica e estética, a faixa selecionada, “Gravado no Rio”, está no disco “Amanhã é tarde” e traz o Fellini reduzido ao duo Cadão Volpato e Thomas Pappon.

Retirado do jornal Folha de Londrina
            O disco tem outras bandas bastante conhecidas, tais como: Pullovers, Old Suit e Brilhantines, sendo que estas duas últimas dividem alguns integrantes; contudo, traz duas bandas das quais não temos informações: The Luos e Blueberry.

            O álbum tem um projeto gráfico bastante diferente, com pouquíssimas informações sobre as bandas, nada além de email para contato, não tem ficha técnica e muito menos informações sobre o selo. Numa tentativa de saber mais sobre o selo e a confecção deste álbum, procuramos o Rodrigo Lariú, proprietário da Midsummer Madness e incansável incentivador do cenário indie/guitar/shoegaze nacional.


            Qual a contribuição da Midsummer Madness para este disco? Você participou da seleção de bandas e fonogramas?
            Rodrigo Lariú - Fomos procurados pelo selo Plan de Sens para indicar bandas brasileiras para participar da coletânea. Indicamos várias e entre elas, algumas do midsummer madness. Eles entraram no nosso site e gostaram de quase todas as bandas, inclusive de algumas que nós não tínhamos indicado. Ficamos orgulhosos de contribuir com mais da metade das bandas, mas a seleção foi 100% feita pela gravadora Plan de Sens.
            Foi o selo Plan de Sens que entrou em contato com a Midsummer Madness? Como surgiu este contato e o interesse do selo japonês em lançar este disco? Este selo ainda existe?
             
Rodrigo Lariú - Não lembro mais... acho que fomos indicados por alguém de alguma banda. Dai pra frente foi o que eu expliquei acima. Perdi o contato com o Katsuya, que era a pessoa do do Plan de Sens... acho que eles lançaram uma segunda coletânea de bandas indies da África do Sul... mas não sei se ainda existem.
           
            Tem alguma faixa inédita, ou versão exclusiva para este disco?
            Rodrigo Lariú - Na época, o Fellini era inédito. E tem uma música da Pelvs que só existe neste CD, a "abrasive song".
            Qual foi a repercussão deste CD? Você sabe qual foi a tiragem do disco? 
        Rodrigo Lariú - Não sei qual foi a tiragem mas eu recebi umas 200 cópias apenas, que estão quase acabando (N.E. - já acabaram)

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